O Evangelho Segundo o Espiritismo

L’Évangile selon saint Matthieu, Pier Paolo Pasolini. Ao fundo da notícia: comentário a respeito da obra prima e possibilidade de vê-la na íntegra (legendada em português).

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 Tradução para Português de Portugal – 2019 – de José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites

Ao fundo, acesso ao ficheiro PDF com a obra completa

 Notas de rodapé
 No corpo desta obra são inseridas apenas as notas originais de Allan Kardec, com a respetiva identificação (AK), de modo a respeitar o formato do texto original francês.

NOTAS FINAIS
São publicadas no fim do livro um conjunto de notas que foram julgadas muito importantes para a contextualização de algumas palavras, expressões ou temas tratados.
Vão sendo referenciadas ao longo do texto, com a indicação do tema e respetiva numeração, entre parêntesis retos.

Uso de maiúsculas
As palavras redigidas com letra maiúscula são as que a gramática portuguesa recomenda para esse efeito.
A palavra Deus, e as expressões que se lhe referem também são grafadas com maiúscula, bem como as palavras Humanidade e Universo. A palavra Espírito igualmente, nos casos em que Allan Kardec adotou esse critério.

Textos Bíblicos transcritos ao longo desta tradução:
Ao longo desta tradução de o “Evangelho segundo o Espiritismo”, todos os textos Bíblicos, quer do Antigo, quer do Novo Testamento, não foram traduzidos do original de Allan Kardec, mas sim pesquisados e transcritos da Bíblia Sagrada, traduzida por João Ferreira de Almeida, versão revista e corrigida.
Apresentamo-los na sua forma original, evitando corrigir até a pontuação, para não lhes retirar, como diz Kardec, “a ingenuidade primitiva, que lhes dá, ao mesmo tempo, encanto e autenticidade.”
Tomámos essa decisão devido à grande familiaridade que os leitores de língua portuguesa de todas as latitudes, e de há muitíssimos anos, têm mantido com essa notável e muito apreciada tradução em língua portuguesa da Bíblia Sagrada.

INTRODUÇÃO original de Allan Kardec
I − Objetivo desta obra

Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes: Os atos comuns da vida de Jesus, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas das igrejas e o ensino moral.

Se as quatro primeiras partes têm sido causadoras de polémicas, a última permaneceu inatacável. Diante deste código divino, até os incrédulos se inclinam; é o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem agrupar-se, quaisquer que sejam as suas crenças, porque nunca foi motivo de disputas religiosas, sempre e por toda a parte suscitadas por questões dogmáticas. Discutindo-as, aliás, as seitas teriam encontrado nelas a sua própria condenação porque, na maior parte dos casos, se apegaram mais à parte mística do que à parte moral, que lhes exigiria o seu próprio aperfeiçoamento.

Para os seres humanos, em particular, é uma regra de conduta que abrange todas as circunstâncias da vida, pública ou privada, o princípio de todas as relações sociais fundadas na mais rigorosa justiça. É, por fim e acima de tudo, o caminho infalível da felicidade a conquistar, uma ponta do véu que abre para a vida futura. É essa parte que constitui o motivo exclusivo desta obra.

Toda a gente admira a moral evangélica, todos proclamam a sua perfeição e a sua necessidade. A maior parte das pessoas, contudo, confia naquilo que ouviu ou apoia-se em normas que se tornaram consagradas. O certo é que poucas a conhecem a fundo e ainda menos são as que a compreendem e dela sabem tirar as devidas conclusões.

A causa deste facto reside, em grande parte, nas dificuldades que a leitura do Evangelho apresenta, incompreensível para a maioria das pessoas. A forma alegórica e o misticismo intencional da linguagem fazem com que a maioria o leia por descargo de consciência e por obrigação, como leem as preces sem as compreenderem, quer dizer, sem proveito. Os preceitos de moral, disseminados por aqui e por ali, mesclados com outras narrativas, passam-lhes despercebidos. Torna-se então impossível apreender o conjunto, e fazer dele motivo de uma leitura e de uma meditação separadas.

Fizeram-se, de facto, tratados de moral evangélica, mas a adaptação ao estilo literário moderno tira-lhes a ingenuidade primitiva, que lhes dá, ao mesmo tempo, encanto e autenticidade. Acontece o mesmo com certas frases sentenciosas retiradas do contexto; ficam reduzidas à sua expressão mais elementar, não passando então de aforismos, que perdem uma parte do seu valor e do seu interesse pela ausência dos acessórios e das circunstâncias que os rodeavam.

Para evitar estes inconvenientes, reunimos nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de cultos. Nas citações, conservámos tudo o que é útil ao desenvolvimento das ideias, suprimindo apenas o que é alheio ao assunto. Além disso, respeitámos escrupulosamente a tradução original de Sacy, assim como a divisão por versículos. Porém, em vez de nos prendermos a uma ordem cronológica impossível e sem vantagem real para o caso, as máximas foram agrupadas e distribuídas metodicamente segundo a sua natureza, de modo a que decorram umas das outras, tanto quanto possível. A indicação dos números de ordem dos capítulos e dos versículos permite recorrer à classificação comum, caso se julgue conveniente.

Esta seria apenas uma solução de ordem prática que, por si só, não teria mais do que uma utilidade secundária. O essencial era pô-la ao alcance de todos, pela explicação das passagens menos claras e o desenvolvimento de todas as suas consequências, tendo em vista a sua aplicação às diferentes situações da vida. Foi o que procurámos fazer, com a ajuda dos bons Espíritos que nos assistem.

Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia e dos autores sagrados em geral, são incompreensíveis e muitas vezes parecem mesmo absurdas, por falta de um código que nos facilite o seu verdadeiro sentido. Esse código está completo no Espiritismo, como já se convenceram os que estudaram seriamente a doutrina e como ainda melhor se reconhecerá mais tarde. O Espiritismo encontra-se por toda a parte, na Antiguidade e em todas as épocas da Humanidade. Em tudo encontramos os seus vestígios: nos textos, nas crenças e nos monumentos. É por isso que, ao mesmo tempo que abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.

Como complemento de cada preceito acrescentámos algumas instruções, escolhidas entre as que foram ditadas pelos Espíritos em diversos países, através de numerosos médiuns. Se estas instruções tivessem surgido de uma fonte única, poderiam ter sofrido uma influência pessoal ou do meio, enquanto a diversidade de origens prova que os Espíritos dão os seus ensinamentos por toda parte, e que não há ninguém privilegiado a esse respeito.

Esta obra é para o uso de todos, cada um pode tirar dela os meios de ajustar a sua conduta à moral de Jesus. Os espíritas aí encontrarão, além disso, as aplicações que lhes dizem respeito mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas entre os seres humanos e o mundo invisível, de agora em diante e de modo permanente, a lei evangélica ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos deixará de ser letra morta, porque cada um a compreenderá e será incessantemente solicitado a pô-la em prática, pelos conselhos dos seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do Céu que vêm esclarecer os seres humanos e convidá-los à prática do Evangelho.

 

É FAVOR CLICAR PARA TER ACESSO

 


PELA MAGNÍFICA QUALIDADE ESTÉTICA DA OBRA CINEMATOGRÁFICA CITADA, E PELO FACTO DE SER POSSIVEL COMPAGINAR A SUA CONTEMPLAÇÃO COM A LEITURA DO EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS, O QUE FRANCAMENTE SE RECOMENDA, NÃO EXITAMOS ENTREGAR AOS LEITORES O VISIONAMENTE COMPLETO DO FILME RESPECTIVO.

Quand la Croix défendait L’Évangile de Pasolini

Jean ROCHEREAU, 

“L’Évangile selon saint Matthieu” de Pier Paolo Pasolini STUDIOCANAL IMAGE / ARCO FILMS

L’Évangile selon saint Matthieu. Quand souffle l’Esprit…

De notre envoyé spécial au festival de Venise.

(…)…Pasolini est un homme, sincère et un poète. C’est là, sans doute, qu’Il faut chercher la raison de l’exceptionnelle réussite qui m’a ému. Quelle fut, pour l’Évangile selon saint Matthieu, l’idée qu’il exprime ? Prendre le contre-coup de toutes les idées reprises au cinéma en matière d’évocation religieuse.
Et, d’abord, refus systématique de toute vedette pour l’interprétation.
C’est la propre mère de Pasolini qui incarne la Sainte Vierge
. Elle le fait avec une sincérité, une émotion proprement sublime. Dans la distribution on trouve aussi des amis du cinéaste : romanciers, journalistes, poètes.
Le fils de Pasolini, un étudiant catalan, surprend d’abord tant son physique de brun aux yeux noirs et le voile qui couvre constamment la tête sont opposés à l’imagerie traditionnelle ; tant aussi, son air sombre et son regard de braise semblent jurer avec la bonté du Christ.
Mais que paraisse un entant, et le sourire sur le visage de l’interprète, devient un reflet vivant de l’amour de Dieu.

Autre soucis majeur de Pasolini : un maximum de réalisme. Les scènes de Nazareth furent tournées dans un village de Lucanie, qui garde les stigmates d’un terrible séisme. Si l’on ne se savait pas en Italie, on se croirait revenu vingt siècles en arrière au pays du Christ.

Maintenant et toujours

Mais, bien sûr, l’essentiel reste à louer : l’adaptation du texte évangélique de son illustration. Il n’était pas question de relever tous les épisodes des Évangiles. Mais ceux qui furent choisis rendent bien compte de l’idée maitresse du cinéaste : montrer l’actualité du message.

Au plan de la composition des images, j’ai été bouleversé jusqu’aux larmes par Ia toute première scène, muette. Joseph se rend compte que Marie attend un enfant. C’est une merveille de tact et de délicatesse. Par la suite, Pasolini utilise en abondance des gros plans sur les visages (je pense souvent à la Passion de Jeanne-d ‘Arc, de Dreyer) et « son parti pris » qui nous vaut une galerie de portraits véritablement Inoubliables. Enfin, pour les ensembles, le massacre des Innocents, ce chemin de croix et Ia mise au tombeau sont des tableaux dont on chercherait en vain l’équivalent en peinture.

Il y a tout de même, dans ce chef d’œuvre (oui, il faut maintenir le mot), quelques autres points. Mais plutôt de surprise moins heureuse. Le long discours public sur les scribes, les pharisiens hypocrites (texte intégralement repris de saint Matthieu, comme tout le texte biblique) est orchestré fidèlement, de telle sorte qu’on se croirait parfois à un discours révolutionnaire. C’était, je crois bien, les seules minutes où transparait le « marxisme » de Pasolini. Et, bien sûr, la substance de ce discours estompe cette fâcheuse impression.

J’ignore tout à fait comment les autorités catholiques accueilleront ce film dédié « à la douce mémoire du pape Jean ». Je pense qu’elles redouteront peut-être quelque exploitation, par le parti de feu Togliatti, d’un éventuel « imprimatur ». Et même, je demeure incertain quant à l’accueil du grand public : ne sera-t-il pas trop dépaysé ? Mais je crois fermement que si nous, chrétiens, n’aidons pas à l’exacte compréhension et au succès d’un tel film, nous laissons passer une occasion apostolique.

Après tout, les voies de la providence sont impénétrables et l’Esprit souffle où il veut. Est-ce trop s’avancer que de conclure : le film de Pasolini, même né dans une conscience marxiste, est un instrument apologétique, digne de servir à l’extension du royaume de Dieu ?

RESUMO DE IDEIAS

Há dias um amigo telefonou-me fazendo perguntas a respeito daquilo que acontece depois da morte, impressionado pelo facto de sua mãe ter morrido há poucos dias.

É impressionante a ignorância da maioria das pessoas a esse respeito.
Resolvi fazer um resumo de ideias para facilitar ao máximo o acesso ao principal do que SEI a este respeito.
Digo que SEI e não digo que ACREDITO, porque as ideias que existem de parte de muita gente em Portugal e em muitos países estrangeiros, sobretudo os mais evoluídos cientificamente, ESTE ASSUNTO DE HÁ MUITOS ANOS QUE NÃO É MATÉRIA DE FÉ, MAS SIM DE CONHECIMENTO BASEADO EM FACTOS DEMONSTRÁVEIS NA PRÁTICA OBJETIVA.
Vou ordenar a seguir, pela ordem de tamanho e de acessibilidade, os textos que tenho publicados e que podem servir para esclarecer o assunto de que se trata realmente: RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA VIDA:

Observar cada um dos textos, escolhendo para ler aquele que parecer mais interessante para leitura imediata. A finalizar o conjunto, está disponível para descarga a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”:

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

O Espiritismo na sua expressão mais simples, de Allan Kardec

Albert de Rochas e a tese das vidas múltiplas

Nova tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS

O PERISPÍRITO – 2

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A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO

NOTA: este texto é a Nota final nº 72 da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”

Ao ler o conteúdo de “O Livro dos Espíritos” e tudo o que ele nos diz a respeito da evolução dos seres humanos, já ficámos com uma ideia da “concentração de complexidades” que o nosso veículo perispiritual carrega consigo. A ciência atual, oferecendo-nos informações técnico-científicas que a experiência e os factos confirmam, ajuda-nos a construir uma imagem mais compreensível da sua verdadeira natureza e propriedades.

Apresentamos algumas ideias base, ponto de partida para as pesquisas que os leitores desejarem fazer:

  • Texto de Gabriel Delanne, Carlos de Brito Imbassahy, e Reinaldo di Lucia, importantes expoentes de épocas diversas da investigação científica relativa a temas de espiritismo;
  • A seguir ao texto de Carlos de Brito Imbassahy, por fazer parte dos investigadores que ele mesmo refere, fazemos alusão a um notável cientista norte americano, Harold Saxton Burr, que trabalhou em eletrodinâmica biológica e fez investigações acerca dos “campos de vida” (fields of life) e dos “agentes estruturadores”, termos e ideias fundamentais para a compreensão da natureza e funcionamento do perispírito.

Fragmentos de Gabriel Delanne:

 

“…Se realmente existe no homem um segundo corpo, que é o modelo inabalável pelo qual se ordena a matéria carnal, compreende-se que – apesar do turbilhão de matéria que se movimenta no corpo humano – se mantenha em nós o tipo individual que nos caracteriza, no meio das incessantes mutações resultantes da desagregação e da reconstituição de todas as partes do corpo, comparáveis a uma máquina à qual, a cada instante, se mudassem todas as suas partes constituintes. O perispírito é o regulador das funções, o arquiteto que vela pela manutenção do edifício, porque essa tarefa não pode depender essencialmente das atividades cegas da matéria.

Reflitamos sobre:

  • A diversidade dos órgãos que compõem o corpo humano;
  • Os tecidos que servem à construção dos órgãos;
  • A cifra prodigiosa de muitos triliões de células aglomeradas, que formam todos os tecidos;
  • O número colossal de moléculas do protoplasma;
  • E, enfim, a imensa quantidade dos átomos que constituem as moléculas orgânicas.

Achamo-nos em presença de um verdadeiro Universo, tão variado que ultrapassa em complexidade o que a imaginação possa conceber.

A maravilha é a ordem que reina nesses milhares de milhões de ações enredadas.

(…) Se no meio desse turbilhão existe um factor que permanece estável, é lógico que seja ele o organizador ao qual a matéria obedece. Esse factor é o perispírito, visto que é evidente a sua existência durante a vida, como é evidente que existe para além da morte. Os avanços no conhecimento das suas propriedades resultarão preciosíssimos no domínio da Fisiologia e da Medicina.

O que os antigos chamavam a “vis medicatrix naturae” é o mecanismo estável, incorruptível, sempre ativo, que defende o organismo contra as ações mecânicas, físicas, químicas e microbianas às quais está sempre sujeito, e que recompõe a cada instante a integridade do ser vivo quando é afetada.

Numa palavra, o corpo não é somente um aglomerado de células justapostas: é um todo harmónico cujas partes constituintes têm funções bem definidas, subordinadas ao papel que desempenham no plano geral.

Claude Bernard (1813 – 1878) Fundador da Medicina Experimental

O perispírito é a realização física dessa “ideia diretora”, que o grande cientista CLAUDE BERNARD assinalou como a verdadeira característica da vida. Essa “ideia diretora” é também o “desígnio vital” que cada um de nós realiza e conserva ao longo de toda a sua existência…”

Texto pesquisado e traduzido a partir da obra “Documents pour servir à l’étude de la Réincarnation” (A Reencarnação). Paris: Éditions de la B.P.S, 1927.

Palavras de Carlos de Brito Imbassahy *

Breve citação de um texto visto no site Era do Espírito enviado a Ellio Mollo pelo autor no dia 2 de novembro de 2007; Tema, “O Perispírito ante a Psico-bio-física”

“…o “campo de vida” seria o que Kardec definiu como perispírito e o “agente estruturador” seria, portanto – e por correspondência – o Espírito encarnante.(.,,)

“… o campo pode ser definido como sendo a área física em torno de um agente qualquer sobre a qual sua ação é percebida. Exemplificando: em torno de uma fogueira há uma região em que seu calor é percebido; será, pois, o campo térmico da mesma. O íman é sempre o exemplo ideal porque em sua volta há uma região restrita de atração fora da qual ela não é sentida.”

“. A primeira característica de qualquer campo é a energia atuante e relacionada com o agente estruturador. O campo do imã tem a propriedade de aglutinar limalhas de ferro e níquel dando-lhes uma formação relacionada com o imã, criando imagens conhecidas como “linhas de força” do campo.

Temos aí uma ideia do que Kardec disse ao definir o perispírito como não sendo material, ou melhor, sendo semimaterial, porque teria esta propriedade aglutinadora de reunir a energia cósmica em si como o campo do imã quando atua sobre as aludidas limalhas.

Esta energia cósmica modulada por um agente físico que atua em determinada região em torno do seu agente estruturador é conhecida como sendo um dos estados físicos da energia fundamental. Assim, o conceito de “semimaterial” emitido à época de Kardec satisfaz plenamente às condições de conhecimento da atualidade. O perispírito só tem sentido porque é capaz de agir de forma semelhante, agregando energia cósmica em seu campo para poder atuar sobre as células orgânicas fetais no útero materno, quando no processo encarnatório.

 

  • campo do íman também é formado de energia agregada a ele, sem o que jamais atuaria sobre as limalhas.

Cabe lembrar que, na época de Kardec, não se conhecia a energia. O próprio Newton teria definido a energia cósmica fundamental como sendo um fluido, o FCU. Portanto, naquela época, não sendo material, só poderia ser considerado como “semimaterial”. Entenda-se, pois, desta forma, o conceito em apreciação.”

Propriedades do perispírito

(…) “…Rigorosamente coerente com o que Kardec informa em O Livro dos Médiuns e na Seleta de artigos da Revista Espírita, vamos chegar às seguintes conclusões obtidas pela verificação feita em laboratório com uso de aparelhos espectrográficos capazes de detetar o aludido “campo de vida”:

  • – O perispírito é elaborado pelo Espírito segundo suas necessidades junto ao mundo cósmico em que vá viver;
  • – É um campo quântico de natureza psíquica capaz de estruturar células orgânicas e formar corpos somáticos;
  • – Em decorrência da propriedade anterior, ele detém a condição de transmitir ao corpo dito somático as suas necessidades orgânicas decorrentes da vida que deva ter;
  • – Como tal, comparando-o ao campo de uma fita de gravador, ele pode interferir diretamente no corpo somático modulando-o para que ele se estruture segundo suas necessidades encarnatórias.
  • – No sentido inverso, ele pode gravar tudo o que o encarnante faça durante sua vida terrena, sendo o arquivo temporário das suas reações; dessa forma, nossas atitudes presentes podem se refletir nas vidas futuras e o “assim como fizeres, assim acharás” terá plena justificativa, lembrando que, como numa pilha elétrica, toda energia que emana de um polo volta para o outro, fechando o circuito; caso contrário, ela não circula pelo mesmo.
  • – Sendo transitório, como todo e qualquer campo, decorrente da ação indutora do agente, ele não poderá ser o registro de nossos atos, ou seja, a “memória inconsciente” freudiana, arquivo de todos os nossos atos passados, mas servirá de elo entre nossa vida encarnada e os demais campos e sistemas integrados do Espírito. – Do mesmo modo que um campo de um condutor elétrico se modifica de acordo com a corrente que passe por ele, também o perispírito será modulado pela índole ou variação de sentimentos do Espírito, motivo pelo qual este necessita de um ambiente compatível com a sua evolução para nele se encarnar, a fim de que seu perispírito possa atuar nas suas energias materiais.

O que se pode concluir é que tudo isso foi comentado por Kardec sem que, à sua época, se tivesse noção ou o conhecimento atual relacionado com um campo energético e principalmente, de natureza psíquica.”

* O Engenheiro e professor universitário Carlos de Brito Imbassahy é investigador espírita com formação científica, muito conhecido no universo espírita brasileiro, tem numerosos artigos e livros publicados a respeito do tema de que tratamos aqui. É filho de Carlos Imbassahy (1883-1969), advogado, jornalista e importante individualidade ligada ao espiritismo brasileiro.

 

– A Eletrodinâmica Biológica e a noção dos “campos de vida” e dos “agentes estruturadores” na obra de Harold Saxton Burr (citado em textos da autoria de Carlos de Brito Imbassahy).

Harold Saxton Burr (1889-1973)
cientista norte americano não espírita, não foi o único investigador a ter interesse por estes temas e a estudá-los.

Na linguagem dos homens de ciência é possível afirmar que tudo o que existe, visível ou invisível, obedece ao potencial organizador de “campos de vida”, “agentes estruturadores” ou “FRAMEWORKERS”.

Harold S. Burr foi professor da “Yale University School of Medicine”, na área da neuroanatomia e da eletrodinâmica biológica. As suas principais áreas de estudo foram: “A teoria eletrodinâmica da vida”; “As características elétricas dos sistemas vivos” e “A comprovação da existência de campos eletrodinâmicos nos organismos vivos”.

Há três obras suas bastante marcantes: “A Natureza do Homem e o Significado da Existência”, “Projeto para a Imortalidade” e “Os Campos de Vida, as Nossas Ligações com o Universo”.

Na sua obra “A Natureza do Homem e o Significado da Existência” de 1962, a que tivemos acesso online, conclui de forma muito expressiva, e com argumentos científico-filosóficos, pela existência de DEUS.

Recomendamos vivamente a leitura desta obra, que pode ser consultada online, e descarregada, página a página, pelo menos nos “sites” de duas bibliotecas universitárias dos EUA.

O Perispírito / Uma abordagem do século XX

Reinaldo Di Lucia *

Incluímos esta breve citação do investigador aqui referido, por ser o documento mais recente que conseguimos encontrar, de fonte espírita, com referências científicas, a respeito do perispírito. Com efeito foi publicado no site do Instituto Cultural Kardecista de Santos em 5 de setembro e 10 de outubro de 2016, como atualização de outro artigo do mesmo autor e com o mesmo título, publicado em outubro de 2002 no Caderno Cultural Espírita.

“…Dentre todos os continuadores do pensamento de Allan Kardec, Delanne é o que maior importância atribui ao perispírito. Provavelmente, isto se dá na medida em que é de grande dificuldade para qualquer pessoa adepta ao positivismo, aceitar que o Espírito, este ser imaterial e, para muitos, puramente abstrato, possa ser o princípio de todas as manifestações intelectivas do homem.

Assim, ele vai atribuir ao perispírito uma gama significativa de funções relativas à organização ou mesmo às capacidades inteligentes do ser humano. As principais funções cujas bases são por ele atribuídas ao perispírito são sumariamente descritas abaixo.

Primeiramente, temos a formação do corpo físico. Delanne depara-se com o problema de explicar como o corpo físico pode ser formado com tantos detalhes e reconstruído, com a mesma semelhança, sempre que certas partes são destruídas. Lança mão então da explicação perispiritual:

A força vital por si só não bastaria para explicar a forma característica de todos os indivíduos, e tampouco justificaria a hierarquia sistematizada de todos os órgãos, sua sinergia em função de um esforço comum, visto serem eles, simultaneamente, autónomos e solidários. Neste ponto é que incide o ascendente da intervenção do perispírito, ou seja, de um órgão que possua as leis organogenéticas, mantenedoras da fixidez do organismo, através de constantes mutações moleculares.”

O perispírito é então, em sua opinião, o modelo fluídico, o molde que servirá para construir o corpo físico. Como veremos, esta também é a opinião de Hernâni Guimarães, atualizando o raciocínio a partir de recentes descobertas científicas.

A grande preocupação desse pensador, para atribuir ao perispírito o papel de molde do corpo está na explicação da forma. Enquanto que ele podia perfeitamente admitir uma força vital primária idêntica para todos os seres vivos, desde a planta até o homem, pressupunha que deveria existir uma outra força que diferenciasse as muitas espécies no que tange à sua forma. Essa força seria o perispírito.

Em segundo lugar, Delanne dá ao perispírito um papel psicológico fundamental. Para ele, o perispírito é a base da memória do homem, a qual, por sua vez, é fundamental para a asseguração contínua de sua identidade.

Ele baseia esta opinião sobre a ideia que, mais que qualquer outra célula do corpo humano, as do cérebro são substituídas rapidamente, o que impossibilitaria a manutenção, neste órgão, da memória.

“O cérebro, porém, muda perpetuamente, as células dos seus tecidos são incessantemente agitadas, modificadas, destruídas por sensações vindas do interior e exterior. Mais do que as outras, essas células submetem-se a uma desagregação rápida e, num período assaz curto, são integralmente substituídas.”

Partindo do principio acima descrito, o eminente pensador espírita debita ao perispírito a função da memória, já que esta não poderia ser unicamente do corpo. Em sua tese, qualquer facto guardado pela memória é registrado no perispírito. Quando uma célula cerebral morre, é substituída por outra formada pelo mesmo perispírito, que lhe imprimirá, qual disco gravado por uma matriz, as mesmas impressões que ele próprio guarda. Fica assim resguardada a memória.

Ideias semelhantes a essas são igualmente defendidas por Léon Denis e Gustave Geley, em vários dos seus livros, o que nos dá a impressão que eram bastante difundidas no meio espirita à época – apesar de não terem sido defendidas por Kardec em sua obra.

(•••)

Em resumo, as principais ideias sobre o perispírito expostas por estes eminentes pensadores, e ainda hoje bastante difundidas no movimento espírita são:

O perispírito é um envoltório do espírito, que o acompanha desde a sua criação e, portanto, preexistente ao nascimento e sobrevive à morte do corpo físico. É composto de matéria, porém, em nível diferente daquela a que os encarnados estão acostumados. Kardec afirma ser uma matéria “quintessenciada”, obtida por modificação direta do fluido cósmico (que é a matéria primordial), contendo ainda elementos do princípio vital e mesmo de componentes físicos e eletromagnéticos.

A sua composição energética é tanto mais densa, ou menos subtil, quanto menos evoluído (do ponto de vista intelectual e moral) for o espírito. Com a evolução deste, vai-se tornando mais subtil, ainda que não se saiba ao certo o que isto significa fisicamente, mas sempre acompanha o espírito.

É totalmente sujeito à vontade do espírito, que pode plasmá-lo a seu gosto e dar-lhe a forma que

Serve como elemento de ligação entre o espírito e o corpo físico, uma vez que um e outro não podem interagir diretamente devido à diferença estrutural entre ambos.

É o elemento que possibilita a manutenção de uma forma para o espírito desencarnado e, assim, permite que este possa identificar-se como uma individualidade.

É o princípio fundamental das manifestações mediúnicas, em especial daquelas caracterizadas como efeitos físicos.

É o molde do corpo físico, uma forma que conteria os elementos informacionais que permitiriam a sua formação e a sua manutenção. Esta função também é a única forma de adequar o surgimento da vida à Segunda Lei da Termodinâmica.

É a sede dos sentimentos e das faculdades, notadamente da memória. Por vezes, é apontado como sede da inteligência.

Possui órgãos e células, como o corpo físico. Este, aliás, é uma cópia daquele.

Reinaldo di Lucia *

(Nota curricular provavelmente desatualizada e inexata)

Engenheiro Químico formado pela Faculdade de Engenharia Industrial, FEI, S.Bernardo,SP; professor universitário, com especialização em Qualidade na Fundação Getúlio Vargas, Reinaldo Di Lucia tem formação em MBA executivo em Gestão Empresarial também pela FGV e pós-graduação em Engenharia de Qualidade pela Faculdade de Engenharia Industrial. Reinaldo di Lucia, da cidade de Santos, Brasil, é membro do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita- CPDoc e colunista do Jornal Abertura, mantido pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos-ICKS, em que trata de assuntos contemporâneos sob a ótica progressista do espiritismo.

 

Este artigo está disponível em formato PDF para todos os nossos prezados leitores, aqui:

A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO 02

 

O Livro dos Médiuns, nova tradução em português de Portugal

Tradução em português de “O LIVRO DOS MÉDIUNS”


Prefácio dos tradutores
.

 

Achámos fundamental redigir este prefácio, primeiro para dar o devido relevo a uma obra que, embora escrita numa linguagem e com argumentos fortemente datados, continua a ser da máxima importância para a configuração da cultura a que diz respeito, que tem sido pouco estudada e ainda menos seguida cuidadosamente nos princípios que enuncia.
A nossa tradução de “O Livro dos Médiuns”, da mesma forma como dissemos no prefácio de tradutores de “O Livro dos Espíritos”: …resulta da imensa admiração e respeito que temos pelo ensinamento dos Espíritos, na forma que foi metodicamente organizada por Hipólito Leão Dénisard Rivail, aliás Allan Kardec.
Confirmando as intenções que nos animaram quando começámos a traduzir Kardec, repetimos que “… se destina tanto a leitores espíritas como não espíritas… dando a conhecer as condições essenciais para aceder à mensagem da obra e aos seus ensinamentos.”
Sendo este livro o desenvolvimento da vertente científica do espiritismo, sentimo-nos agora obrigados a dirigir a nossa palavra às pessoas que têm assumido a nobre tarefa de possibilitar a “comunicação dos Espíritos com o mundo material”, tal como foi afirmado na conhecida definição da autoria de Allan Kardec.

“O Livro dos médiuns”,aquele que ensina a aprender com os Espíritos

A base do entendimento dos valores da mediunidade está no edifício de conhecimentos que nos foi deixado por Allan Kardec, mensagem exemplar que podia e devia ter continuado a evoluir usando os métodos e critérios por ele mesmo instituídos.
Sobretudo aqueles que têm o privilégio de falar pelos Espíritos, na nossa opinião, nunca deveriam ter abandonado a pesquisa mediúnica, abrindo cada vez mais o património das informações sobre as vidas depois das vidas, tendo em atenção aquilo que está claramente delineado em muitas das páginas deste livro.
É, pois, urgente, relançar as perspetivas da filosofia que nos legou Kardec, com a ajuda principal do ensino dos Espíritos e com raízes no pensamento da religião natural, configurada antes por filósofos e homens de cultura como Immanuel Kant, Jean-Jacques Rousseau e seus sucessores e discípulos.

Coroando esta ideia, citamos de seguida palavras de Sandro Fontana, inseridas no texto de abertura da Revista Ciência Espírita, Edição 7 de Março de 2016, onde é referida a importância do Controlo Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), tão fundamental para Kardec e, por vezes, tão esquecido nos nossos dias:
“É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é o seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns; afinal, são eles quem transmite a informação proveniente do mundo espiritual.
Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um Espirito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante que um Espirito, ao comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias perceções e seu grau evolutivo.
Tanto é assim que Kardec elaborou um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo do observador/pesquisador, que é limitado.
Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que motivo os Centros Espiritas limitam o desenvolvimento mediúnico?”

A Humanidade, como nunca,
à beira de compreender fatualmente a vida depois da morte

A conceção intelectual do espiritismo foi uma extraordinária realização, se atendermos à época em que foi concretizada, com imensa dedicação intelectual e desprendimento pessoal de Allan Kardec, que não quis ser fundador nem dirigente de qualquer movimento instituído. Levava o seu sentido da tolerância até aos limites, sem qualquer desejo abusivo de poder.
A leitura das suas obras, deste “Livro dos Médiuns” e de todos os conteúdos da Revista Espírita, é ainda hoje surpreendente, quer sob o ponto de vista filosófico e científico, a que hoje ─ muito mais do que há um século e meio de distância – vastas áreas da cultura científica se vão rapidamente abrindo.

O espiritualismo científico
uma cultura em explosiva transformação

Julgamos não ser necessário reunir argumentos detalhados para demonstrar a evidência deste subtítulo. A explosão citada diz respeito ao esclarecimento da vida depois da morte em praticamente todo o mundo, no contexto das imensas facilidades que os meios de comunicação nos oferecem e da crescente intervenção de cada vez mais qualificadas entidades de pesquisa.
Vamos por partes.

Visitas ao “céu”, com direito a receção e outros detalhes fantásticos…

Há vários domínios da evolução da Humanidade que têm dado passos de gigante na aprendizagem da natureza, da origem e do destino dos seres vivos, sendo de referir em especial o aparecimento – propiciado pelo desenvolvimento técnico-científico dos métodos de ressuscitação – das chamadas “experiências de quase-morte”, as EQM, referidas em inglês como “Near-Death Experiences” − NDE’s.
O número das pessoas que já referiram ter vivido tais experiências – por todo o mundo – conta-se por muitos milhões, em rápida expansão. Muitos dos depoimentos que chegam agora ao nosso conhecimento derivam de fenómenos decorridos há dezenas de anos, visto que estão a ser vencidos os preconceitos e as inibições em falar abertamente sobre esse tema.
Um dos argumentos que confere especial credibilidade à solidez das suas perceções é o facto de serem todas essencialmente semelhantes umas às outras, seja qual for a língua, a cultura e a localização geográfica dos protagonistas.
Os meios internacionais de comunicação e um já larguíssimo número de instituições de pesquisa, a nível mundial, revelam que esses factos são a porta aberta para uma nova visão da vida e da sua continuação para além da morte, apesar de não serem nem novos nem recentes, havendo relatos de tais acontecimentos há já muitos séculos, originários de praticamente todas as grandes culturas.
O despertar do nosso interesse por esses fenómenos data de há mais de vinte anos, e foi em 2013 que publicámos, na internet, uma análise das principais facetas dos depoimentos respetivos, conotando-os com os ensinamentos que nos foram deixados por Allan Kardec:
É favor consultar a página: https://palavraluz.com/2019/12/29/ndeeqmesp-2/

Esses fenómenos, no entanto, são muito antigos…

Afirmámos acima a perenidade no tempo das “Experiências de Quase-Morte”, sendo muito conhecido “O mito de Er”, um dos exemplos mais remotos que se podem referir, contado por Platão no Livro X de “A República”.
Trazendo essas referências para mais perto de nós referimos seguidamente temas da autoria de Kardec que mencionam a ocorrência desses factos, que não tinham ainda adquirido as modernas designações e siglas respetivas.
O primeiro caso foi publicado em 1858, no ano inaugural da Revista Espírita, no mês de Setembro: “Conversas familiares de Além-Túmulo”, em que o fenómeno narrado na América acerca duma Senhora Schwabenhaus foi designado por Allan Kardec como um episódio de “letargia estática”.
Outro exemplo pode ler-se em “O Céu e o Inferno”, Segunda Parte – Exemplos; Capítulo III – Espíritos em condição mediana; Senhor Cardon, Médico; e que também foi publicado na “Revue Spirite” de Agosto de 1863/Conversas familiares de Além-Túmulo; Monsieur Cardon, médico, morto em Setembro de 1862.
Sugerimos a leitura destes dois casos, que não transcrevemos aqui devido à sua extensão. Sobre o Mito de Er é muito fácil encontrar referências concretas disponíveis nas Enciclopédias da Internet.

A grande obra de Allan Kardec, vítima de maus continuadores

Hipólito Leão Denisard Rivail foi um cidadão francês do século XIX, especialmente notável pela sua capacidade de organização intelectual, embora não pertencesse às camadas socialmente privilegiadas dessa época, o que lhe granjeou um perfil cívico e intelectual especialmente notável.
Tendo sido convidado por conhecidos e amigos, a sistematizar o resultado de certas pesquisas mediúnicas que tinham levado a cabo, acabou por aceitar, embora se tivesse declarado à partida muito cético relativamente a toda a matéria que lhe foi proposta.
Foi penetrando no estudo do tema até se ter convencido – pela evidência natural e óbvia dos fenómenos apresentados para estudo – de que era matéria muito importante e merecedora da sua total dedicação.
Nos últimos onze anos da sua vida entregou-se generosamente a essa tarefa tendo deixado atrás de si um importantíssimo património de estudos e observações que constitui o que conhecemos como “espiritismo”.
Não é de estranhar que, após o momento em que faleceu, repentinamente e, pode dizer-se, por exaustão, o escasso número de apoiantes dedicados e coerentes não teve a capacidade de manter ativa e segura a instituição que ele tinha estruturado, e dar continuidade ao trabalho de defesa e promoção das ideias espíritas.
Esse fenómeno acontece, quase por via de regra, com todos os movimentos de transformação profunda da sociedade, sendo todas as alterações positivas combatidas e desvalorizadas pelos seus detratores. Com o espiritismo também isso aconteceu, e foi Pierre-Gaëtan Leymarie que tomou conta dos destinos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e operou uma enorme quantidade de oportunismos deformadores das ideias que inspiravam Kardec.
Todas essas modificações abusivas, de desvalorização cultural e científica do espiritismo, conduziram ao seu desprestígio e quase esvaziamento, em França.
Tendo sido levado para o Brasil, por intelectuais muito sérios e bem informados, foi institucionalmente condenado, logo de início, à sua desfiguração, pela adoção de alguns princípios antagónicos das ideias promovidas por Allan Kardec.
Esse foi um dos problemas que apoquentou muitíssimo o desenvolvimento e a unidade dos grupos de interessados no espiritismo, sendo legítimo e da maior utilidade não manter ignorado esse problema pelas suas nefastas consequências, cuja origem e desenvolvimentos são bem conhecidos em Portugal e no Brasil.
Felizmente, 160 anos depois, está em marcha, no Brasil, um vigoroso movimento de recuperação da autenticidade espírita. Várias equipas de trabalho, de pessoas bem qualificadas para o efeito, têm em mãos documentos da época, incluindo grande número de escritos originais redigidos por Allan Kardec, até aqui inteiramente desconhecidos. Essas equipas estão a trabalhar para dar acesso, na sua totalidade, à verdadeira versão do espiritismo proposta por Allan Kardec.

Sugestões para a leitura de  “O Livro dos Médiuns”

Também aqui vamos referir algumas ideias que inserimos no prefácio dos tradutores de “O Livro dos Espíritos”.
“…Para quem começa, este não é um livro para ler de empreitada, como uma peregrinação e, muito menos, como uma penitência. Alguns conselhos que aqui registamos aumentarão a recetividade de muitos leitores, dando-lhes a exata noção do que vão encontrar pela frente…”
“…O leitor deve ter a liberdade de procurar inicialmente no livro o que mais lhe interessar, lendo por aqui e por ali os temas mais apetecíveis. Poderá, para esse efeito, consultar primeiramente o Índice.
Leia e releia com atenção o que achar mais válido e interessante.…”

Estas sugestões de leitura têm o propósito de não vincular o leitor a uma leitura demorada de uma obra que não foi redigida de acordo com as modernas técnicas de comunicação e na qual, o seu autor, se dirige a sectores de opinião enfronhados na cultura dessa época, hoje em dia completamente ultrapassada.

Traduzir é escrever tudo de novo, amar como quem dá à luz

Temos lido Kardec com a máxima atenção, usando o conhecimento da língua francesa que, no tempo da nossa juventude, era a segunda língua mais estudada, por ser, como o português, de origem latina, e por ser oriunda de um país de vasta cultura, de onde nos veio – sem ser por acaso – a grande cultura espírita.
Entregámo-nos de início ao trabalho de tradução com o objetivo principal de desvendar com minúcia o significado de cada página, de cada frase, de cada expressão e de todas as palavras, uma a uma. Quando acabámos a tradução do primeiro livro – “O Livro dos Espíritos” – não tínhamos a mínima ideia de podermos um dia tê-lo na nossa mão, impresso em papel como qualquer outro livro.
Serve isto para dizer que, para nós, o principal objetivo–ler o livro com atenção de minúcia e pleno entendimento– estava plenamente alcançado.
Quanto à tradução que foi feita, deu-nos coragem para continuar traduzindo Kardec, maneira excelente de o ler com a máxima penetração que nos é possível.
Após a tradução da primeira obra, já aspiramos ver completa a conclusão dos seus principais cinco livros.
Se Deus nos der vida e saúde, gostaríamos ainda de fazer uma tradução antológica de textos da Revista Espírita, que temos amplamente explorado, visto que é fundamental para instalar devidamente a noção completa do espiritismo edificado pelo nosso grande e íntimo amigo Hipólito Leão, generosamente ajudado pelos Espíritos superiores.
Sonhar é fácil e ninguém pode levar-nos a mal que sonhemos.
Porque também temos filhos e netos, esse é apenas um dos nossos principais desejos!…
E que Deus nos ajude a todos.

 

Para descarregar um ficheiro PDF com a obra indicada, é favor clicar no título abaixo:

Tradução em português de “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

 

Nova edição revista da tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, edição livre e aberta para todos

Informamos todos os estimados visitantes que este blogue está em processo de modificação. Vai demorar um pouco até que apresente a sua nova verdadeira face.
Queiram ir visitando palavraluz.com e espiritismocultura.com e, de modo a receberem uma mensagem por cada publicação feita, façam o favor de se inscreverem como “seguidores” (em cima à direita). Pedir que façam a sua divulgação junto dos Vossos amigos seria, para nós, um valioso estímulo.
Felicidades a todos

 


Em edição aberta e livre para todo o mundo de língua portuguesa...

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TERCEIRA EDIÇÃO REVISTA

FICHEIRO PDF PROVISÓRIO DA OBRA COMPLETA, DISPONÍVEL AO FUNDO DESTA NOTÍCIA

Esta é a nova edição da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos” directamente do francês para português de Portugal, com duas notas de apresentação de grandes amigos nossos e distintos espíritas, JOÃO XAVIER DE ALMEIDA e JOÃO DONHA, ambos notáveis conhecedores da nobre língua portuguesa, um português, outro brasileiro.
A nossa tradução tem o intuito de ajudar a criar uma nova geração de leitores de “O Livro dos Espíritos”, sobretudo junto de pessoas não espíritas , mas que também poderá, com proveito, ser lido por pessoas já conhecedoras do tema.
Inclui um prefácio dos tradutores, dirigido a essas pessoas e um nutrido grupo de Notas finais acerca das diferenças de cultura, de sensibilidade e de terminologias entre o que era antes e o que é hoje, relativamente ao tempo em que a obra foi organizada por ALLAN KARDEC, em meados do século XIX..

O trabalho geral de revisão do livro traduzido foram movidos pelos seguintes propósitos:

Primeiro
Aproximação mais acentuada do francês praticado pelo autor da obra ao português falado nos nossos dias, com critérios de ordem gramatical e lexical coerentes com o espírito da cultura respectiva.
Segundo
Sendo “O Livro dos Espíritos” a obra basilar da cultura espírita, o leitor terá um acesso mais fácil e penetrará mais fundo na restante obra de Allan Kardec.
Terceiro
A vontade de abertura sinalizada no prefácio de autores e o franco desejo de debate de ideias sugerido nas Notas finais do Livro sugerem o recentramento da obra de Allan Kardec no estudo fundamental da cultura espírita.

De João Xavier de Almeida:
recebemos a mensagem de um prestigiado e histórico dinamizador e organizador da cultura espírita em Portugal.
Do seu valioso prefácio colhemos o seguinte momento, que convida todos os leitores à leitura completa do texto:

Jamais nos demitamos do dever de gratidão ao Brasil, pelas diversas traduções (totalizando, todas, muitos milhões de exemplares editados) que facultaram ao leitor português a obra colossal de Allan Kardec; convenhamos porém: a tradução que ora ouso prefaciar supre finalmente uma nada lisonjeira omissão editorial lusitana, tão longa e desconfortável aos nossos brios.
Dizer grandiosa e transcendente a obra traduzida, O Livro dos Espíritos, nada tem de exagero. Ela integra um pentateuco hodierno de que é o volume basilar, e configura um relevante marco civilizacional judaico-cristão de cultura universal. Sagra-se como a terceira dum ciclo de grandes revelações, iniciado com Moisés e aperfeiçoado por Cristo. Mas… revelação agora em estilo direto, lógico, assertivo, coerente com a profundeza latente das duas precedentes; uma revelação já não necessitada de alegorias e formalismos requeridos outro ra pelo verdor evolutivo do Homem. Enfim, uma revelação sobre factos e leis naturais sistematizados com inatacável metodologia científica. Consistente, elucidativa, ela emerge vigorosa duma época onde o racionalismo, inebriado pela emancipação da opressiva tutela eclesiástica, derrapava no materialismo presunçoso que decretou “a morte de Deus” e entronizou a Deusa Razão.

De João Donha,

da cidade de Curitiba, no Brasil recebemos o favor fundamental de um testemunho de leitura; palavras de acolhimento e abertura de horizontes, para inspirarem à leitura mais proveitosa deste Livro, que nos oferece:
“…o novo paradigma do Espírito, da imortalidade, da responsabilidade individual pelos próprios atos, e da multiplicação ao infinito das oportunidades de correção e progresso…”

alguns parágrafos de João Donha:

1
…o paradigma teocrático… gerava um Estado teocrático, sustentado por uma poderosa instituição sacerdotal, com sua hierarquia sólida, seus ritos mágicos e sua capacidade de sugestão controlando as massas. O comportamento era subordinado à suposta vontade divina e, a adoração aos seus desejos. E, muito sangue foi derramado pelas religiões em nome da Divindade.

2
…o paradigma humanista, onde a ênfase é retirada da Divindade e passa a ser dada ao Homem, suas necessidades, seus direitos, suas aspirações e suas destinações. E, novamente, muito sangue foi derramado pelas revoluções em nome da Humanidade.

3
…um novo paradigma, onde a ênfase que já foi exclusiva da Divindade e, depois do Homem, transcende o imediato e passa a ser dada ao Espírito, ou seja, à nossa individualidade que sobrevive à extinção do corpo físico.

Este é o novo paradigma que o presente livro e as obras subsequentes que o completam está construindo. O Paradigma do Espírito, da imortalidade, da responsabilidade individual pelos próprios atos e, da multiplicação ao infinito das oportunidades de correção e progresso

NOTA:
o ficheiro aqui disponibilizado foi tratado por amadores desinteressados de quaisquer direitos autorais ou de afirmação pessoal, completamente INDEPENDENTES DE QUALQUER ORGANIZAÇÃO IDEOLÓGICA, RELIGIOSA OU POLÍTICA.
Poderá pois, de momento, incluir algumas falhas de formatação de que pedimos desculpa e que irão sendo rectificadas.

Tradução em português de “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”  3ª edição

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Cercle Spirite ALLAN KARDEC – Nancy / França

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Há já muitos anos que visitamos o site do Cercle Spirite Allan Kardec, que conhecemos os seus principais expoentes e a sua extraordinária tarefa em favor da cultura espírita.
Lemos livros que estão publicitados na sua livraria, muitos textos publicados na internet, nos diversos sites que tem em França e no seu forum e sobretudo, temos tido a possibilidade de acompanhar a imensa riqueza que vem sendo publicada há vários anos no seu Journal Spirite.
É costume ouvir dizer que o espiritismo decaiu em França desde o falecimento de Allan Kardec, sendo de lamentar o facto que tenham sido exatamente os seus compatriotas que deixaram esquecer o seu precioso património de conhecimentos e de ideias.
No que nos diz respeito, consideramos que em França – sem desprimor para outras entidades igualmente ativas na divulgação e no estudo do espiritismo – o profundo conhecimento dessa cultura e dessa atitude do intelecto e do conhecimento humanos estão magnificamente representados pelo Cercle Spirite Allan Kardec.
O que se passa é que em França, como em muitos outros países, determinantes insondáveis relacionadas com o próprio desenvolvimento das pessoas, muitos fatores se têm conjugado para que a Humanidade permaneça distante do interesse ativo e esclarecido de fenómenos que nos determinam de forma transcendentemente complexa.
A atenção, apreciação e o estudo de todo o imenso saber e de toda a dinâmica de intervenção cultural que caracterizam o Cercle Spirite Allan Kardec pode abrir, a todos nós, uma nova e extraordinária perspetiva da vida e do mundo, isto é, da magnífica transcendência da natureza, da origem e do destino de toda a criação.

Teríamos muitíssimo gosto em poder apresentar todo este manancial traduzido em português. De todo o trabalho que aqui temos apresentado constam trabalhos importantes, originalmente escritos noutras línguas estrangeiras. Mas essa tarefa, pela sua extensão, ser-nos-ia impossível de realizar. Confiamos mesmo assim que o francês, por ser uma língua que nos é muito próxima pelas suas origens e pelo seu desenvolvimento cultural, seja do conhecimento de um vasto número dos nossos visitantes de língua portuguesa.

Le Cercle Spirite Allan Kardec

http://www.spiritisme.com/

A la rencontre des esprits

Les premières séances spirites qui furent à l’origine du cercle remontent à 1974. L’association fut créée en 1977 à Nancy sous l’appellation « Cercle Spirite Allan Kardec ». Elle s’est donnée pour buts, d’une part, de poursuivre les expériences de communications avec les esprits, et d’autre part, de promouvoir une large diffusion de la pensée spirite.

Après plusieurs décennies de dérives religieuses, ésotériques et commerciales du spiritisme en France, le cercle assure un renouveau, dans le sens philosophique et non religieux d’une actualisation indispensable face aux avancées de la science et aux transformations de la société.

Un cercle spirite est une structure appropriée dans laquelle les médiums peuvent exercer et développer leurs facultés en toute sérénité, en évitant les écueils et les dangers inhérents à une pratique empirique et hasardeuse. La communication avec l’au-delà fait intervenir plusieurs types de médiumnités qui sont pratiquées dans notre cercle : l’incorporation, l’écriture automatique, les médiumnités artistiques (peinture, sculpture, musique), le oui ja et le sommeil magnétique.

Sont développées d’autres facultés, non médiumniques comme la clairvoyance, la psychométrie, la psychokinèse, la radiesthésie, l’hypnose et le magnétisme.

Le cercle compte plus de 50 magnétiseurs ; certains d’entre eux sont responsables des cellules de soins magnétiques ouvertes au public, dans les villes où le cercle est représenté : Nancy, Paris, Besançon, Belfort, Montpellier, Toulouse et Lyon. L’association compte des adhérents à part entière, des membres sympathisants et des abonnés à la revue trimestrielle Le Journal Spirite.

Le Cercle Spirite Allan Kardec s’inscrit dans la continuité évolutive du mouvement spirite, fondé par Allan Kardec en 1858, représenté ensuite par Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, Gustave Geley et autres précurseurs en France et dans le monde. Le mouvement s’était considérablement affaibli en France depuis 1930. Il retrouve depuis plusieurs années un nouvel élan, grâce à une diffusion grandissante par le moyen de conférences, forums, parutions de livres, déploiement du Journal Spirite et actions diverses.

 

Le Journal Spirite

Créé en 1989, Le Journal Spirite est l’organe de presse et de diffusion de l’association Cercle Spirite Allan Kardec. Sa parution est trimestrielle et les différents rédacteurs sont des spirites appartenant à l’association. Cette revue aborde les thèmes attenant au spiritisme dans tous ses aspects, historiques, philosophiques et expérimentaux. Sont abordés également tous les sujets qui relèvent du paranormal, comme les NDE, les manifestations OVNI, les guérisons, la télépathie, la force de la pensée, le magnétisme, la radiesthésie, l’hypnose, etc.
L’enseignement spirite trouve également des applications dans tous les domaines de la connaissance et de la morale, c’est ainsi que dans cette revue, tous les sujets de société ont leur place, considérés et réfléchis à la lumière de la réincarnation et de l’éternité de l’esprit.

Le Journal Spirite peut être commandé sur ce site, à l’unité ou sous la forme d’un abonnement à la rubrique « Publications ». Il est également proposé en version PDF.
Les différents numéros du Journal Spirite sont pratiquement intemporels, de par leur contenu qui n’est pas seulement lié à l’information d’un moment, et de ce fait, peuvent être choisis en fonction des thèmes abordés et non pas nécessairement en fonction de l’actualité du dernier numéro.
Depuis plusieurs années, chaque revue fait l’objet d’un dossier thématique : La réincarnation, les fantômes, la médiumnité, les NDE, spiritisme et religion, spiritisme et science, spiritisme et médecine, la pluralité des mondes, le passage, etc. Se trouvent également dans cette revue des rubriques diverses : Soins et thérapies spirites (analyse des résultats : améliorations de santé ou guérisons), des compte rendus de diverses séances et des témoignages de spirites. Cher lectrice, cher lecteur, vous pourrez ainsi choisir d’anciennes revues en fonction d’un thème principal qui vous intéressera plus particulièrement.

Une presse spécialisée comme celle-ci a besoin de soutien. Nous comptons sur vous pour la faire connaître et la promouvoir dans votre entourage.

Vous trouverez ci-dessous des extraits d’articles parus dans Le Journal Spirite, et qui illustrent les grandes orientations du mouvement spirite tel qu’il est compris et actualisé au sein du Cercle Spirite Allan Kardec.

On pourra en outre consulter le forum de ce site qui apporte de nombreuses réponses, et pour une information plus complète sur différents sujets, se procurer la revue, à l’unité ou par abonnement à partir de la rubrique « Publications » de ce même site .

Extraits

La Réincarnation
Les différentes croyances

Depuis les temps les plus reculés, l’idée de réincarnation a toujours fait partie des traditions antiques que ce soit sous la forme d’une croyance religieuse ou bien d’une conception philosophique plus élaborée.
Toutes les doctrines religieuses, sans exception, comportent, dans leurs principes d’origine, l’idée de réincarnation, idée qui ne s’est pas toujours perpétuée et qui fut abandonnée, par exemple, chez les Hébreux, les Chrétiens et les Musulmans.
La conception spirite de la réincarnation qui se suffit à elle-même, dans une définition logique, n’a pas la nécessité de s’appuyer sur d’anciennes traditions, mais il est cependant intéressant de constater qu’en différents points du globe, l’idée des vies successives fut intégrée à toutes les traditions spiritualistes.
Même si l’idée fut abandonnée à partir du Haut Moyen Age dans la plupart des religions monothéistes, il n’en demeure pas moins que toute religion révélée comporte à l’origine le principe des vies successives. (…)
Thèmes développés dans la suite de l’article : Les traditions orientales, la Grèce antique, le druidisme… Le Journal Spirite n°42

Le principe de Réincarnation

La pulsion créatrice

Tous les esprits ont une origine que nous nommerons Dieu, par facilité de langage, sachant qu’il nous est impossible d’appréhender la notion de divin, sachant aussi, que toute tentative de définition de Dieu est toujours réductrice à vouloir rendre intelligible un concept qui dépasse la compréhension humaine.
Toutefois, nous pouvons avancer quelques notions générales qui n’enferment pas Dieu dans des limites. Nous pouvons simplement dire, avec la pauvreté de notre langage, que Dieu est une force infinie, une force d’amour incommensurable, à l’origine de toute chose et de toute vie, donc une force créatrice qui est une pulsion vitale.
Cette pulsion vitale est la source créatrice à l’origine de chaque esprit individualisé. Chacun d’entre nous a connu un point de départ ; ce point zéro correspond à la pulsion divine qui nous a créés simples et ignorants, esprits individualisés à l’état brut, à l’état le plus primitif qui soit.
A l’état originel, cet esprit nouvellement créé devient à lui seul une force vitale, qui par nature, par instinct, va éprouver la nécessité naturelle de s’incarner pour se développer dans un univers de matière. (…)
Thèmes développés dans la suite de l’article : des lois naturelles, les premières incarnations, la loi d’évolution, le point oméga, le rôle du périsprit, le processus vital, de l’inconscient au conscient.
Le Journal Spirite n°42

Les preuves de la réincarnation

(…) A partir de la communication spirite, nous pouvons donc déduire que la réincarnation est mise en évidence sur le plan intellectuel selon une démarche philosophique.
(…) Nous avons l’avantage de pouvoir utiliser des témoignages divers qui apportent des preuves objectives, des preuves qui viennent renforcer et confirmer l’enseignement théorique. (…) Différents moyens ont permis la mise en évidence des vies successives. Certains de ces moyens sont spécifiquement spirites, d’autres consistent à utiliser des témoignages qui ne font pas intervenir le contact avec les esprits. (…)
Thèmes développés dans la suite de l’article : révélation spirite de vies antérieures, revivre son passé sous hypnose, souvenir de l’antériorité à l’état conscient et taches de naissance (enquêtes de Ian Stevenson)
Le Journal Spirite n°42

Spiritisme et Religions

Le spiritisme n’est pas une religion

(…) En toute religion, il y a le concept de croyance à partir de textes anciens qui n’ont pas toujours une grande valeur historique.
En cela la croyance religieuse s’appuie souvent sur le mythe ou la légende.
En spiritisme, on ne retient plus que les faits, qui passés au crible de la raison, ont permis de déterminer certains principes qui s’enchaînent et s’imbriquent dans une cohérence, ce à partir de quoi naissait la philosophie spirite, élaborée par Allan Kardec et étayée par des faits expérimentaux.
La connaissance supplantait alors la croyance. La divinité n’était plus le Dieu vengeur d’une religion, mais une force originelle dont on pouvait deviner les desseins.
L’au-delà n’était plus un lieu mythologique de félicité ou de damnation. Les anges et les démons, passaient de la réalité au symbole, devenant des esprits plus ou moins évolués. Les miracles devenaient des faits médiumniques, attestant de la manifestation des esprits.
Jésus n’était plus l’incarnation de Dieu, mais celle d’un esprit supérieur et en même temps médium. La réincarnation devenait un principe universel d’évolution intellectuelle et morale, dans la pluralité des mondes habités.
L’expérience spirite est devenue le support concret de la foi, une foi raisonnée et comprise qui ne fait plus appel au sens du mystère, mais à un enchaînement de principes qui ne contredisent plus les lois de la nature.
Toute religion est à un moment donné en contradiction avec les lois de la nature.
Le spiritisme ne l’est plus, c’est aussi en cela qu’il échappe à la définition religieuse au profit d’une définition philosophique étayée par des faits scientifiquement analysables. (…) Le Journal Spirite n°64

Au Vatican, une nouvelle approche…

En 1996, l’Eglise, pour la première fois, reconnaissait la possibilité des contacts avec l’au-delà, par la voix du Père Gino Concetti.
Ce frère de l’ordre des Franciscains Mineurs, est un des théologiens les plus compétents du Vatican et commentateur de l’Osservatore Romano, le quotidien officiel du Saint-Siège.
Le dialogue avec les défunts n’est plus un péché si toutefois cela se pratique sous « l’inspiration de la foi ». Ce qui fut en d’autres temps considéré comme manifestation subtile d’inspiration diabolique prend une tournure bien différente selon le théologien :
«Dieu permet à nos chers défunts qui vivent dans la dimension ultra terrestre d’envoyer des messages pour nous guider en certains moments de notre vie. A la suite des nouvelles découvertes dans le domaine de la psychologie sur le paranormal, l’Eglise a décidé de ne plus interdire les expériences de dialogue avec les trépassés, à condition qu’elles soient menées avec une sérieuse finalité religieuse et scientifique».

Les principes du catholicisme ne sont certes pas oubliés, mais la conception de la vie future s’est quelque peu infléchie. Notons que dans le passage qui suit, l’enfer et le jugement dernier ne sont plus évoqués :
«Tout part de la constatation que l’Eglise est un unique organisme dont Jésus-Christ est le chef. Cet organisme est composé des vivants. C’est à dire aussi bien du peuple des fidèles sur la terre que des trépassés, qu’ils soient les bienheureux et les saints qui sont dans la paix de l’esprit au Paradis, que des âmes qui doivent expier leurs péchés au Purgatoire. Ces trois dimensions non seulement sont unies à Jésus, mais dans le concept de la « communion des saints », sont unis ensemble. Ce qui signifie qu’une communication est possible.»
Selon la doctrine catholique ainsi revue et corrigée : «Les messages peuvent nous parvenir non pas à travers les paroles et les sons, c’est à dire avec les moyens normaux des êtres humains, mais à travers des signes divers : par exemple par les songes, qui parfois sont prémonitoires, ou à travers des impulsions spirituelles qui pénètrent dans notre esprit, impulsions qui peuvent se transformer en visions et en concepts.»
A la question : tout le monde peut il avoir ces perceptions ? Le Père Concetti répond : «Ceux qui captent le plus souvent ces phénomènes sont les personnes sensitives c’est-à-dire les personnes qui ont une sensibilité supérieure à l’égard de ces signes ultra terrestres. Je veux parler des clairvoyants et des médiums. Mais les personnes normales peuvent avoir certaines perceptions extraordinaires, un signe étrange, une illumination soudaine. A la différence des personnes sensitives, elles peuvent rarement parvenir à interpréter ce qui se passe en elles et à intérieur d’elles-mêmes.»
Le théologien pose ensuite quelques gardes fous :
«L’Eglise permet de s’adresser à ces personnes particulières, mais avec une grande prudence et à certaines conditions. Les sensitifs auxquels, on peut demander assistance doivent être des personnes qui mènent leurs expériences, même avec des techniques modernes, en s’inspirant de la foi. Si ces derniers sont des prêtres, c’est encore mieux. L’Eglise interdit tous les contacts des fidèles avec ceux qui communiquent avec l’au-delà en pratiquant l’idolâtrie, l’évocation des morts, la nécromancie, la superstition et l’ésotérisme. Toutes les pratiques occultes qui incitent à la négation de Dieu et des Sacrements ».
Concernant les motivations des fidèles à entreprendre un dialogue avec les trépassés : «Il est nécessaire de ne s’approcher du dialogue avec les défunts que dans des situations de grande nécessité. Quelqu’un qui a perdu dans des circonstances tragiques son père ou sa mère ou son enfant ou bien son mari et ne se résigne pas à l’idée de la disparition. Avoir un contact avec l’âme du cher défunt peut déranger un esprit bouleversé par le drame. On peut s’adresser aux défunts si l’on a besoin de résoudre un grave problème de vie. Nos ancêtres, en général, nous aident et ne nous envoient jamais de messages qui portent atteinte ni à nous-mêmes ni à Dieu».
Le Père Concetti conclut :
«Il ne faut pas jouer avec les âmes des trépassés. Il ne faut pas les évoquer pour des motifs futiles pour obtenir par exemple un numéro du Loto. Il convient aussi d’avoir un grand discernement à l’égard des signes de l’au-delà et de ne pas trop les empathiser. On risquerait de tomber dans la crédulité excessive la plus suspecte. Avant tout, il ne faut pas aborder le phénomène de la médiumnité sans la force de la foi. On risquerait de perdre son équilibre psychique et de sombrer tout à fait dans la possession démoniaque.»
Nous avons là un infléchissement de la doctrine officielle de l’Eglise qui s’accorde avec l’air du temps. En témoigne également l’intérêt de prêtres pour le paranormal, ce que nous avons notamment constaté avec le père Biondi et ensuite avec le père François Brune. Cette évolution n’est certes pas une révolution, car on se garde bien de toucher aux dogmes et aux grands principes. Par exemple, le père Concetti, également interrogé sur l’homosexualité, garde une attitude de rejet, partant du principe que ce serait une défaillance supplémentaire concernant l’éducation des enfants déjà bien mise à mal dans nos sociétés modernes.
Nous sommes évidemment bien loin des grands principes du spiritisme (réincarnation), ce qui au demeurant est bien normal. Mais au moins, cette avancée officielle élimine l’ancien argument selon lequel toute communication ne pouvait être que le résultat d’une empreinte diabolique. (…) Le Journal Spirite n°64

Fantômes

Philippe témoigne

C’était une dizaine de mois après la mort de mon père, il est environ 18 heures et, installé au volant de ma voiture, je m’apprête à emprunter la route d’un village menant à mon domicile. Ce village a la particularité d’être en côte très abrupte et la rue assez étroite exige de la prudence et une vitesse limitée. Je jette machinalement un coup d’œil à mon rétroviseur intérieur quand soudain mon sang se glace et mon cœur se met à battre la chamade : mon père est là, assis sur la banquette arrière. Un réflexe immédiat et naturel me fait me retourner violemment : les sièges arrière sont déserts. Du même coup, ce geste me fait faire une embardée qui manque de me projeter contre un plot métallique du bord de la rue. Ayant rétabli la situation, mon regard se porte à nouveau sur le rétroviseur et j’y vois toujours mon père. Il est serein et me sourit. Ma première frayeur s’évanouit et j’essaie de profiter pleinement de cette vision tellement réelle. Il est vraiment là à me regarder, j’en sentirais presque son odeur et une foule de souvenirs arrivent en bouffées bienfaisantes. Il paraît si bienveillant à mon égard, la chaleur de son amour étreint tout mon être. Je ressens un bonheur immense m’envahir, je lui parle sans ouvrir la bouche, juste par l’esprit et il me répond que tout va bien pour lui. (…)
Le Journal Spirite n°70

Témoignage de Jean-Pierre.

Le matin de l’enterrement de ma mère, je me suis rendu à l’église, accompagné de ma grand-mère, afin de me recueillir en toute intimité. Placés à quelques mètres du cercueil, nous étions tous les deux silencieux, plongés dans nos pensées remplies de tristesse. A un moment, j’ai levé la tête puis j’ai regardé ce cercueil qui ne m’apportait que douleur et morosité. Soudain, j’ai vu ma mère debout à coté du cercueil. Elle était habillée comme je l’avais vue sur son lit après son décès. Elle portait sa robe jaune et grise que je connaissais depuis fort longtemps. Son visage était resplendissant, les marques de la souffrance n’étaient plus là, elle revivait. Puis elle m’a souri et a levé son bras. Elle m’a dit au revoir d’un signe de la main, avant de disparaître. (…)
Le Journal Spirite n°70

L’ectoplasme

Les représentations de la substance

La substance se constitue en représentations diverses, généralement des représentations d’organes plus ou moins complètes et parfaites, par exemple un doigt pendant au milieu de franges de substance. (…) Des matérialisations sont progressives et commencent par une ébauche, tandis que les formations plus complètes n’arrivent que plus tard. C’est dans l’intérieur de la pâte gélatineuse, sortie du médium, que des figures, des doigts se forment peu à peu. (…) Les dimensions sont quelquefois plus petites que nature, de véritables miniatures. La matérialisation peut présenter des lacunes. De face, la matérialisation est complète mais le dos reste à l’état d’amas de substance amorphe. (…) On sait que différents observateurs, Crookes et Richet entre autres, ont décrit des matérialisations complètes. Il s’agissait, non pas de fantômes dans le sens propre du mot, mais d’êtres ayant momentanément toutes les particularités vitales d’êtres vivants, dont le cœur battait, le poumon respirait et dont l’apparence corporelle était parfaite. Dans les cas les plus remarquables, l’organe matérialisé a toutes les apparences et les propriétés biologiques d’un organe vivant. Il y eut des doigts admirablement modelés, avec leurs ongles ; il y eut des mains complètes, avec os et articulations, il y eut un crâne vivant dont on pouvait palper les os, sous une épaisse chevelure. Il y eut des visages bien formés, des visages vivants, des visages humains. En même temps que la matérialisation d’un corps humain, il y eut comme les expériences l’établissent, matérialisations d’objets, vêtements, tissus, étoffes. Une main s’est matérialisée avec une bague. (…)
Suite de l’article : formes vaporeuses, liquides ou solides de l’ectoplasme, couleur, visibilité, composition.
Le Journal Spirite n°65

Médiumnités dans le Cercle Allan Kardec

(…) Puisque nous avions alors la possibilité d’être informés par les esprits des facultés réelles des uns et des autres au travers d’un bon médium, nous avons retenu cette bonne formule, nous fiant aux conseils donnés par l’au-delà pour la réalisation de telle ou telle faculté indiquée. (…)
Le maître mot en médiumnité, c’est le «développement». On ne devient pas un bon médium du jour au lendemain car la sensibilité potentielle doit s’affiner avec le temps et l’expérience. Certains médiums ont une faculté qui s’affine très vite, d’autres ont besoin d’une progression beaucoup plus lente, parce qu’il existe des disparités dans les prédispositions qui sont inégales selon les personnes. Quoi qu’il en soit, chaque médiumnité révélée, si elle est sérieusement travaillée en respectant toutes les règles de prudence et d’analyse, ne peut que réussir, à la condition également que la personne concernée se donne une certaine rigueur et accepte les conseils spirituels ou humains, pour ne pas s’égarer dans des extrapolations hasardeuses. Il est souvent arrivé que des personnes échouent dans ce développement pour cause de peur, d’orgueil, de manque de volonté ou de manque d’équilibre psychologique. (…)
Le Journal Spirite n°45

Le Rêve

Le rêve et le songe

Au-delà des définitions psychanalytiques freudiennes et autres, les conceptions spirites permettent d’élargir considérablement toutes les données de la psychologie classique.
L’esprit véhiculé par le périsprit se dissocie du corps physique au moment de la mort, c’est le principe premier à partir duquel la communication spirite existe. Mais ce principe ne s’applique pas seulement au phénomène de la mort, il fut aussi observé à l’occasion d’expériences de dédoublement à l’état de veille, dédoublement qui s’opère également lors des phases du sommeil profond.
A plusieurs reprises au cours d’une nuit, l’esprit se libère de son entrave corporelle pour une durée totale qui n’excède pas deux heures, correspondant aux phases du sommeil paradoxal. Un lien fluidique permet au corps de conserver sa vitalité.
L’esprit momentanément délivré de ses chairs, rejoint sa véritable nature. Il peut se véhiculer dans l’autre dimension et entrer en contact avec le monde des esprits. Le dégagement nocturne est donc un état de perception de l’autre monde, qui permet la rencontre avec le guide et avec d’autres esprits qui prodiguent leurs conseils. Ces rencontres, la plupart du temps, ne laissent pas de souvenirs au réveil. Cependant, des traces inconscientes pourront ressurgir sous forme d’intuitions ou d’impressions au cours de la journée qui suit. (…) Le Journal Spirite n° 64 / 76

Psychométrie

(…) Voici une clairvoyance sur objet (ou psychométrie) réalisée en aveugle sur un fragment de pierre :
« Je vois un mur, je vois un jeune homme, il est accroupi, il se dissimule. Je vois des miradors, il y a des projecteurs qui éclairent le mur. Le garçon a des cheveux longs châtains. Il est habillé d’un jean et d’un pull très long, on dirait un baba. Il lui reste une cinquantaine de mètres avant d’atteindre le mur. J’aperçois des hommes dans les tourelles, un qui tourne le projecteur, l’autre avec des jumelles. Le jeune homme a un sac plastique dans la main. Je le vois courir, il atteint le mur. Il est venu pour faire un graffiti. Il prend beaucoup de risques, c’est dangereux. Il est en train de dessiner deux personnages. On dirait un soldat américain et un soldat russe en train de se serrer la main. Au-dessus des têtes, je vois une colombe toute blanche. C’est un pacifiste. Il repart, j’entends des coups de feu. Je le vois étendu, il est mort. Je vois Guntard Schmid, il avait 22 ans.
Maintenant, je vois des gens, beaucoup de gens. Ils crient, ils sont heureux, ils ont l’espoir. Je vois des pioches, des marteaux. Ils cassent, chacun repart avec un morceau. Il n’y a plus de gardes, c’est la liberté. C’était le mur de Berlin. »
A l’issue de la séance, la personne qui avait fourni la pierre nous confirma que ce fragment provenait bien du mur de Berlin. (…) Le Journal Spirite n°64

La Xénoglossie

Le cas Von Reuter

Dans les années 1920, M. Von Reuter et sa mère reçurent des messages en quinze langues diverses dont celles qu’ils ignoraient totalement : russe, magyar, norvégien, polonais, hollandais, lituanien, irlandais, persan, arabe et turc.
Mme Von Reuter opérait toujours les yeux bandés et elle écrivait souvent des langues ignorées en écriture invertie (en miroir), c’est-à-dire, que pour la lire, il fallait la réfléchir dans une glace. Il serait fastidieux de rapporter dans le détail les dialogues entre M. et Mme Von Reuter et leurs interlocuteurs s’exprimant en langues ignorées (se reporter pour plus de précisions à l’ouvrage de Bozzano). Il faut surtout retenir dans ce cas, l’extrême souplesse de deux médiums aptes à une xénoglossie médiumnique très diversifiée.
Pour les langues russe ou arabe qui ont un alphabet différent, les messages parvenaient sous forme phonétique et des linguistes furent sollicités pour apporter la traduction ou la confirmation. Souvent le message obtenu en langue indéchiffrable était dans la même séance traduit par un autre esprit, et après recherches, la traduction donnée en séance s’avérait à chaque fois rigoureusement exacte. Un message obtenu en lituanien phonétique fut déchiffré plus d’un an après réception par un professeur d’université. Les formes du langage et les tournures grammaticales correspondaient à la langue lituanienne usitée plus de cinquante ans auparavant. (…)
Article paru dans le Journal Spirite n° 78 et réalisé à partir des études d’Ernest Bozzano parues dans son ouvrage « La médiumnité polyglotte »

Le suicide

Causes du suicide

La souffrance et le désespoir, la solitude et l’incompréhension, l’échec et l’exclusion, le doute de soi et l’absence d’avenir, les excès de malheurs et d’épreuves, peuvent devenir à ce point insupportables que la seule issue paraît être la mort. (…) Extrait de message :
(…) Le suicide est un état de détresse maladive dont les causes sont souvent étrangères au sujet qui va commettre cet acte. Les principales causes du suicide sont les suivantes : le manque d’amour provenant essentiellement de la famille, des proches amis qui n’en sont pas ou qui n’en sont plus ; le dépérissement dans le travail, si le travail est avilissant, répétitif à rendre l’esprit esclave ; le sentiment d’inutilité dans une société inégalitaire qui ne reconnaît la valeur d’un homme qu’à sa réussite financière en traitant l’autre de «raté»: cet adjectif fait très mal et il tue ; le sentiment d’infériorité, marqué par la haine sociale et le refus des différences et en dernier lieu, le réveil soudain d’une vie antérieure déjà suicidaire pouvant entraîner une névrose obsessionnelle conduisant à l’acte. (…) L’homme a le devoir de vivre son incarnation, mais l’homme n’est rien dans l’abandon, dans le mépris et dans la solitude. La réponse au mal suicidaire est donc une réponse profondément amoureuse, elle doit provenir des individus, mais aussi des états, des sociétés qu’ils représentent et des lois qu’ils décident. Je veux imaginer avec vous une société d’amour qui ne pourra que retenir l’homme dans la responsabilité de sa vie physique et non pas le pousser vers la mort comme un outil encombrant devenu inutile. » (…)
Le Journal Spirite n°63

José Arigo, guérisseur brésilien

Nous avons souvent relaté les différents épisodes de la vie de José Arigo, décédé en 1971, et qui fut le meilleur exemple des médiums guérisseur pratiquant ce que l’on a appelé « chirurgie à mains nues » sous l’impulsion d’un esprit.

Les opérations

La médiumnité de José Arigo se manifeste essentiellement sous deux formes : l’incorporation de l’esprit du Dr Fritz et l’influence du Dr Fritz.
En incorporation, Arigo est totalement inconscient, c’est l’esprit qui opère avec une grande vivacité (on parle même d’une certaine brutalité apparente), à l’aide d’un canif, d’un couteau, de ciseaux ou d’un bistouri. En fait, en fonction des circonstances, l’esprit du Dr Fritz utilise ce qui lui tombe sous la main. Il s’exprime en allemand, ou en portugais avec un fort accent allemand. L’incorporation est ainsi décrite : « le médium est pris violemment, il se transforme en une autre personne, avec modification de la physionomie et de l’expression, du regard, des gestes, des déplacements et du langage ». C’est toujours le Dr Fritz qui s’incorpore, assisté d’autres esprits.
Les opérations ont lieu en pleine lumière, Arigo est en bras de chemises et parfois torse nu. Les observateurs ont eu toute possibilité d’examiner de près le déroulement des opérations. Le Dr Fritz incorporé a fréquemment discuté avec des médecins, il a même été interviewé par des journalistes allemands. (…) Le Journal Spirite n°63

Une convergence est-elle possible

Depuis la naissance du spiritisme, de nombreuses recherches ont été menées dans les différents domaines du paranormal. Depuis « Les maisons hantées » de Camille Flammarion jusqu’aux modernes recherches sur les NDE, nous bénéficions d’un patrimoine considérable d’études qui ont fait l’objet de parutions nombreuses et d’encyclopédies du paranormal. Il y a abondance d’expériences et d’observations, de faits et de théories, d’essais philosophiques qui mettent en lumière les capacités psychiques de l’esprit humain et les communications avec les désincarnés.

Le spiritisme des origines

La base essentielle est l’œuvre d’Allan Kardec, qui reste la référence fondamentale pour une bonne compréhension du contact avec l’au-delà et de ses conséquences philosophiques et morales. Aujourd’hui encore, le spiritisme se réfère à cette œuvre, partout dans le monde, dans une fidélité sans faille au fondateur, ce que l’on constate en particulier dans tous les groupes du Brésil et de l’ensemble de l’Amérique latine. Cette base essentielle fut complétée par les successeurs d’Allan Kardec, qu’il s’agisse des plus connus en Europe comme Gabriel Delanne, Léon Denis, Gustave Geley, Camille Flammarion, Ernest Bozzano, ou de moins connus pour nous, comme les latino-américains Manuel Porteiro, Herculano Pires, Cosme Marino, Humberto Mariotti, etc.
L’œuvre spirite, dans sa progression, a gardé son intégrité revenant sans cesse aux principes kardécistes fondamentaux qui, même s’ils sont réétudiés et affinés, ont conservé toute leur valeur au fil du temps.

La période métapsychique

Lorsque l’Institut Métapsychique International fut créé, en particulier à l’initiative de Jean Meyer et du Docteur Gustave Geley, il se donnait pour but de démontrer scientifiquement les productions médiumniques de l’ectoplasmie et des matérialisations. Ce tournant scientifique fut d’une grande qualité expérimentale mais n’a pas pour autant marqué durablement les mentalités. De nombreuses expériences, de par le monde, furent attestées auprès de médiums à effets physiques, en présence de scientifiques au dessus de tout soupçon. Elles se sont perpétuées jusqu’à la fin de la décennie 1920, laissant un patrimoine considérable de compte rendus, de procès verbaux et de photographies, sans oublier les essais théoriques ou philosophiques comme tous les ouvrages de Gabriel Delanne, le « Traité de métapsychique » de Charles Richet, « Animisme et spiritisme » d’Alexandre Aksakof, « Essai d’interprétation synthétique du spiritisme » et « De l’inconscient au conscient » de Gustave Geley. (…)

Thèmes développés dans la suite de l’article : les NDE, les recherches de Ian Stevenson sur les souvenirs antérieurs d’enfants, l’hypnose, les facultés psychiques (clairvoyance, radiesthésie, magnétisme, etc.), synthèse et convergence.
Le Journal Spirite n°66 – Editorial

 

Georges Aubert, médium pianiste

(…) C’est dans l’obscurité totale que George exécute son premier morceau avec une certaine appréhension «Tout à coup, je sentis mes mains s’engourdir. De plus en plus la sensation du clavier disparaissait sous mes doigts et je fus tout surpris d’entendre résonner avec force un magnifique accord car je ne sentais plus du tout les touches. Je me rendais compte que mes mains étaient anesthésiées, car mes bras remuaient en suivant la suite des notes, mais le tact manuel était aboli… Je sentais mon cerveau complètement libre et sans avoir aucune préoccupation de fausses notes, je m’abandonnais à l’influence de Méhul. Néanmoins cette sensation de jouer du piano, sans sentir le clavier et sans savoir ce qui se jouait sous mes doigts était plutôt étrange.» Or, chose surprenante depuis ce jour, la table des séances reste muette. Intrigué par ce silence, George s’installe au piano et immédiatement ses doigts frappent frénétiquement les touches. Le père comprend à cet instant que chaque note frappée va remplacer une réponse à l’alphabet épelé. Méhul annonce que la médiumnité à effets physiques de George est terminée au profit des manifestations musicales dictées par les esprits. Méhul, Beethoven, Mendelssohn, Mozart, Bach, une multitude de musiciens classiques s’expriment par son intermédiaire pendant treize ans de 1891 à 1904. (…)
Le Journal Spirite n°73 – Dossier sur les artistes médiums

Les artistes médiums du Cerlce Allan Kardec

Sylvain

Peintre et musicien médium, Sylvain nous offre une sonorité musicale nouvelle à travers ses musiques reçues de l’autre monde. Ses visages peints comme ses multiples univers nous entraînent au-delà de notre monde. Sa médiumnité automatique lui permet d’être un interprète particulièrement fascinant pour celui qui l’observe et le regarde travailler.
Sylvain est devenu spirite en 1983. C’est dès cette époque que l’au-delà lui demanda de travailler sa médiumnité artistique, tout d’abord en peinture et quelques années plus tard en musique.

«Depuis mon plus jeune âge, j’ai toujours été attiré par le dessin, la peinture et la musique. J’ai toujours dessiné de manière instinctive sans jamais avoir appris. J’ai réalisé une toile quand j’avais 14 ans. C’est lors d’une séance qu’un esprit m’a révélé qu’elle était d’origine médiumnique. On peut ainsi dire que je fus un peintre médium sans le savoir durant toute ma jeunesse. La création des œuvres de l’au-delà fonctionne avec moi de manière dite «automatique». Je me mets en condition, je fais le vide dans ma tête et j’écoute de la musique. Ma main s’anime et je suis spectateur de ce qui se passe. Elle ne m’appartient plus. Je n’ai pas conscience du choix des couleurs. Les dessins se réalisent assez vite, quelquefois à l’envers, et l’exécution dure de 10 minutes à une demi-heure. Malgré ma forte myopie, je peins sans lunettes. La médiumnité musicale, quant à elle, est beaucoup plus intense qu’en peinture et s’exécute, pour ma part au piano. La mise en condition est identique à celle de la peinture. Cependant l’automatisme dans la manifestation de l’esprit est plus fort, plus physique. J’ai l’impression de perdre connaissance. Je sors de cette inconscience de manière soudaine, mon rythme cardiaque est alors très élevé. L’œuvre musicale est enregistrée par les quelques participants à la séance et c’est à son écoute que je découvre la musique composée.»
Le Journal Spirite n°73 – Dossier sur les artistes médiums

Mrs Curran, médium de Patience Worth

En 1913, Mrs Curran fit sa première expérience de communication avec les désincarnés à l’aide d’un cadran alphabétique muni d’une aiguille au centre. Un jour elle reçut cette phrase d’un esprit : « Bien des lunes se sont écoulées depuis que j’ai vécu. Je reviens. Mon nom est Patience Worth ». Puis l’esprit précisa avoir été Anglaise, née dans le Dorsetshire au XVIIè siècle. Elle décrivit avec précision les caractéristiques des paysages de ce comté et les routes qui permettaient de s’y rendre. Un éditeur M. Yost, témoin des séances, se rendit en Angleterre pour visiter le Dorsetshire et il retrouva les paysages décrits par l’esprit de Patience Worth.
Cet esprit avait également souhaité produire par l’intermédiaire du médium Mrs Curran des ouvrages littéraires. Douze romans historiques furent dictés jusqu’en 1934, un drame, des nombreux poèmes et un volumineux poème idyllique de 60 000 mots intitulé «Telka». Ce dernier était en dialecte Anglo-saxon du XVIIè siècle. M. Yost fit les remarques suivantes :«Telka est unique non seulement par la pureté de sa langue anglo-saxonne, la combinaison de formes en dialecte de différentes époques et ses connaissances grammaticales, mais aussi par les altérations et extensions conférées à différents vocables. Patience Worth, comme Shakespeare emploie parfois un adverbe à la manière d’un verbe, ou d’un nom ou d’un adjectif Cette remarque constitue une preuve supplémentaire pour démontrer que Patience Worth est en plein accord avec son époque, même dans les anomalies grammaticales.»
Ce chef d’œuvre de 270 pages a été dicté dans un ensemble de 35 heures. (…)
Le Journal Spirite n°62

Entretien avec Karine Chateigner

Le Journal Spirite : Aujourd’hui de nombreuses personnes et en particulier des jeunes, tentent des expériences de contact avec l’au-delà sans la moindre connaissance, que peux-tu leur conseiller ?
Karine : Le spiritisme, c’est à dire la possible communication avec les esprits désincarnés, est encore aujourd’hui mal connu et surtout, fort peu étudié.
Cependant la curiosité expérimentale et les méthodes qui l’ont caractérisé, ont parcouru les décennies, sans visiblement s’altérer du manque de réussite, de probité, de connaissance et de sérieux.
Il semble même, que ces dernières années aient été porteuses de nouvelles expériences et que les adolescents en soient particulièrement friands.
J’ai même eu au téléphone il y a quelques mois un jeune garçon de onze ans, qui s’apprêtait à tenter l’expérience, et qui demandait comment s’y prendre. Il va sans dire que je l’en ai fortement dissuadé.

L.J.S : Peut-on blâmer ces jeunes de s’aventurer sur ce terrain expérimental ?
K.C : Le verbe «blâmer» est approprié, car on blâme celui ou celle qui n’a pas respecté une règle énoncée. Or, en ce domaine les personnes aventurières de l’invisible n’en connaissent pas les règles.
(…) Il s’agit de dire d’une part que le spiritisme n’est pas dangereux et simultanément qu’une mauvaise pratique du spiritisme peut l’être.
Il s’agit de dire d’autre part que la médiumnité ouvre la porte sur un monde infiniment vaste, où s’affrontent des énergies nombreuses.
Il s’agit de dire par logique, que l’au-delà n’est pas peuplé que de bonnes intentions, puisque habité par les esprits qui ont parcouru la planète.
Il s’agit de dire que le passage de vie à trépas ne rend pas les hommes différents de ce qu’ils étaient la veille.
Il s’agit donc de dire que celui ou celle qui s’aventure dans cette démarche, seul ou mal entouré, sans connaissances préalables, risque fort d’y rencontrer des forces et des puissances redoutables, dont l’influence pourrait être néfaste pour son équilibre psycho-mental. (…)
Le Journal Spirite n°63 – Interview à propos de la voyance, du New Age et des guérisseurs

Le guide spirituel

(…) Voyons donc ce que nous enseignent les esprits qui se sont manifestés auprès d’Allan Kardec à la fin du 19ème siècle et qui continuent de le faire dans notre association depuis plus de 30 ans. Une première définition est donnée dans le « Livre des Esprits » de 1857. Au lieu du mot ange gardien, les esprits nous conseillent d’utiliser le mot guide et expliquent que la fonction d’un guide est d’agir de la même manière qu’un père avec ses enfants, c’est-à-dire de conduire son protégé sur la bonne voie, de l’aider de ses conseils, de le consoler de ses afflictions, de soutenir son courage dans les épreuves de la vie.
Ainsi, un guide est simplement un esprit qui a été crée par Dieu et qui, comme chacun d’entre nous, s’est incarné dans la matière un certain nombre de fois, apprenant et progressant de vie en vie, au fil des épreuves et des expériences. Progressivement, cet esprit a grandi en moralité et en intellect, il s’est transformé et, entre deux vies charnelles, il a choisi de s’arrêter un instant sur la courbe de l’évolution pour suivre, conseiller, aimer et conduire un autre esprit qui lui est proche, qu’il a déjà connu dans une vie antérieure et qu’il continue d’aimer au-delà de la matière.
Le guide a pu être un ami, un frère, une sœur, un parent, un compagnon de route ou de combat, seul importe ce lien affectif qui se trouve entre lui et nous et qui se perpétue dans l’invisible. (…) Le Journal Spirite n°67

Fantômes et hantises dans l’histoire du Cercle

Nous sommes en 1984. Le « Cercle spirite Allan Kardec » de Nancy a été sollicité par un journaliste pour une troublante affaire de maison hantée, à Rogerville, petite localité du Toulois (Meurthe et Moselle).
D’incroyables phénomènes de déplacements d’objets, de bruits divers se produisent dans cette maison, et les actuels propriétaires ont décidé de la mettre en vente, n’ayant pas retrouvé le calme, malgré un recours aux parapsychologues et exorcistes. (…) Les témoignages abondent et se regroupent, les langues se délient après s’être longtemps tues par peur de la dérision, de la moquerie. Nous arrivons dans cette maison afin d’y établir une séance de spiritisme, par voie d’incorporation. Huit spirites entourent le médium qui va prêter son corps aux esprits perturbateurs qui vont se manifester.
Le premier d’entre eux dit s’appeler Eugène Robillard. Il nous explique qu’il était en train de creuser un puits lorsqu’il y eut un violent orage. Tout s’est écroulé autour de lui. Il veut sortir et c’est la raison pour laquelle il frappe. Nous sommes là, face à un esprit qui a été surpris par une mort violente, subite, et qui n’a pas pris conscience de sa mort. Le temps s’est arrêté pour lui au moment de l’accident et il se croit toujours prisonnier sous le puits. Il appelle, il frappe afin qu’on le délivre.
Nous lui avons dit qu’il était désincarné et qu’il fallait qu’il quitte les lieux. Nous lui avons expliqué qu’il pouvait nous parler parce qu’il utilisait le corps d’un médium, que nous étions spirites et que nous étions là pour l’aider. Nous lui avons précisé que nous étions en 1984, ce qui le surprit fortement car il disait être en 1905.
Nous avons appris par la suite dans les archives des journaux régionaux, qu’il y avait eu effectivement un violent orage en 1905, dans le Toulois, et qu’un certain Eugène Robillard était mort enterré en creusant un puits.
Un autre esprit se manifeste, disant s’appeler Marcel, Marcel des Hautes-Croix (lieu-dit de la région). Il nous explique qu’il voulait acheter la maison, que cela aurait été une bonne affaire. Il est mort sans avoir pu obtenir l’acquisition rêvée. Alors, esprit de vengeance, il se promet que personne n’y demeurera et perturbe tour à tour, tous les occupants de la maison depuis des années.
Nous sommes là en face d’un esprit très matérialiste, très attaché aux choses de la terre et de surcroît têtu. Il sait qu’il est mort et profite de ce nouvel état pour apporter la frayeur et faire fuir les différents occupants. Ce cas est différent du premier, le trouble n’est pas le même, bien qu’existant. Le premier souffre car la mort l’a surpris dans la souffrance du dernier instant, le second s’amuse et se venge car tel était son état d’esprit au moment de mourir, chargé de rancune et d’insatisfaction. (…) Le Journal Spirite n°70

A magnífica revista do CENTRE SPIRITE ALLAN KARDEC

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Journal Spirite N°119
Dossier : Médiums à écriture et médiums artistes Quarante-quatre années de communications avec l’au- delà, auprès de médiums accomplis, nous permettent de répondre à de multiples interrogations concernant la médiumnité. Années longues et difficiles, mais aussi pleines de bonheurs, de victoires, où de nombreux candidats à la médiumnité se sont essayés à l’expérimentation. Certains ont […]

 

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Journal Spirite N°118
DOSSIER : LES POUVOIRS DE LA PENSÉE Au regard de la science, nos progrès dans le domaine scientifique nous conduisent à élucider un grand nombre de phénomènes naturels, des phénomènes qui jadis suscitaient des croyances et des superstitions. Et si une explication n’est pas donnée à un phénomène quelconque, le quorum scientifique considère que tout […]

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Journal Spirite N°117
DOSSIER : LE GUIDE SPIRITUEL «Guide spirituel» est un terme très employé aujourd’hui. Il suffit simplement de taper ces deux mots sur un moteur de recherche pour s’apercevoir qu’une multitude de sites Internet traitant de ce sujet, existent. On trouve des définitions parfois complètement opposées les unes aux autres avec souvent une connotation religieuse et […]

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Journal Spirite N°116
Dossier : La vie et l’œuvre d’Allan Kardec C’est à Lyon, le 3 octobre 1804, dans une famille bourgeoise, que naît Hippolyte Léon Denizard, fils du juge Jean-Baptiste Rivail et de Jeanne Duhamel, son épouse. En naissant dans cette ville, sa vie était prédestinée. À cette époque, ce haut lieu de la spiritualité qui s’illustre […]

 

Journal Spirite N°115
Dossier : La vie des esprits dans l’au-delà Il est difficile pour nous humains qui vivons dans les vibrations lourdes de la matière d’imaginer ce que peut être la vie hors de la vie charnelle, dans la mort, dans l’au-delà. D’abord, il convient de faire des distinctions selon l’état dans lequel se trouve l’Esprit et […]

 

Journal Spirite N°114
Dossier : Les précurseurs du spiritisme – Gabriel Delanne et le spiritisme devant la science – Alexandre Aksakov, un spirite au pays de tsars – Rufina Noeggerath dite “Bonne Maman”, une apôtre du spiritisme – Henri Sausse, spirite Lyonnais – Camille Flammarion, astronome et spirite – Léon Denis, une vie dans la lumière du spiritisme […]

 

Journal Spirite N°113
Dossier Spiritisme et médiumnité Lors d’une première transe, l’esprit du médium se dédouble, il s’extériorise de son corps et comme le décrivait Michel Pantin : «Je me sens basculer en arrière et puis plus rien.» Le médium perd connaissance, son esprit dédoublé s’éloigne de son physique comme cela survient d’ailleurs inconsciemment dans certaines phases du […]

Journal Spirite N°112
Dossier : Les expériences de mort imminente (EMI) et la survie de l’esprit Après avoir été déclarées cliniquement mortes, à la suite d’un coma ou d’un accident grave par exemple, certaines personnes ont pu être ramenées à la vie grâce aux méthodes de réanimation. Parfois, elles ont témoigné être sorties de leur corps, avoir traversé […]

 

Journal Spirite N°111
Dossier : Les Facultés Psychiques Les Esprits nous enseignent que la pensée est une énergie, une force par laquelle l’esprit peut agir sur la matière qui l’environne et sur des personnes mortes ou vivantes. C’est une vibration, un fluide qui s’extirpe de notre esprit pour se véhiculer dans l’espace et ensuite atteindre son objectif. «Celui […]

Journal Spirite N°110
Dossier : Gustave Geley, un précurseur scientifique du spiritisme «La doctrine palingénésique me paraît, au point de vue moral, pleinement satisfaisante ; au point de vue philosophique, absolument rationnelle ; enfin au point de vue scientifique, vraisemblable et mieux encore probablement vraie.» «La Réincarnation» – G. Geley – Juillet 1912 Ce propos introductif du Dr […]

Journal Spirite N°109
Dossier : Le Périsprit ou coprs éthérique À l’aube du 20e siècle, Gabriel Delanne présentait dans son ouvrage L’âme est immortelle un ensemble d’observations et d’expériences faites à son époque, démontrant l’existence d’un double fluidique de l’être humain. En effet, si les expérimentateurs spirites réussirent à fournir la preuve de l’existence du périsprit par le […]

 

Journal Spirite N°108
Dossier : Le Rêve, porte ouverte sur l’au-delà En soixante ans d’une vie, nous aurons passé en moyenne vingt ans à dormir et cinq ans à rêver, ce qui est considérable. Paradoxalement, nous ne nous intéressons en général que trop peu à ce tiers de notre vie, pressée à l’état de veille pour gagner la […]

Journal Spirite N°107
Dossier : Le spiritisme face à la science Nous allons ici tenter de montrer voire démontrer que le spiritisme, qui est avant tout reconnu comme philosophie, est aussi une science. Nous commencerons par une définition générale de la science, pour y inclure en conséquence la plupart des disciplines dont elle est le nom. Nous […]

Le Journal Spirite N°106
Dossier : Les grandes questions de société «Il faut pour de nombreuses années comprendre que dans une vaste mutation technologique, toute une génération aura été sacrifiée à l’autel du chômage. Ceux qui affirment le contraire vendent du rêve. En vérité, il faudra retirer de cette pénible situation, un esprit positif, un esprit solidaire, j’allais dire […]

 

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Journal Spirite N°105
Dossier : L’Art et l’esprit Depuis leur au-delà, nombreux sont les artistes qui se sont manifestés à nous, pour nous crier leur joie de continuer de vivre et de créer, mais aussi de partager leurs connaissances et même si nous ne sommes pas tous médiums, chacun peut tout imaginer, chacun peut tout créer, comme […]

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Journal Spirite N°104
Dossier : Spiritisme & Religion Le spiritisme a souvent été considéré comme une religion, et depuis sa naissance avec Allan Kardec, la question fait encore débat dans certains milieux spirites où l’on dit qu’Allan Kardec lui-même n’avait pas totalement tranché la question en fonction du contenu sémantique que l’on pouvait donner au mot religion. Est-ce […]

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Le Journal Spirite N°103
Dossier : Fantômes et maisons hantées Les apparitions de Jésus Victor Hugo et les fantômes de Jersey Les fantômes du Trianon Fantômes insolites Le fantôme de Geneviève de Rustéphan Fantômes et hantises dans l’histoire du Cercle Les fantômes des vivants Sauvés par des fantômes Les poltergeists Les fantômes, stars de cinéma Les fantômes des vivants […]

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Le Journal Spirite N°102
Dossier : Les preuves de la réincarnation La réincarnation à travers les âges La nécessité des vies successives Le sens de la réincarnation Les accidents de réincarnation Les preuves de la réincarnation Les nouvelles réincarnations, espoir pour le futur Un père réincarné dans sa propre descendance Les réminiscences de Laure Reynaud Naissances multiples, jumeaux et […]

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Le Journal Spirite N°101
DOSSIER : LES GRANDS MÉDIUMS Eva Carrière, médium à ectoplasmie / Florence Cook et le fantôme de Katie King / Jean Gusik et Franek Kluski, deux médiums exceptionnels / Madame Fraya, la renommée aux heures les plus sombres de l’histoire / Elisabeth d’Espérance 26 Eusapia Palladino, médium à effets physiques / Edgar Cayce, le médium des […]

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Le Journal Spirite N°100
DOSSIER : LES PRINCIPES DU SPIRITISME La question de Dieu / Les médiumnités développées dans le Cercle / Le spiritisme face aux enjeux de notre société / L’approche spirite de la réincarnation / Le rôle du périsprit / Les artistes médiums d’hier et d’aujourd’hui / Etre spirite aujourd’hui… Afficher le sommaire complet

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Le Journal Spirite N°99
Dossier : Spiritisme & Médecine Médecine de l’âme : la psychologie spirite / La pratique de l’hypnose dans le Cercle Allan Kardec / Le magnétisme dans le cadre spirite / La chirurgie spirite / La protogenèse / La phytothérapie / L’École de Nancy : Liébault et Bernheim / À propos d’un cas de sclérose en plaques / Évolution des théories sur le magnétisme […]

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Le Journal Spirite N°98
Dossier : Le Passage Ils sont venus décrire leur passage / A la mort, à l’amour / La mort et le trouble /Parce que je souffrais / L’influence des mauvais esprits / Rites funéraires, rites de passage / Le trouble perçu en clairvoyance médiumnique / Les NDE, un passage dans l’au-delà / Mon père s’en est allé pour ailleurs se réveiller […]

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Le Journal Spirite N°97
Dossier : La pluralité des mondes Camille Flammarion, étoile du spiritisme scientifique / Mystères de l’Egypte / La vie infinie selon Flammarion / Entretien avec Gildas Bourdais / Contrèes mystérieuses / Cas au Zimbabwe / Forum « au-delà des mots » / Les fresques non identifiées

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Le Journal Spirite N°96
Dossier : À la rencontre des esprits : 40 ans d’histoire D’hier à aujourd’hui : 40 ans / Quarante années de présence publique / Les délivrances / La médecine de l’âme, nouvelle définition / Hommage à nos doyens / La création des antennes du Cercle Allan Kardec / Michel, l’homme et le médium / Facultés […]

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Le Journal Spirite N°95
Dossier : La psychokinèse Entretien avec Jean-Pierre Girard / De la prothèse à la protogenèse / Influence de la pensée sur l’environnement /Transformer les molécules, un acte possible / Le cas Nina Kulagina / Apports et matérialisations dans le Cercle A.K. / Stanislawa Tomczyk, psychokinésiste d’exception / Un cas de psychokinèse en spiritisme : l’expérience […]

Journal Spirite 94 - Couverture

Le Journal Spirite N°94
Dossier : Les Médiumnités Sommes-nous tous médiums / De la clairvoyance expérimentales à la clairvoyance opérationnelle / Jeanne Laval (1895-1975) médium / La planchette oui-ja / L’écriture semi-automatique / La médiumnité à incorporation / Le sommeil magnétique / La médiumnité guérissante / Médiumnité et délivrance / Médiumnités artistiques / La transcommunication instrumentale

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Le Journal Spirite N°93
Dossier : Léons Denis, l’apôtre du spiritisme Léon Denis, pionnier du spiritisme / Christianisme et spiritisme / Conan Doyle et Léon Denis, un respect mutuel / L’apôtre du spiritisme devenu esprit / Rencontres spirites / La grande énigme / Le monde invisible et la guerre / L’expérience spirite de Léon Denis / Le problème de l’être et de la destinée / Léon Denis, ses […]

Le Journal Spirite 92

Le Journal Spirite N°92
Dossier : La pulsion divine et l’univers La naissance de l’univers / Le multivers / De la matière au spirituel : une histoire de particules / Le ciel et la terre d’hier et d’aujourd’hui / Esprit et matière / Nous deviendrons tous les auteurs de la vie / Les théories de l’évolution / Les forces inconnues de la tellurie

 

Couverture Journal Spirite 91Le Journal Spirite N°91
Dossier : Allan Kardec, le fondateur du spiritisme. Le Kardécisme aujourd’hui / Allan Kardec à la rencontre des esprits / Hippolyte Rivail, le pédagogue / La finalité spirite / Allan Kardec et son époque / Amélie Boudet ou la femme de l’ombre / Qui êtes-vous Monsieur Kardec ? / Les principaux ouvrages d’Allan Kardec / Le décès d’Allan Kardec

 

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Le Journal Spirite N°90
Dossier : Le paranormal au cinéma Sommaire

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Le Journal Spirite N°89
Dossier : Télépathie et force de la pensée / La faim dans e monde : entretien avec Jean Ziegler / La télépathie : coïncidence ou réalité ? / La force de la pensée.

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Le Journal Spirite N°88
Dossier : le guide spirituel / Guide et libre arbitre / Les signes du guide / La rencontre avec mon guide / Les phénomènes prémonitoires / Des guides s’expriment / Quand un guide aide d’autres guides / Guides artistiques et inspiration / Les sorcières de Salem / Spiritisme et religion / La psychokinèse…

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Le Journal Spirite N°87
Dossier : Gabriel Delanne et le spiritisme scientifique / Gabriel Delanne, apôtre du spiritisme / Messages de Gabriel Delanne / Gabriel Delanne et la métapsychie / »L’évolution animique » par Gabriel Delanne / Expériences à la Villa Carmen / L’âme est immortelle / L’extériorisation de la pensée / La villa du silence

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Le Journal Spirite N°86
Dossier : La clairvoyance / Swedenborg, Mme Fraya, Hélène Bouvier… / Le cas remarquable de Gérard Croiset / La clairvoyance dans le Cercle Allan Kardec / Pascal Fortuny : “Je lis dans les destinées” / Gérard Encausse dit Papus / Séances de clairvoyance sur tableaux médiumniques / Témoignage de réincarnation / Le guide spirituel

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Le Journal Spirite N°85

Dossier : L’écriture automatique / Ecriture intuitive et semi-automatique / Entretien avec Karine Chateigner sur la médiumnité / Entretien avec Igor Manouchian sur la musique et la poésie médiumniques / Astrologie et spiritisme / Revue de presse médicale / Les dames blanches existent-elles ? / Xénophobie et crise mondiale

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Le Journal Spirite N°84
Ce numéro est actuellement épuisé en format imprimé. Vous pouvez cependant vous le procurer en format PDF. Dossier : La vie des esprits dans l’au-delà / Le tunnel, passage incontournable vers l’au-delà / Que font les esprits dans l’au-delà ? / Séances de délivrance d’hier et d’aujourd’hui / Dialogues de délivrances / Passage dans l’au-delà […]

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Le Journal Spirite N°83
Ce numéro est actuellement épuisé en format imprimé. Vous pouvez cependant vous le procurer en format PDF. Dossier : Magnétisme et spiritisme / Franz Anton Mesmer / Le baron Dupotet / Deleuze, Puységur, James Braid, Charles Lafontaine / La famille Durville / Thérapies et soins spirites / Jonathan Livingston le goéland / Le spiritisme bouleverse-t-il […]

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Le Journal Spirite N°82
Dossier : NDE-EMI Expériences de mort imminente / le cas Pamela Reynolds / Raymond Moody et Elisabeth Kubler Ross / Les NDE négatives / NDE chez les aveugles / Recherches du Dr Pim Van Lommel, Mario Beauregard, Jean-Jacques Charbonier, Dr Erlendur Haraldsson, Ring et Cooper / EMI et Jung / Le bon sens spirite / […]

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Le Journal Spirite N°81
Dossier : Les pionniers du spiritisme / Allan Kardec, l’architecte indispensable / Alexandre Aksakof un pionnier russe / Charles Richet, la naissance de la métapsychie / Alphonse Bouvier, spiritualiste et humaniste / Le docteur Demeure / Arthur Conan Doyle, le Sherlock Holmes de l’au-delà / Mémoire et perpectives pour demain / Les Etrusques

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Le Journal Spirite N°80
Dossier : Enigmes de l’Histoire / Pistes de Nazca, crânes de cristal, boules du Costa Rica / Les lévitations de Thérèse d’Avila / Les stigmates de Catherine Emmerich / Les miracles de Lourdes et les secrets de Fatima / Enigmes historiques : le maréchal Ney, Jeanne d’Arc / Hommage à Michel Pantin : un homme […]

LE JOURNAL SPIRITE – A melhor publicação espírita que conhecemos

 

Journal Spirite N°111 Dossier : Les Facultés Psychiques / Les Esprits nous enseignent que la pensée est une énergie, une force par laquelle l’esprit peut agir sur la matière qui l’environne et sur des personnes mortes ou vivantes. C’est une vibration, un fluide qui s’extirpe de notre esprit pour se véhiculer dans l’espace et ensuite atteindre son objectif. «Celui […]

Le Journal Spirite

Créé en 1989, Le Journal Spirite est l’organe de presse et de diffusion de l’association Cercle Spirite Allan Kardec. Sa parution est trimestrielle et les différents rédacteurs sont des spirites appartenant à l’association. Cette revue aborde les thèmes attenant au spiritisme dans tous ses aspects, historiques, philosophiques et expérimentaux. Sont abordés également tous les sujets qui relèvent du paranormal, comme les NDE, les manifestations OVNI, les guérisons, la télépathie, la force de la pensée, le magnétisme, la radiesthésie, l’hypnose, etc.
L’enseignement spirite trouve également des applications dans tous les domaines de la connaissance et de la morale, c’est ainsi que dans cette revue, tous les sujets de société ont leur place, considérés et réfléchis à la lumière de la réincarnation et de l’éternité de l’esprit.

Le Journal Spirite peut être commandé sur ce site, à l’unité ou sous la forme d’un abonnement à la rubrique « Publications ». Il est également proposé en version PDF.
Les différents numéros du Journal Spirite sont pratiquement intemporels, de par leur contenu qui n’est pas seulement lié à l’information d’un moment, et de ce fait, peuvent être choisis en fonction des thèmes abordés et non pas nécessairement en fonction de l’actualité du dernier numéro.
Depuis plusieurs années, chaque revue fait l’objet d’un dossier thématique : La réincarnation, les fantômes, la médiumnité, les NDE, spiritisme et religion, spiritisme et science, spiritisme et médecine, la pluralité des mondes, le passage, etc. Se trouvent également dans cette revue des rubriques diverses : Soins et thérapies spirites (analyse des résultats : améliorations de santé ou guérisons), des compte rendus de diverses séances et des témoignages de spirites. Cher lectrice, cher lecteur, vous pourrez ainsi choisir d’anciennes revues en fonction d’un thème principal qui vous intéressera plus particulièrement.
Une presse spécialisée comme celle-ci a besoin de soutien. Nous comptons sur vous pour la faire connaître et la promouvoir dans votre entourage.
Vous trouverez ci-dessous des extraits d’articles parus dans Le Journal Spirite, et qui illustrent les grandes orientations du mouvement spirite tel qu’il est compris et actualisé au sein du Cercle Spirite Allan Kardec.
On pourra en outre consulter le forum de ce site qui apporte de nombreuses réponses, et pour une information plus complète sur différents sujets, se procurer la revue, à l’unité ou par abonnement à partir de la rubrique « Publications » de ce même site ..

Extraits


La Réincarnation
Les différentes croyances
Depuis les temps les plus reculés, l’idée de réincarnation a toujours fait partie des traditions antiques que ce soit sous la forme d’une croyance religieuse ou bien d’une conception philosophique plus élaborée. Toutes les doctrines religieuses, sans exception, comportent, dans leurs principes d’origine, l’idée de réincarnation, idée qui ne s’est pas toujours perpétuée et qui fut abandonnée, par exemple, chez les Hébreux, les Chrétiens et les Musulmans. La conception spirite de la réincarnation qui se suffit à elle-même, dans une définition logique, n’a pas la nécessité de s’appuyer sur d’anciennes traditions, mais il est cependant intéressant de constater qu’en différents points du globe, l’idée des vies successives fut intégrée à toutes les traditions spiritualistes. Même si l’idée fut abandonnée à partir du Haut Moyen Age dans la plupart des religions monothéistes, il n’en demeure pas moins que toute religion révélée comporte à l’origine le principe des vies successives. (…)
Thèmes développés dans la suite de l’article : Les traditions orientales, la Grèce antique, le druidisme… Le Journal Spirite n°42

Le principe de Réincarnation
La pulsion créatrice
Tous les esprits ont une origine que nous nommerons Dieu, par facilité de langage, sachant qu’il nous est impossible d’appréhender la notion de divin, sachant aussi, que toute tentative de définition de Dieu est toujours réductrice à vouloir rendre intelligible un concept qui dépasse la compréhension humaine.
Toutefois, nous pouvons avancer quelques notions générales qui n’enferment pas Dieu dans des limites. Nous pouvons simplement dire, avec la pauvreté de notre langage, que Dieu est une force infinie, une force d’amour incommensurable, à l’origine de toute chose et de toute vie, donc une force créatrice qui est une pulsion vitale. Cette pulsion vitale est la source créatrice à l’origine de chaque esprit individualisé. Chacun d’entre nous a connu un point de départ ; ce point zéro correspond à la pulsion divine qui nous a créés simples et ignorants, esprits individualisés à l’état brut, à l’état le plus primitif qui soit.
A l’état originel, cet esprit nouvellement créé devient à lui seul une force vitale, qui par nature, par instinct, va éprouver la nécessité naturelle de s’incarner pour se développer dans un univers de matière. (…)
Thèmes développés dans la suite de l’article : des lois naturelles, les premières incarnations, la loi d’évolution, le point oméga, le rôle du périsprit, le processus vital, de l’inconscient au conscient.
Le Journal Spirite n°42

Les preuves de la réincarnation
(…) A partir de la communication spirite, nous pouvons donc déduire que la réincarnation est mise en évidence sur le plan intellectuel selon une démarche philosophique. (…) Nous avons l’avantage de pouvoir utiliser des témoignages divers qui apportent des preuves objectives, des preuves qui viennent renforcer et confirmer l’enseignement théorique. (…) Différents moyens ont permis la mise en évidence des vies successives. Certains de ces moyens sont spécifiquement spirites, d’autres consistent à utiliser des témoignages qui ne font pas intervenir le contact avec les esprits.
(…)Thèmes développés dans la suite de l’article : révélation spirite de vies antérieures, revivre son passé sous hypnose, souvenir de l’antériorité à l’état conscient et taches de naissance (enquêtes de Ian Stevenson)
Le Journal Spirite n°42

Spiritisme et Religions
Le spiritisme n’est pas une religion
(…) En toute religion, il y a le concept de croyance à partir de textes anciens qui n’ont pas toujours une grande valeur historique. En cela la croyance religieuse s’appuie souvent sur le mythe ou la légende. En spiritisme, on ne retient plus que les faits, qui passés au crible de la raison, ont permis de déterminer certains principes qui s’enchaînent et s’imbriquent dans une cohérence, ce à partir de quoi naissait la philosophie spirite, élaborée par Allan Kardec et étayée par des faits expérimentaux. La connaissance supplantait alors la croyance. La divinité n’était plus le Dieu vengeur d’une religion, mais une force originelle dont on pouvait deviner les desseins. L’au-delà n’était plus un lieu mythologique de félicité ou de damnation. Les anges et les démons, passaient de la réalité au symbole, devenant des esprits plus ou moins évolués. Les miracles devenaient des faits médiumniques, attestant de la manifestation des esprits. Jésus n’était plus l’incarnation de Dieu, mais celle d’un esprit supérieur et en même temps médium. La réincarnation devenait un principe universel d’évolution intellectuelle et morale, dans la pluralité des mondes habités.
L’expérience spirite est devenue le support concret de la foi, une foi raisonnée et comprise qui ne fait plus appel au sens du mystère, mais à un enchaînement de principes qui ne contredisent plus les lois de la nature. Toute religion est à un moment donné en contradiction avec les lois de la nature. Le spiritisme ne l’est plus, c’est aussi en cela qu’il échappe à la définition religieuse au profit d’une définition philosophique étayée par des faits scientifiquement analysables. (…)
Le Journal Spirite n°64

Au Vatican, une nouvelle approche…
En 1996, l’Eglise, pour la première fois, reconnaissait la possibilité des contacts avec l’au-delà, par la voix du Père Gino Concetti. Ce frère de l’ordre des Franciscains Mineurs, est un des théologiens les plus compétents du Vatican et commentateur de l’Osservatore Romano, le quotidien officiel du Saint-Siège. Le dialogue avec les défunts n’est plus un péché si toutefois cela se pratique sous « l’inspiration de la foi ». Ce qui fut en d’autres temps considéré comme manifestation subtile d’inspiration diabolique prend une tournure bien différente selon le théologien : «Dieu permet à nos chers défunts qui vivent dans la dimension ultra terrestre d’envoyer des messages pour nous guider en certains moments de notre vie. A la suite des nouvelles découvertes dans le domaine de la psychologie sur le paranormal, l’Eglise a décidé de ne plus interdire les expériences de dialogue avec les trépassés, à condition qu’elles soient menées avec une sérieuse finalité religieuse et scientifique».
Les principes du catholicisme ne sont certes pas oubliés, mais la conception de la vie future s’est quelque peu infléchie. Notons que dans le passage qui suit, l’enfer et le jugement dernier ne sont plus évoqués :
«Tout part de la constatation que l’Eglise est un unique organisme dont Jésus-Christ est le chef. Cet organisme est composé des vivants. C’est à dire aussi bien du peuple des fidèles sur la terre que des trépassés, qu’ils soient les bienheureux et les saints qui sont dans la paix de l’esprit au Paradis, que des âmes qui doivent expier leurs péchés au Purgatoire. Ces trois dimensions non seulement sont unies à Jésus, mais dans le concept de la « communion des saints », sont unis ensemble. Ce qui signifie qu’une communication est possible.»
Selon la doctrine catholique ainsi revue et corrigée : «Les messages peuvent nous parvenir non pas à travers les paroles et les sons, c’est à dire avec les moyens normaux des êtres humains, mais à travers des signes divers : par exemple par les songes, qui parfois sont prémonitoires, ou à travers des impulsions spirituelles qui pénètrent dans notre esprit, impulsions qui peuvent se transformer en visions et en concepts.»
A la question : tout le monde peut il avoir ces perceptions ? Le Père Concetti répond : «Ceux qui captent le plus souvent ces phénomènes sont les personnes sensitives c’est-à-dire les personnes qui ont une sensibilité supérieure à l’égard de ces signes ultra terrestres. Je veux parler des clairvoyants et des médiums. Mais les personnes normales peuvent avoir certaines perceptions extraordinaires, un signe étrange, une illumination soudaine. A la différence des personnes sensitives, elles peuvent rarement parvenir à interpréter ce qui se passe en elles et à intérieur d’elles-mêmes.»
Le théologien pose ensuite quelques gardes fous :
«L’Eglise permet de s’adresser à ces personnes particulières, mais avec une grande prudence et à certaines conditions. Les sensitifs auxquels, on peut demander assistance doivent être des personnes qui mènent leurs expériences, même avec des techniques modernes, en s’inspirant de la foi. Si ces derniers sont des prêtres, c’est encore mieux. L’Eglise interdit tous les contacts des fidèles avec ceux qui communiquent avec l’au-delà en pratiquant l’idolâtrie, l’évocation des morts, la nécromancie, la superstition et l’ésotérisme. Toutes les pratiques occultes qui incitent à la négation de Dieu et des Sacrements ».
Concernant les motivations des fidèles à entreprendre un dialogue avec les trépassés : «Il est nécessaire de ne s’approcher du dialogue avec les défunts que dans des situations de grande nécessité. Quelqu’un qui a perdu dans des circonstances tragiques son père ou sa mère ou son enfant ou bien son mari et ne se résigne pas à l’idée de la disparition. Avoir un contact avec l’âme du cher défunt peut déranger un esprit bouleversé par le drame. On peut s’adresser aux défunts si l’on a besoin de résoudre un grave problème de vie. Nos ancêtres, en général, nous aident et ne nous envoient jamais de messages qui portent atteinte ni à nous-mêmes ni à Dieu».
Le Père Concetti conclut :
«Il ne faut pas jouer avec les âmes des trépassés. Il ne faut pas les évoquer pour des motifs futiles pour obtenir par exemple un numéro du Loto. Il convient aussi d’avoir un grand discernement à l’égard des signes de l’au-delà et de ne pas trop les empathiser. On risquerait de tomber dans la crédulité excessive la plus suspecte. Avant tout, il ne faut pas aborder le phénomène de la médiumnité sans la force de la foi. On risquerait de perdre son équilibre psychique et de sombrer tout à fait dans la possession démoniaque.»

Nous avons là un infléchissement de la doctrine officielle de l’Eglise qui s’accorde avec l’air du temps. En témoigne également l’intérêt de prêtres pour le paranormal, ce que nous avons notamment constaté avec le père Biondi et ensuite avec le père François Brune. Cette évolution n’est certes pas une révolution, car on se garde bien de toucher aux dogmes et aux grands principes. Par exemple, le père Concetti, également interrogé sur l’homosexualité, garde une attitude de rejet, partant du principe que ce serait une défaillance supplémentaire concernant l’éducation des enfants déjà bien mise à mal dans nos sociétés modernes.
Nous sommes évidemment bien loin des grands principes du spiritisme (réincarnation), ce qui au demeurant est bien normal. Mais au moins, cette avancée officielle élimine l’ancien argument selon lequel toute communication ne pouvait être que le résultat d’une empreinte diabolique. (…)Le Journal Spirite n°64

Fantômes
Philippe témoigne
C’était une dizaine de mois après la mort de mon père, il est environ 18 heures et, installé au volant de ma voiture, je m’apprête à emprunter la route d’un village menant à mon domicile. Ce village a la particularité d’être en côte très abrupte et la rue assez étroite exige de la prudence et une vitesse limitée. Je jette machinalement un coup d’œil à mon rétroviseur intérieur quand soudain mon sang se glace et mon cœur se met à battre la chamade : mon père est là, assis sur la banquette arrière. Un réflexe immédiat et naturel me fait me retourner violemment : les sièges arrière sont déserts. Du même coup, ce geste me fait faire une embardée qui manque de me projeter contre un plot métallique du bord de la rue. Ayant rétabli la situation, mon regard se porte à nouveau sur le rétroviseur et j’y vois toujours mon père. Il est serein et me sourit. Ma première frayeur s’évanouit et j’essaie de profiter pleinement de cette vision tellement réelle. Il est vraiment là à me regarder, j’en sentirais presque son odeur et une foule de souvenirs arrivent en bouffées bienfaisantes. Il paraît si bienveillant à mon égard, la chaleur de son amour étreint tout mon être. Je ressens un bonheur immense m’envahir, je lui parle sans ouvrir la bouche, juste par l’esprit et il me répond que tout va bien pour lui. (…)
Le Journal Spirite n°70

Témoignage de Jean-Pierre.
Le matin de l’enterrement de ma mère, je me suis rendu à l’église, accompagné de ma grand-mère, afin de me recueillir en toute intimité. Placés à quelques mètres du cercueil, nous étions tous les deux silencieux, plongés dans nos pensées remplies de tristesse. A un moment, j’ai levé la tête puis j’ai regardé ce cercueil qui ne m’apportait que douleur et morosité. Soudain, j’ai vu ma mère debout à coté du cercueil. Elle était habillée comme je l’avais vue sur son lit après son décès. Elle portait sa robe jaune et grise que je connaissais depuis fort longtemps. Son visage était resplendissant, les marques de la souffrance n’étaient plus là, elle revivait. Puis elle m’a souri et a levé son bras. Elle m’a dit au revoir d’un signe de la main, avant de disparaître. (…)
Le Journal Spirite n°70

L’ectoplasme
Les représentations de la substance
La substance se constitue en représentations diverses, généralement des représentations d’organes plus ou moins complètes et parfaites, par exemple un doigt pendant au milieu de franges de substance. (…) Des matérialisations sont progressives et commencent par une ébauche, tandis que les formations plus complètes n’arrivent que plus tard. C’est dans l’intérieur de la pâte gélatineuse, sortie du médium, que des figures, des doigts se forment peu à peu. (…) Les dimensions sont quelquefois plus petites que nature, de véritables miniatures. La matérialisation peut présenter des lacunes. De face, la matérialisation est complète mais le dos reste à l’état d’amas de substance amorphe. (…) On sait que différents observateurs, Crookes et Richet entre autres, ont décrit des matérialisations complètes. Il s’agissait, non pas de fantômes dans le sens propre du mot, mais d’êtres ayant momentanément toutes les particularités vitales d’êtres vivants, dont le cœur battait, le poumon respirait et dont l’apparence corporelle était parfaite. Dans les cas les plus remarquables, l’organe matérialisé a toutes les apparences et les propriétés biologiques d’un organe vivant. Il y eut des doigts admirablement modelés, avec leurs ongles ; il y eut des mains complètes, avec os et articulations, il y eut un crâne vivant dont on pouvait palper les os, sous une épaisse chevelure. Il y eut des visages bien formés, des visages vivants, des visages humains. En même temps que la matérialisation d’un corps humain, il y eut comme les expériences l’établissent, matérialisations d’objets, vêtements, tissus, étoffes. Une main s’est matérialisée avec une bague. (…)
Suite de l’article : formes vaporeuses, liquides ou solides de l’ectoplasme, couleur, visibilité, composition.
Le Journal Spirite n°65

Médiumnités dans le Cercle Allan Kardec
(…) Puisque nous avions alors la possibilité d’être informés par les esprits des facultés réelles des uns et des autres au travers d’un bon médium, nous avons retenu cette bonne formule, nous fiant aux conseils donnés par l’au-delà pour la réalisation de telle ou telle faculté indiquée. (…)
Le maître mot en médiumnité, c’est le «développement». On ne devient pas un bon médium du jour au lendemain car la sensibilité potentielle doit s’affiner avec le temps et l’expérience. Certains médiums ont une faculté qui s’affine très vite, d’autres ont besoin d’une progression beaucoup plus lente, parce qu’il existe des disparités dans les prédispositions qui sont inégales selon les personnes. Quoi qu’il en soit, chaque médiumnité révélée, si elle est sérieusement travaillée en respectant toutes les règles de prudence et d’analyse, ne peut que réussir, à la condition également que la personne concernée se donne une certaine rigueur et accepte les conseils spirituels ou humains, pour ne pas s’égarer dans des extrapolations hasardeuses. Il est souvent arrivé que des personnes échouent dans ce développement pour cause de peur, d’orgueil, de manque de volonté ou de manque d’équilibre psychologique. (…)
Le Journal Spirite n°45

Le Rêve
Le rêve et le songe
Au-delà des définitions psychanalytiques freudiennes et autres, les conceptions spirites permettent d’élargir considérablement toutes les données de la psychologie classique.
L’esprit véhiculé par le périsprit se dissocie du corps physique au moment de la mort, c’est le principe premier à partir duquel la communication spirite existe. Mais ce principe ne s’applique pas seulement au phénomène de la mort, il fut aussi observé à l’occasion d’expériences de dédoublement à l’état de veille, dédoublement qui s’opère également lors des phases du sommeil profond.
A plusieurs reprises au cours d’une nuit, l’esprit se libère de son entrave corporelle pour une durée totale qui n’excède pas deux heures, correspondant aux phases du sommeil paradoxal. Un lien fluidique permet au corps de conserver sa vitalité.
L’esprit momentanément délivré de ses chairs, rejoint sa véritable nature. Il peut se véhiculer dans l’autre dimension et entrer en contact avec le monde des esprits. Le dégagement nocturne est donc un état de perception de l’autre monde, qui permet la rencontre avec le guide et avec d’autres esprits qui prodiguent leurs conseils. Ces rencontres, la plupart du temps, ne laissent pas de souvenirs au réveil. Cependant, des traces inconscientes pourront ressurgir sous forme d’intuitions ou d’impressions au cours de la journée qui suit. (…)
Le Journal Spirite n° 64 / 76

Psychométrie
(…) Voici une clairvoyance sur objet (ou psychométrie) réalisée en aveugle sur un fragment de pierre :
« Je vois un mur, je vois un jeune homme, il est accroupi, il se dissimule. Je vois des miradors, il y a des projecteurs qui éclairent le mur. Le garçon a des cheveux longs châtains. Il est habillé d’un jean et d’un pull très long, on dirait un baba. Il lui reste une cinquantaine de mètres avant d’atteindre le mur. J’aperçois des hommes dans les tourelles, un qui tourne le projecteur, l’autre avec des jumelles. Le jeune homme a un sac plastique dans la main. Je le vois courir, il atteint le mur. Il est venu pour faire un graffiti. Il prend beaucoup de risques, c’est dangereux. Il est en train de dessiner deux personnages. On dirait un soldat américain et un soldat russe en train de se serrer la main. Au-dessus des têtes, je vois une colombe toute blanche. C’est un pacifiste. Il repart, j’entends des coups de feu. Je le vois étendu, il est mort. Je vois Guntard Schmid, il avait 22 ans.
Maintenant, je vois des gens, beaucoup de gens. Ils crient, ils sont heureux, ils ont l’espoir. Je vois des pioches, des marteaux. Ils cassent, chacun repart avec un morceau. Il n’y a plus de gardes, c’est la liberté. C’était le mur de Berlin. »
A l’issue de la séance, la personne qui avait fourni la pierre nous confirma que ce fragment provenait bien du mur de Berlin. (…)
Le Journal Spirite n°64

La Xénoglossie
Le cas Von Reuter
Dans les années 1920, M. Von Reuter et sa mère reçurent des messages en quinze langues diverses dont celles qu’ils ignoraient totalement : russe, magyar, norvégien, polonais, hollandais, lituanien, irlandais, persan, arabe et turc.
Mme Von Reuter opérait toujours les yeux bandés et elle écrivait souvent des langues ignorées en écriture invertie (en miroir), c’est-à-dire, que pour la lire, il fallait la réfléchir dans une glace. Il serait fastidieux de rapporter dans le détail les dialogues entre M. et Mme Von Reuter et leurs interlocuteurs s’exprimant en langues ignorées (se reporter pour plus de précisions à l’ouvrage de Bozzano). Il faut surtout retenir dans ce cas, l’extrême souplesse de deux médiums aptes à une xénoglossie médiumnique très diversifiée.
Pour les langues russe ou arabe qui ont un alphabet différent, les messages parvenaient sous forme phonétique et des linguistes furent sollicités pour apporter la traduction ou la confirmation. Souvent le message obtenu en langue indéchiffrable était dans la même séance traduit par un autre esprit, et après recherches, la traduction donnée en séance s’avérait à chaque fois rigoureusement exacte. Un message obtenu en lituanien phonétique fut déchiffré plus d’un an après réception par un professeur d’université. Les formes du langage et les tournures grammaticales correspondaient à la langue lituanienne usitée plus de cinquante ans auparavant. (…)
Article paru dans le Journal Spirite n° 78 et réalisé à partir des études d’Ernest Bozzano parues dans son ouvrage « La médiumnité polyglotte »

 

Le suicide
Causes du suicide
La souffrance et le désespoir, la solitude et l’incompréhension, l’échec et l’exclusion, le doute de soi et l’absence d’avenir, les excès de malheurs et d’épreuves, peuvent devenir à ce point insupportables que la seule issue paraît être la mort. (…) Extrait de message :
(…) Le suicide est un état de détresse maladive dont les causes sont souvent étrangères au sujet qui va commettre cet acte. Les principales causes du suicide sont les suivantes : le manque d’amour provenant essentiellement de la famille, des proches amis qui n’en sont pas ou qui n’en sont plus ; le dépérissement dans le travail, si le travail est avilissant, répétitif à rendre l’esprit esclave ; le sentiment d’inutilité dans une société inégalitaire qui ne reconnaît la valeur d’un homme qu’à sa réussite financière en traitant l’autre de «raté»: cet adjectif fait très mal et il tue ; le sentiment d’infériorité, marqué par la haine sociale et le refus des différences et en dernier lieu, le réveil soudain d’une vie antérieure déjà suicidaire pouvant entraîner une névrose obsessionnelle conduisant à l’acte. (…) L’homme a le devoir de vivre son incarnation, mais l’homme n’est rien dans l’abandon, dans le mépris et dans la solitude. La réponse au mal suicidaire est donc une réponse profondément amoureuse, elle doit provenir des individus, mais aussi des états, des sociétés qu’ils représentent et des lois qu’ils décident. Je veux imaginer avec vous une société d’amour qui ne pourra que retenir l’homme dans la responsabilité de sa vie physique et non pas le pousser vers la mort comme un outil encombrant devenu inutile. » (…)
Le Journal Spirite n°63

José Arigo, guérisseur brésilien
Nous avons souvent relaté les différents épisodes de la vie de José Arigo, décédé en 1971, et qui fut le meilleur exemple des médiums guérisseur pratiquant ce que l’on a appelé « chirurgie à mains nues » sous l’impulsion d’un esprit.

Les opérations
La médiumnité de José Arigo se manifeste essentiellement sous deux formes : l’incorporation de l’esprit du Dr Fritz et l’influence du Dr Fritz.
En incorporation, Arigo est totalement inconscient, c’est l’esprit qui opère avec une grande vivacité (on parle même d’une certaine brutalité apparente), à l’aide d’un canif, d’un couteau, de ciseaux ou d’un bistouri. En fait, en fonction des circonstances, l’esprit du Dr Fritz utilise ce qui lui tombe sous la main. Il s’exprime en allemand, ou en portugais avec un fort accent allemand. L’incorporation est ainsi décrite : « le médium est pris violemment, il se transforme en une autre personne, avec modification de la physionomie et de l’expression, du regard, des gestes, des déplacements et du langage ». C’est toujours le Dr Fritz qui s’incorpore, assisté d’autres esprits.
Les opérations ont lieu en pleine lumière, Arigo est en bras de chemises et parfois torse nu. Les observateurs ont eu toute possibilité d’examiner de près le déroulement des opérations. Le Dr Fritz incorporé a fréquemment discuté avec des médecins, il a même été interviewé par des journalistes allemands. (…)
Le Journal Spirite n°63

Une convergence est-elle possible

Depuis la naissance du spiritisme, de nombreuses recherches ont été menées dans les différents domaines du paranormal. Depuis « Les maisons hantées » de Camille Flammarion jusqu’aux modernes recherches sur les NDE, nous bénéficions d’un patrimoine considérable d’études qui ont fait l’objet de parutions nombreuses et d’encyclopédies du paranormal. Il y a abondance d’expériences et d’observations, de faits et de théories, d’essais philosophiques qui mettent en lumière les capacités psychiques de l’esprit humain et les communications avec les désincarnés.

Le spiritisme des origines

La base essentielle est l’œuvre d’Allan Kardec, qui reste la référence fondamentale pour une bonne compréhension du contact avec l’au-delà et de ses conséquences philosophiques et morales. Aujourd’hui encore, le spiritisme se réfère à cette œuvre, partout dans le monde, dans une fidélité sans faille au fondateur, ce que l’on constate en particulier dans tous les groupes du Brésil et de l’ensemble de l’Amérique latine. Cette base essentielle fut complétée par les successeurs d’Allan Kardec, qu’il s’agisse des plus connus en Europe comme Gabriel Delanne, Léon Denis, Gustave Geley, Camille Flammarion, Ernest Bozzano, ou de moins connus pour nous, comme les latino-américains Manuel Porteiro, Herculano Pires, Cosme Marino, Humberto Mariotti, etc.
L’œuvre spirite, dans sa progression, a gardé son intégrité revenant sans cesse aux principes kardécistes fondamentaux qui, même s’ils sont réétudiés et affinés, ont conservé toute leur valeur au fil du temps.

La période métapsychique

Lorsque l’Institut Métapsychique International fut créé, en particulier à l’initiative de Jean Meyer et du Docteur Gustave Geley, il se donnait pour but de démontrer scientifiquement les productions médiumniques de l’ectoplasmie et des matérialisations. Ce tournant scientifique fut d’une grande qualité expérimentale mais n’a pas pour autant marqué durablement les mentalités. De nombreuses expériences, de par le monde, furent attestées auprès de médiums à effets physiques, en présence de scientifiques au dessus de tout soupçon. Elles se sont perpétuées jusqu’à la fin de la décennie 1920, laissant un patrimoine considérable de compte rendus, de procès verbaux et de photographies, sans oublier les essais théoriques ou philosophiques comme tous les ouvrages de Gabriel Delanne, le « Traité de métapsychique » de Charles Richet, « Animisme et spiritisme » d’Alexandre Aksakof, « Essai d’interprétation synthétique du spiritisme » et « De l’inconscient au conscient » de Gustave Geley. (…)

Thèmes développés dans la suite de l’article : les NDE, les recherches de Ian Stevenson sur les souvenirs antérieurs d’enfants, l’hypnose, les facultés psychiques (clairvoyance, radiesthésie, magnétisme, etc.), synthèse et convergence.
Le Journal Spirite n°66 – Editorial

 

Georges Aubert, médium pianiste

(…) C’est dans l’obscurité totale que George exécute son premier morceau avec une certaine appréhension «Tout à coup, je sentis mes mains s’engourdir. De plus en plus la sensation du clavier disparaissait sous mes doigts et je fus tout surpris d’entendre résonner avec force un magnifique accord car je ne sentais plus du tout les touches. Je me rendais compte que mes mains étaient anesthésiées, car mes bras remuaient en suivant la suite des notes, mais le tact manuel était aboli… Je sentais mon cerveau complètement libre et sans avoir aucune préoccupation de fausses notes, je m’abandonnais à l’influence de Méhul. Néanmoins cette sensation de jouer du piano, sans sentir le clavier et sans savoir ce qui se jouait sous mes doigts était plutôt étrange.» Or, chose surprenante depuis ce jour, la table des séances reste muette. Intrigué par ce silence, George s’installe au piano et immédiatement ses doigts frappent frénétiquement les touches. Le père comprend à cet instant que chaque note frappée va remplacer une réponse à l’alphabet épelé. Méhul annonce que la médiumnité à effets physiques de George est terminée au profit des manifestations musicales dictées par les esprits. Méhul, Beethoven, Mendelssohn, Mozart, Bach, une multitude de musiciens classiques s’expriment par son intermédiaire pendant treize ans de 1891 à 1904. (…)

Le Journal Spirite n°73 – Dossier sur les artistes médiums

Les artistes médiums du Cerlce Allan Kardec

Sylvain

Peintre et musicien médium, Sylvain nous offre une sonorité musicale nouvelle à travers ses musiques reçues de l’autre monde. Ses visages peints comme ses multiples univers nous entraînent au-delà de notre monde. Sa médiumnité automatique lui permet d’être un interprète particulièrement fascinant pour celui qui l’observe et le regarde travailler.
Sylvain est devenu spirite en 1983. C’est dès cette époque que l’au-delà lui demanda de travailler sa médiumnité artistique, tout d’abord en peinture et quelques années plus tard en musique.

«Depuis mon plus jeune âge, j’ai toujours été attiré par le dessin, la peinture et la musique. J’ai toujours dessiné de manière instinctive sans jamais avoir appris. J’ai réalisé une toile quand j’avais 14 ans. C’est lors d’une séance qu’un esprit m’a révélé qu’elle était d’origine médiumnique. On peut ainsi dire que je fus un peintre médium sans le savoir durant toute ma jeunesse. La création des œuvres de l’au-delà fonctionne avec moi de manière dite «automatique». Je me mets en condition, je fais le vide dans ma tête et j’écoute de la musique. Ma main s’anime et je suis spectateur de ce qui se passe. Elle ne m’appartient plus. Je n’ai pas conscience du choix des couleurs. Les dessins se réalisent assez vite, quelquefois à l’envers, et l’exécution dure de 10 minutes à une demi-heure. Malgré ma forte myopie, je peins sans lunettes. La médiumnité musicale, quant à elle, est beaucoup plus intense qu’en peinture et s’exécute, pour ma part au piano. La mise en condition est identique à celle de la peinture. Cependant l’automatisme dans la manifestation de l’esprit est plus fort, plus physique. J’ai l’impression de perdre connaissance. Je sors de cette inconscience de manière soudaine, mon rythme cardiaque est alors très élevé. L’œuvre musicale est enregistrée par les quelques participants à la séance et c’est à son écoute que je découvre la musique composée.»

Le Journal Spirite n°73 – Dossier sur les artistes médiums

Mrs Curran, médium de Patience Worth

En 1913, Mrs Curran fit sa première expérience de communication avec les désincarnés à l’aide d’un cadran alphabétique muni d’une aiguille au centre. Un jour elle reçut cette phrase d’un esprit : « Bien des lunes se sont écoulées depuis que j’ai vécu. Je reviens. Mon nom est Patience Worth ». Puis l’esprit précisa avoir été Anglaise, née dans le Dorsetshire au XVIIè siècle. Elle décrivit avec précision les caractéristiques des paysages de ce comté et les routes qui permettaient de s’y rendre. Un éditeur M. Yost, témoin des séances, se rendit en Angleterre pour visiter le Dorsetshire et il retrouva les paysages décrits par l’esprit de Patience Worth.
Cet esprit avait également souhaité produire par l’intermédiaire du médium Mrs Curran des ouvrages littéraires. Douze romans historiques furent dictés jusqu’en 1934, un drame, des nombreux poèmes et un volumineux poème idyllique de 60 000 mots intitulé «Telka». Ce dernier était en dialecte Anglo-saxon du XVIIè siècle. M. Yost fit les remarques suivantes :«Telka est unique non seulement par la pureté de sa langue anglo-saxonne, la combinaison de formes en dialecte de différentes époques et ses connaissances grammaticales, mais aussi par les altérations et extensions conférées à différents vocables. Patience Worth, comme Shakespeare emploie parfois un adverbe à la manière d’un verbe, ou d’un nom ou d’un adjectif Cette remarque constitue une preuve supplémentaire pour démontrer que Patience Worth est en plein accord avec son époque, même dans les anomalies grammaticales.»
Ce chef d’œuvre de 270 pages a été dicté dans un ensemble de 35 heures. (…)

Le Journal Spirite n°62

Entretien avec Karine Chateigner

Le Journal Spirite : Aujourd’hui de nombreuses personnes et en particulier des jeunes, tentent des expériences de contact avec l’au-delà sans la moindre connaissance, que peux-tu leur conseiller ?

Karine : Le spiritisme, c’est à dire la possible communication avec les esprits désincarnés, est encore aujourd’hui mal connu et surtout, fort peu étudié. Cependant la curiosité expérimentale et les méthodes qui l’ont caractérisé, ont parcouru les décennies, sans visiblement s’altérer du manque de réussite, de probité, de connaissance et de sérieux. Il semble même, que ces dernières années aient été porteuses de nouvelles expériences et que les adolescents en soient particulièrement friands. J’ai même eu au téléphone il y a quelques mois un jeune garçon de onze ans, qui s’apprêtait à tenter l’expérience, et qui demandait comment s’y prendre. Il va sans dire que je l’en ai fortement dissuadé.

L.J.S : Peut-on blâmer ces jeunes de s’aventurer sur ce terrain expérimental ?

K.C : Le verbe «blâmer» est approprié, car on blâme celui ou celle qui n’a pas respecté une règle énoncée. Or, en ce domaine les personnes aventurières de l’invisible n’en connaissent pas les règles. (…) Il s’agit de dire d’une part que le spiritisme n’est pas dangereux et simultanément qu’une mauvaise pratique du spiritisme peut l’être. Il s’agit de dire d’autre part que la médiumnité ouvre la porte sur un monde infiniment vaste, où s’affrontent des énergies nombreuses. Il s’agit de dire par logique, que l’au-delà n’est pas peuplé que de bonnes intentions, puisque habité par les esprits qui ont parcouru la planète. Il s’agit de dire que le passage de vie à trépas ne rend pas les hommes différents de ce qu’ils étaient la veille. Il s’agit donc de dire que celui ou celle qui s’aventure dans cette démarche, seul ou mal entouré, sans connaissances préalables, risque fort d’y rencontrer des forces et des puissances redoutables, dont l’influence pourrait être néfaste pour son équilibre psycho-mental. (…)

Le Journal Spirite n°63 – Interview à propos de la voyance, du New Age et des guérisseurs

Le guide spirituel

(…) Voyons donc ce que nous enseignent les esprits qui se sont manifestés auprès d’Allan Kardec à la fin du 19ème siècle et qui continuent de le faire dans notre association depuis plus de 30 ans. Une première définition est donnée dans le « Livre des Esprits » de 1857. Au lieu du mot ange gardien, les esprits nous conseillent d’utiliser le mot guide et expliquent que la fonction d’un guide est d’agir de la même manière qu’un père avec ses enfants, c’est-à-dire de conduire son protégé sur la bonne voie, de l’aider de ses conseils, de le consoler de ses afflictions, de soutenir son courage dans les épreuves de la vie.
Ainsi, un guide est simplement un esprit qui a été crée par Dieu et qui, comme chacun d’entre nous, s’est incarné dans la matière un certain nombre de fois, apprenant et progressant de vie en vie, au fil des épreuves et des expériences. Progressivement, cet esprit a grandi en moralité et en intellect, il s’est transformé et, entre deux vies charnelles, il a choisi de s’arrêter un instant sur la courbe de l’évolution pour suivre, conseiller, aimer et conduire un autre esprit qui lui est proche, qu’il a déjà connu dans une vie antérieure et qu’il continue d’aimer au-delà de la matière.
Le guide a pu être un ami, un frère, une sœur, un parent, un compagnon de route ou de combat, seul importe ce lien affectif qui se trouve entre lui et nous et qui se perpétue dans l’invisible. (…)

Le Journal Spirite n°67

Fantômes et hantises dans l’histoire du Cercle

Nous sommes en 1984. Le « Cercle spirite Allan Kardec » de Nancy a été sollicité par un journaliste pour une troublante affaire de maison hantée, à Rogerville, petite localité du Toulois (Meurthe et Moselle).
D’incroyables phénomènes de déplacements d’objets, de bruits divers se produisent dans cette maison, et les actuels propriétaires ont décidé de la mettre en vente, n’ayant pas retrouvé le calme, malgré un recours aux parapsychologues et exorcistes. (…) Les témoignages abondent et se regroupent, les langues se délient après s’être longtemps tues par peur de la dérision, de la moquerie. Nous arrivons dans cette maison afin d’y établir une séance de spiritisme, par voie d’incorporation. Huit spirites entourent le médium qui va prêter son corps aux esprits perturbateurs qui vont se manifester.
Le premier d’entre eux dit s’appeler Eugène Robillard. Il nous explique qu’il était en train de creuser un puits lorsqu’il y eut un violent orage. Tout s’est écroulé autour de lui. Il veut sortir et c’est la raison pour laquelle il frappe. Nous sommes là, face à un esprit qui a été surpris par une mort violente, subite, et qui n’a pas pris conscience de sa mort. Le temps s’est arrêté pour lui au moment de l’accident et il se croit toujours prisonnier sous le puits. Il appelle, il frappe afin qu’on le délivre.
Nous lui avons dit qu’il était désincarné et qu’il fallait qu’il quitte les lieux. Nous lui avons expliqué qu’il pouvait nous parler parce qu’il utilisait le corps d’un médium, que nous étions spirites et que nous étions là pour l’aider. Nous lui avons précisé que nous étions en 1984, ce qui le surprit fortement car il disait être en 1905.
Nous avons appris par la suite dans les archives des journaux régionaux, qu’il y avait eu effectivement un violent orage en 1905, dans le Toulois, et qu’un certain Eugène Robillard était mort enterré en creusant un puits.
Un autre esprit se manifeste, disant s’appeler Marcel, Marcel des Hautes-Croix (lieu-dit de la région). Il nous explique qu’il voulait acheter la maison, que cela aurait été une bonne affaire. Il est mort sans avoir pu obtenir l’acquisition rêvée. Alors, esprit de vengeance, il se promet que personne n’y demeurera et perturbe tour à tour, tous les occupants de la maison depuis des années.
Nous sommes là en face d’un esprit très matérialiste, très attaché aux choses de la terre et de surcroît têtu. Il sait qu’il est mort et profite de ce nouvel état pour apporter la frayeur et faire fuir les différents occupants. Ce cas est différent du premier, le trouble n’est pas le même, bien qu’existant. Le premier souffre car la mort l’a surpris dans la souffrance du dernier instant, le second s’amuse et se venge car tel était son état d’esprit au moment de mourir, chargé de rancune et d’insatisfaction. (…)

Le Journal Spirite n°70

O espiritismo é uma religião? / Lembrar Humberto Mariotti

[1 – O espiritismo é uma religião?]

– in Prefácio dos tradutores, Carácter da obra e suas qualidades essenciais.

este texto, seguido por uma alusão documentada a respeito de Humberto Mariotti, aqui citado, é a primeira Nota Final (página 307) que se encontra inserida na nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”.

Este é um assunto que tem tido interpretações diferentes no meio espírita. No livro “O que é o Espiritismo”? Kardec diz-nos:

“O espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma filosofia. Como ciência prática, trata das relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, esclarece as consequências morais derivadas dessas relações”.

Numa definição de espiritismo tão clara como esta, Allan Kardec não mencionou o termo “religião”.

Talvez prevendo que esse problema pudesse colocar-se no futuro, explicou muito bem o seu ponto de vista no discurso que fez na Sociedade de Paris no dia 1 de novembro de 1868, publicado na Revista Espírita do mês seguinte com o título: “O espiritismo é uma religião”? Todo o artigo é bastante importante e merece uma leitura integral. Porque é muito longo, vamos aqui ver só alguns excertos.

Kardec utiliza como ponto central do seu discurso a importância daquilo a que chamou “a comunhão de pensamentos.” Falou do poder da união de pensamentos capaz de gerar reações extraordinárias de efeitos morais e físicos.

Revista Espírita de dezembro de 1868 (excertos):

“…Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; com efeito, é aí que podem e devem exercer a sua força, porque o objetivo deve ser a libertação do pensamento das amarras da matéria. Infelizmente, a maioria afasta-se deste princípio à medida que a religião se torna uma questão de forma. Disto resulta que cada um, fazendo o seu dever consistir na realização da forma, julga-se livre de dívidas para com Deus e para com os homens, já que praticou uma fórmula. Resulta ainda que cada um vai aos lugares de reuniões religiosas com um pensamento pessoal, por sua própria conta e, na maioria das vezes, sem nenhum sentimento de fraternidade em relação aos outros assistentes; fica isolado no meio da multidão e só pensa no céu para si mesmo.

Por certo não era assim que o entendia Jesus, ao dizer: “Quando duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, aí estarei entre elas.” Reunidos em meu nome, isto é, com um pensamento comum; mas não se pode estar reunido em nome de Jesus sem assimilar os seus princípios. Ora, qual é o princípio fundamental da mensagem de Jesus ? A caridade em pensamentos, palavras e ações…”

“…Se é assim, perguntarão: então o espiritismo é uma religião ? Sem dúvida! No sentido filosófico, o espiritismo é uma religião, e vangloriamo-nos por isso, porque funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.

Por que motivo, então, temos declarado que o espiritismo não é uma religião ?

Por não haver senão uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o espiritismo não tem.

Se o espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé;

uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a nossa opinião se levantou.

Não tendo o espiritismo nenhuma das características de uma religião, na aceção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que motivo simplesmente se diz: pensamento filosófico e moral.

As reuniões espíritas podem ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupam; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembleias religiosas.

Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuance é perfeitamente clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra para cada ideia …”

 

CONCLUSÕES:

Lidos atentamente estes excertos da Revista Espírita, ficamos com ideias suficientemente esclarecidas para não confundirmos o espiritismo com as organizações histórico-culturais dogmáticas, com fortíssimas ligações aos poderes político-estratégicos, que têm assumido o papel das:

“…castas sacerdotais com seu cortejo de hierarquias, cerimônias e privilégios”; (…) e das “.ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a nossa opinião se levantou.”

Humberto Mariotti (1905 – 1982) grande intelectual que foi por duas vezes presidente da Confederação Espírita Argentina, no fim dos anos 30 e durante os anos 60 do século XX, elaborou no prólogo escrito para a obra El Sermón de la Montana, uma síntese especialmente feliz que nos ajuda a acomodar uma cultura científico-filosófica de índole positiva e racionalista, com a espiritualizada atitude íntima de tantos dos adeptos espíritas:
“…O espiritismo, nos estudos universais que realiza,
dedica à inteligência a ciência,
ao pensamento a filosofia
e ao sentimento a religião…”

Esta distribuição dos diferentes horizontes que o espiritismo contempla, pelas diversas formas do potencial humano, permite-nos acomodar a análise da fenomenologia mediúnica com o pensamento racional e com a subjetividade íntima. Os factos devem ser considerados como factos, as ideias ordenadas como ideias, restando livres os sentimentos para vibrar do modo que mais convier à pessoa. Isso só pode suceder num plano totalmente livre dos constrangimentos do dogma, do pensamento fechado, da repressão íntima e da intolerância coletiva.

Os adeptos e estudiosos do espiritismo são tão fortemente sensíveis à ideia de Deus como ao uso da razão crítica; são tão assíduos praticantes e beneficiários da prece, como estão disponíveis para entender a complexidade do mundo e a memória da Humanidade e as suas contradições.

O desenvolvimento das relações sociais e as contingências do trabalho e da vida não os incapacitam de se sentirem perto dos seus queridos ausentes, íntimos confidentes e agentes invisíveis da espiritualidade envolvente.

Porque é sempre possível analisar racionalmente factos concretos, ao mesmo tempo que se organizam ideias produtivas e harmoniosas enquanto se eleva o pensamento a Deus com um sorriso, uma lágrima ou uma prece. (JCB/MCB)

 

HUMBERTO MARIOTTI

O GRANDE PEDAGOGO ESPÍRITA / MEMBRO DA Confederação Espírita Argentina    (1905 – 1982)

O site vem apresentar mais um grande Gigante e Divulgador da Doutrina Espírita originário dos Países da América Espanhola.

Apresentação da biografia:
Humberto Mariotti, filósofo, poeta, jornalista, escritor e dirigente espírita, nasceu em Zárate, província de Buenos Aires, Argentina, em 11 de junho de 1905. Desde cedo manifestou uma inteligência precoce e vocação para a literatura. Frequentou cursos de veterinária, jornalismo, pedagogia em 1923, 1940 e 1947, respectivamente. A filosofia, a literatura e a zoologia foram suas grandes paixões. De 1937 a 1960 atuou como jornalista e foi professor em vários estabelecimentos de ensino privados.

Na mocidade exerceu expressiva liderança no movimento juvenil espírita argentino. Nesse período tomou contato com o pensador espírita Manuel S. Porteiro (1881-1936), cujo pensamento influenciou decisivamente seu modo de agir e pensar. Tornou-se amigo, companheiro e fiel seguidor das ideias de Porteiro.

Ao lado do escritor e conferencista espírita Santiago Bossero (1903-1967), costumava frequentar a humilde residência de seu mestre, onde passavam dias debatendo, estudando e escrevendo sobre Espiritismo. Os dois chegavam num Ford repleto de mantimentos e as conversas, regadas a mate e muito bom humor, certamente ficaram marcadas de forma indelével no jovem Mariotti.

Porteiro e Mariotti formavam uma dupla doutrinária admirável. Ambos foram eleitos para representar a Confederação Espírita Argentina (CEA) no V Congresso Espírita Internacional, realizado em Barcelona, na Espanha, de 1º a 10 de setembro de 1934. Mariotti tinha nessa época 29 anos. Porteiro era o presidente da CEA e Mariotti, o secretário-geral.

A defesa radical do Espiritismo como ciência integral e progressiva, sem os prejuízos do sincretismo e do religiosismo, pode ser conferida nos anais desse importante evento, com notável participação da delegação argentina, especialmente de Porteiro e Mariotti, contrários às tendências religiosas e esotéricas que disputavam espaço com os espíritas kardecistas nesse congresso.

Mariotti acompanhou os últimos momentos de Porteiro. Quando adoeceu e teve de amputar uma perna, ele e Bossero providenciaram a prótese, a perna mecânica para o amigo. Em seu passamento, foi Mariotti quem proferiu o discurso fúnebre.

Fiel ao pensamento de seu mestre, Mariotti prosseguiu no trabalho de divulgação espírita, destacando-se como escritor, dirigente espírita e eloquente conferencista. A Confederação Espírita Pan-americana foi fundada em 1946 sob sua orientação, da qual ocupou a vice-presidência em duas oportunidades. Também presidiu a Confederação Espírita Argentina em duas gestões (1935-37 e 1963-67).

No dia-a-dia do movimento espírita, Mariotti militou na Sociedade Espírita Victor Hugo, que presidiu ao lado de Bossero por várias gestões. Dirigiu por muitos anos a revista La Idea, órgão de divulgação da CEA. Como educador espírita, atuou no Instituto de Enseñanza Espírita, tendo sido presidente e secretário de propaganda do Ateneo de Letras y Artes, extinta entidade educativa mantida pela confederação argentina. Alguns anos antes de desencarnar, atuou como dirigente da Sociedad Constancia, de Buenos Aires. Além dessas atividades, Mariotti também foi médium psicógrafo e psicofônico.

Foi um notável poeta, aclamado e respeitado, inclusive no meio não-espírita. Em sua verve poética, desenvolveu o que chamava de poesia secreta, com pleno destaque temático ao caráter numinoso, metafísico e espiritualista, cuja inspiração nos princípios espíritas era evidente. Demonstrou também especial interesse pela poesia mediúnica do médium Chico Xavier.

Proferiu conferências em diversos países da América Latina – no Chile, Colômbia, Uruguai, Porto Rico e, especialmente, no Brasil –, devido aos laços de amizade com os escritores espíritas Deolindo Amorim e Herculano Pires.

Seus livros e artigos foram publicados em quase todos esses países, inclusive na Europa. Na Argentina, além das publicações espíritas, muitos periódicos não-espíritas editavam seus artigos aos domingos. No Brasil, escreveu para várias revistas espíritas como Aurora, Reformador, Educação Espírita, Revista Internacional de Espiritismo; e nos periódicos espíritas Espiritismo e Unificação, Mundo Espírita, dentre outros.

Podemos ver seus textos e ensaios nos anais do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB) e nos congressos realizados pela saudosa Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas (ABRAJEE). Colaborou também durante muitos anos com a revista Estudos Psíquicos, de Portugal.

A partir dos anos 60, Mariotti adere a princípios e conceitos mais próximos ao pensamento do filósofo espírita brasileiro Herculano Pires, distanciando-se de Porteiro. Passa a admitir a conceituação tríplice do Espiritismo, dando especial ênfase ao aspecto religioso da doutrina espírita. É muito provável que devido a essa mudança de rumo, seus textos puderam ser aceitos e publicados por instituições espíritas de orientação religiosa, como a Federação Espírita Brasileira.

Todavia, isso não descarta seu brilho intelectual e a capacidade impressionante de correlacionar a filosofia espírita com as questões mais prementes de nosso tempo, sempre numa linguagem vibrante, visionária e, em muitos momentos, mais poética do que filosófica, quase profética. Sua obra filosófica e literária é vasta, difícil de se abarcar de modo completo.

Muitos escritos seus ainda estão inéditos e grande parte de sua produção intelectual ainda permanece desconhecida.

A relação completa das obras desse grande pensador espírita portenho ainda está por ser feita. Relacionamos a seguir as mais conhecidas, algumas com a data de lançamento. A maioria está indisponível. Mesmo assim, dá para se ter uma ideia da variedade de sua produção intelectual:

• Dialéctica y Metapsíquica (1940);
• Víctor Hugo y la Filosofia Espirita (1955);
• Parapsicología y Materialismo Histórico (1963);
• De La Esencia a La Existencia (1968);
• El Espíritu, la Ley y la Historia (1968);
• Significado Existencial del Acto Poético;
• Don Pancho Sierra, Resero del Infinito;
• Pancho Sierra y el Porvenir de la Medicina;
• Los Ideáis Espiritas en la Sociedad Moderna;
• El Ocultismo Numinoso en el Fenómeno Poético;
• Victor Hugo, el Poeta del Más Allá;
• En Torno al Pensamiento Filosófico de J. Herculano Pires;
• Vida y Pensamiento de Manuel Porteiro;
• Herculano Pires: Filósofo y Poeta;
• Los Asombros Terrestres;
• La Parapsicología a la Luz de la Filosofía Espirita; • La Muerte de Dios.
Poesia:
• Canciones Escritas a la Luz de la Luna (1950);
• Canciones Escritas en una Vida Anterior (1951);
• Canciones que Vienen del Alba (1967);
• Los Asombros Terrestres (1967);
• Pájaros del Arco Iris (1968) – prêmio Fondo Nacional de las Artes; • Marietta.
Obras Inéditas:
• El Alma de los Animales a Luz de la Filosofía Espirita; • La Zoofilosofía en la Metafísica del Occidente;
• El Pensamiento Espiritualista de A. L. Palácios.

Para ver e baixar as suas obras:
http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Humberto%20Mariotti/Humberto%20Mariotti.htm

Humberto Mariotti desencarnou em 17 de maio de 1982. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Oeste, em Buenos Aires, com a presença de uma grande quantidade de espíritas, amigos e admiradores. Margarita S. de Testa, representando a Federação Argentina de Mulheres Espíritas, César Bogo pela Confederação Espírita Argentina e Dante Culzoni Soriano, da Confederação Espírita Pan-americana, foram algumas das lideranças espíritas presentes no sepultamento.

Fontes de consulta:

• Os Mestres do Espírito – Planeta Especial. Tradução Luís Carlos Lisboa, 1ª edição, São Paulo, Editora Três, s/d.
• Humberto Mariotti, por Natalio Ceccarini in revista Aurora – ano IV – nº 9 – agosto de 1982, Rio de Janeiro. Revista dirigida por Ademar Constant.
• El Espiritismo y la Creación Poética – Jon Aizpúrua – 1ª edição – Ediciones CIMA – Caracas, Venezuela, 1993.
• Anais do V Congreso Espiritista Internacional – Libro Resumen – Barcelona – 1º al 10 de septiembre de 1934 – Edição digital produzida pela Área de Internet da Federação Espírita Espanhola.

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fragmento de uma pintura da série “Peregrinação” (construida lendo Fernão Mendes Pinto) , de Costa Brites


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Prefácio dos tradutores de O LIVRO DOS ESPÍRITOS – terceira edição revista

Prefácio dos tradutores
Com sugestões de leitura e requisitos essenciais para entender a obra

Esta nova tradução de O Livro dos Espíritos, da autoria de Hipólito Leão Denisard Rivail, sob o pseudónimo de Allan Kardec, foi feita pelos abaixo-assinados diretamente da língua francesa, conforme a segunda edição original de 1860, de modo a torná-lo acessível a todas as pessoas que falam a língua portuguesa dos dias de hoje, isto é, do ano de 2018.
Destina-se tanto a leitores espíritas como não espíritas, tendo sido este pre­fácio especialmente redigido para pessoas não espíritas, dando a conhecer as condições essenciais para aceder à mensagem da obra e aos seus ensinamentos. Além da renovação linguística, esta versão do livro contém algumas dezenas de comentários de contextualização cultural, publicadas no fim do mesmo e designadas como “Notas finais”. Têm a finalidade de esclarecer certas palavras e ideias que se encontram deslocadas ou desatualizadas, devido à antiguidade histórica do escrito original.
O que aqui fica dito resulta da imensa admiração e respeito que temos pelo ensinamento dos Espíritos, na forma que foi metodicamente organizada por Hipólito Leão Dénisard Rivail, aliás Allan Kardec.
Como autores da tradução, deste prefácio e das Notas finais, obedecemos exclusivamente, na forma e no conteúdo desse trabalho, à nossa consciência cultural e moral, visto que não somos membros de qualquer organização religiosa, ideológica ou política.

O espiritismo falado em português de Portugal
Tendo procurado traduções de acordo com o português de Portugal dos dias de hoje, só encontrámos versões revistas para português, mas visivelmente subsidiárias das antigas traduções brasileiras, com todas as respetivas características.
Pensamos que não é prestigiante para os espíritas portugueses terem dei­xado passar tanto tempo sem afirmarem uma desejável autonomia cultural, que tivesse realizado a tradução completa de todos os muito notáveis trabalhos de Allan Kardec, incluindo a Revista Espírita, que teriam ganho, junto dos utilizadores da es­plêndida língua portuguesa, mais vigor e trato familiar.

Carácter da obra e suas qualidades essenciais
O Livro dos Espíritos trata de assuntos de índole universal, cujo conhecimen­to é indispensável a todos os seres humanos conscientes do seu devir ontológico.
O Livro dos Espíritos fornece informações concretas e baseadas em factos, explicando de onde viemos antes de nascer e para onde vamos depois da morte, bastando uma consulta cuidadosa ao índice para ter uma ideia dos seus conteúdos científico-filosóficos e bem assim dos seus objetivos morais.

Pormenoriza a natureza e o significado de fenómenos de todos os dias, dos mais simples aos mais complexos, e qual a atitude mais recomendável para enfrentá-los. Esclarece-nos acerca da alegria, da tristeza, da saúde e das enfermidades, da razão de existirem ricos e pobres e por que razão há pessoas que nascem belas, inteligentes e afortunadas e há outras que nascem com dificuldades, tristezas e até desfiguradas fisicamente.
O Livro dos Espíritos fala com profundidade do bem e do mal, ajudando-nos a compreender a sua complexidade, por vezes desconcertante. A cultura que nos apresenta tem o intuito de melhorar o entendimento do mundo e de reforçar a nossa consciência em clima de responsabilidade sem medo; não obriga ninguém a nada, não é uma religião, não configura um catecismo; apresenta uma visão otimista da vida e alarga os caminhos que conduzem à paz dos indivíduos e da sociedade no seu conjunto.

[1 – O espiritismo é uma religião?]
(NOTA: esta numeração passa a ser inscrita em certos pontos do texto e diz respeito às “Notas Finais” de contextualização cultural, que convirá ir consultando.)

Sugestões para a leitura de O Livro dos Espíritos:
Para quem começa, este não é um livro para ler de empreitada, como uma peregrinação e, muito menos, como uma penitência. Alguns conselhos que aqui registamos aumentarão a recetividade de muitos leitores, dando-lhes a exata noção do que vão encontrar pela frente.
Allan Kardec dedicou uma parte muito importante da sua argumentação com os leitores dirigindo-se, naturalmente, às pessoas do seu tempo. Um número significativo de textos é dirigido aos “opositores”, aos “incrédulos” e aos “adversários” do espiritismo. Nesse tempo, diferentemente do que se passa hoje, escasseavam as atividades lúdicas, e a comunicação social, como a conhecemos hoje, estava à distância de muitos anos. Havia, portanto, certas pessoas que, com a popularidade das “mesas girantes” e das “reuniões espiritas” em geral, se aproximavam desse fenómeno para o contestar, argumentando das mais diversas formas.
É a essas pessoas que Allan Kardec se dirigia em larga porção da “Introdução”, da “Conclusão” e de muitos parágrafos dos extensos comentários espalhados ao longo do Livro.
O leitor da atualidade, posto de sobreaviso, vai compreender o que foi escrito e saberá levar esses textos na devida conta. Estar a argumentar com opositores incrédulos e adversários do espiritismo não faz sentido nenhum na atualidade, porque esses, muito dificilmente abrirão sequer “O Livro dos Espíritos”.
O livro propriamente dito só começa depois de toda a complicada “Introdução” e vem a seguir a um pequeno texto chamado “Prolegómenos”, palavra que quer dizer: “introdução” ou “noções preliminares de uma obra ou de uma ciência”.
O leitor deve ter a liberdade de procurar inicialmente no livro o que mais lhe interessar, lendo por aqui e por ali os temas mais apetecíveis. Poderá, para esse efeito, consultar primeiramente o Índice.

Leia e releia com atenção o que achar mais válido e interessante.
Se não estiver de acordo com o que está explicado em certo ponto, tenha a coragem de prosseguir.

Adie as certezas difíceis de atingir com facilidade imediata, para que a longa jornada da vida possa abrir-lhe uma outra maneira de ver as coisas que agora não alcança, mas que tanta falta lhe fazem: o sentido otimista da vida, a esperança, a serenidade e a confiança. Se quiser prosseguir desse modo, é nossa convicta opinião que a leitura deste livro poderá ser um precioso auxiliar para atingir esses objetivos.
Não se pode esperar que a vida e o mundo, a natureza e todo o Universo sejam de entendimento imediato e fácil. Deve, pois, continuar a explorar, mais na atitude de quem estuda do que na atitude de quem lê por simples curiosidade.

O leitor que queira aprender, realmente, deve estar preparado para relacionar diversas partes do livro entre si, tentando encontrar relações coerentes entre os diversos ensinamentos. Só depois de ter feito estas explorações iniciais, com todo o interesse e vontade, valerá a pena ler o livro de uma assentada, ou passar, em alternativa favorável, à leitura de todos os escritos de Allan Kardec, incluindo o formidável conjunto da Revista Espírita, também publicada em vida pelo seu autor.

Requisitos essenciais para entender o livro e a origem dos seus ensinamentos
Sendo muito difícil avaliar a complexidade extraordinária do Universo e configurar com facilidade o significado da vida e da morte, há pessoas que desistem de compreender a realidade como projeto coerente, justo e generoso.
A ciência de observação baseada no estudo dos fenómenos espirituais, associada à enorme coerência de tudo o que nos rodeia desde o átomo às estrelas permite, pelo contrário, concluir que nada acontece de forma gratuita ou casual.
A par dessa conclusão fortemente documentável, todos nós necessitamos de construir reservas de convicção e de energia que nos auxiliem a vencer os obs­táculos com êxito, podendo, desejavelmente, ajudar quem nos rodeia, familia­res, amigos e a sociedade, com vista ao progresso, à felicidade, à verdade e à justi­ça, tais como se encontram fielmente configurados pelo conhecimento espírita.

A conclusão contrária de que o mundo e a vida resultam de acasos sem nexo, sem origem nem destino perfeitamente harmonizados, é uma desistência negligente que conduz à desmoralização, à dureza e ao medo.
As provas da coerência do plano das vidas e da natureza são tão volumosas e eloquentes, estão aqui tão próximas de cada um de nós, que não será necessário gastarmos muito tempo argumentando em seu favor. Os que ainda não atingiram esta ideia comecem a prestar atenção: ler “O Livro dos Espíritos” pode ser um bom começo.

Pensamos, portanto, de forma inabalável, que tudo o que existe deriva de uma inteligência suprema criadora de todas as coisas.
Fiquemos agora apenas por essa expressão, à qual não é necessário dar nome. É mais um sentimento que uma ideia definida que reside no íntimo intuitivo da sensibilidade. Deixemos que ela permaneça aí, onde melhor se compreende e onde mais perto está de tudo o que somos.

Quanto ao leitor que ainda duvida, esperamos com toda a convicção que nos encontre mais tarde, comungando da mesma fé que nos anima, com esperança e vontade esclarecida, harmonia e paz no coração. A criação magnânima da vontade superior que nos trouxe aqui não tem pressa. A jornada, que começou não se sabe onde nem como, continuará a desenvolver-se por todo o sempre. Tenhamos, pois, a serenidade que corresponde a esse devir sem limites nem fronteiras.

Como parte mais técnica e prática, sem cujo entendimento é impossível avançar para a leitura, é favor considerar o seguinte: apesar de dotados de importantíssimo património de capacidades orgânicas e racionais, os seres humanos entendem o Universo com ferramentas muito modestas e limitadas.
Os nossos cinco sentidos, a vista, o ouvido, o olfato, o paladar e o tato, deixam-nos a distâncias inimagináveis da realidade das coisas concretas, do mais perto ao mais longínquo, do mais pequeno ao infinitamente grande.
Tudo o que existe é muito mais do que podemos entender com essas limitadas ferramentas sensoriais, por muito completas e exigentes que sejam a nossa imaginação e a nossa inteligência.
No Universo (ou nos Universos?…) é muito mais aquilo que não se vê e não se entende, do que aquilo que se percebe e se sente com a vista e com o entendimento. A espantosa marcha da ciência tem dado passos de gigante ao tentar aproximar-se dessa enormidade de segredos. Mas quanto mais avança, mais profunda é a noção das coisas ignoradas.
Teremos que regressar ao grande Sócrates e à ideia que lhe conferiu a categoria do homem mais sábio de toda a Grécia: aquele que tinha a noção máxima de tudo o que desconhecia.
Existimos, pois, antes de nascermos neste mundo, num outro plano de que não temos conhecimento, no qual continuaremos a existir depois de falecido o corpo que nos serve de veículo existencial. O nascimento e a morte, portanto, não são o começo e o fim de tudo, e esse é um dos ensinamentos fundamentais de “O Livro dos Espíritos”.
Para confirmar factualmente essa realidade são conhecidas fontes de informação, de cuja existência há provas abundantes, que estão documentadas ao longo de toda a existência da Humanidade.

A mediunidade e a troca direta de informações entre o mundo dos vivos e o dos mortos

Havendo pessoas especialmente dotadas com mais um do que os normalíssimos cinco sentidos, têm por isso a capacidade, incompreensível para a maioria, de poderem sentir, ver e até dar voz às entidades espirituais que, depois da vida material, passam a existir no plano a que chamamos “mundo espiritual”.
Essa capacidade, esse sentido raro, chama-se “mediunidade”, porque são chamados “médiuns” os que a possuem.
Médium é uma palavra latina que signifíca “meio”, e que serve para designar o “in­termediário” ou “tradutor” das inumeráveis mensagens que têm sido trocadas entre os dois planos da existência, de forma que pode ser comprovada pela realidade dos factos.
A mediunidade é muito mais abundante do que se julga, tem graus de operacionalidade e modalidades muito diversas e já foi estudada em meio científico por diversas autoridades isentas e da maior competência, para além de se tornar evidente para qualquer pessoa que dela tenha o conhecimento direto.

“Mundo material” é o nosso, o do corpo físico que conhecemos, o mundo das coisas que vemos e palpamos à nossa volta.
O “mundo espiritual” é o mundo que não vemos, mas que se faz sentir po­derosamente, porque é nele que existimos antes e iremos existir depois, por toda a eternidade. Os contactos entre o “mundo material” e o “mundo espiritual” são contínuos e realizam-se de diversas formas desde há uma imensidade de anos.
O autor de “O Livro dos Espíritos”, Hipólito Leão Denisard Rivail, aliás Allan Kardec, organizou e sistematizou de modo filosófico um grande conjunto de apontamentos tirados de conversas tidas, ao longo de anos, entre pessoas vivas e entidades espirituais, que puderam “conversar” normalissimamente por intermédio de médiuns.
Esse trabalho foi desenvolvido em França, em meados do século dezanove. O autor referido designou essa cultura como sendo: “o espiritismo, ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.
É destas conversas, e dos comentários feitos pelo autor da obra a respeito das ideias por ele organizadas, que é feito “O Livro dos Espíritos”.
Segundo as conclusões seguras a que o “espiritismo” chegou, todos nós somos Espíritos, temporariamente ocupados por um breve intervalo de aprendizagens e experiências diversas através da vida no nosso corpo material.
Depois regressaremos, em paz e na maior das liberdades, ao nosso estado natural e mais permanente de Espíritos. Não se esqueçam: com letra maiúscula, por todas as razões mais nobres e mais válidas.

Notas breves sobre o método de tradução que seguimos

Sendo o francês e o português línguas da mesma família latina, tivemos a preocupação de fugir ao critério erróneo da “tradução à letra”, respeitando o fundo e não a forma das palavras do grande livro, tal como os ensinamentos nele contidos recomendam. O autor teve o intuito de escrever um livro que fosse acessível a todos os leitores da sua época. Sabemos, contudo, as profundas modificações que registaram, entretanto, todas as técnicas de comunicação. A frase mais curta, a economia de recursos de carácter retórico e enfático, a sim­plificação dos tempos verbais e muitos outros meios, foram usados por nós para facilitar a aproximação aos leitores, respeitando, entretanto, o carácter próprio que foi conferido à obra pelo seu autor.
Para além das versões em português, procurámos esclarecer muitos dos seus aspetos através de traduções noutras línguas e da pesquisa de outras obras do mesmo autor.
Consultámos, por exemplo, a tradução em castelhano de Alberto Giordano, publicada na Argentina em 1970 e influenciada pela que foi feita pelo professor brasileiro José Herculano Pires, que também analisámos com cuidado; e a excelente tradução em língua inglesa da autoria da jornalista Anna Blackwell, profunda co­nhecedora da cultura espírita, que foi contemporânea e amiga da família Rivail du­rante o tempo que viveu em Paris. A edição de que nos servimos tinha por intuito revelar a obra de Allan Kardec no universo cultural anglo-saxónico e foi publicada em Boston em 1893, mas o prefácio da autora está assinado de 1875, em Paris.

Também lemos as conhecidíssimas traduções de Guillón Ribeiro, a seu tempo dirigente da Federação Espírita Brasileira que, quando pelas primeiras vezes nos vieram à mão, desde logo despertaram em nós a determinação de fazer uma tradução para português de Portugal dos nossos dias. Com o devido respeito por esse trabalho, não foi o modelo que procurámos seguir, por razões muito concretas, mas que não é oportuno detalhar nesta breve apresentação.

A escolha das palavras

Sabendo que as palavras têm alma, usámos uma estrutura lexical coerente com o carácter filosófico e moral da obra, no contexto da sua visão otimista da magnânima obra da criação e do glorioso destino da Humanidade.
No texto original de Allan Kardec, por tendências de época que serão compreensíveis e estão bem estudadas, é usado em certas passagens do Livro algum vocabulário herdado das teorias penalizantes do universo filosófico das antigas religiões.
O aproveitamento dessas expressões nas traduções dos dias de hoje, deixou em absoluto de fazer sentido. Prosseguimos, nesta edição, no uso de referências lexicais compatíveis com a cultura que nos orienta com todo o rigor moral e toda a exigência intelectual. Porém, com uma visão do mundo, que encoraje a conquista da paz e do progresso pelo raciocínio, e da ultrapassagem do erro pelo conhecimento racional. Para colocar esta questão plano histórico cultural, sugerimos a leitura da Nota Final nº 39, que trata da “queda do homem”, e do ensino primordial das religiões dogmáticas.

Allan Kardec

Hipólito Leão Denisard Rivail,
organizador dos ensinamentos dos Espíritos
No início deste prefácio de tradutores escolhemos a grafia do nome Hipólito Leão Denisard Rivail, com os dois nomes próprios traduzidos e Denisard com “s”, como está na sua certidão de nascimento. Fizemos isso por ser a versão que nos parece mais perto da nossa língua e, especialmente, porque nos temos habituado a pensar nele como um semelhante, nosso amigo íntimo.
O destino fez com que Hipólito Leão/Allan Kardec tivesse ficado sem biografia oficial propriamente dita, feita por um contemporâneo seu. Por algu­ma coisa foi: a obra é o que interessa, ditada por narradores invisíveis, configu­rada pelo autor que organizou a mensagem.
Vale muito a pena ler tudo o que deixou escrito, sobretudo este “Livro dos Espíritos”, trabalho estruturador da mensagem de que se encarregou. De cada vez que se lê, novas coisas se descobrem e melhor se entendem o todo e os por­menores. Será estudo útil para os que desejam encontrar o fio da vida, tantas vezes encarada como drama sem solução, e serem capazes de construir agora um destino que valha a pena, com alegria e entusiasmo, porque há um depois!…
Hipólito Leão começou a interessar-se pelo tema que iria tratar de forma tão brilhante e generosa numa posição distanciada de qualquer crença, outros- sim cuidadosamente positivista e até cautelosamente cético, numa idade de ple­na maturidade, apenas por ter sido insistentemente convidado por amigos para esse efeito.
O trabalho, que começou aos 55 anos de idade (numa época em que a esperança de vida era muito inferior à da atualidade), foi levado a cabo com de­dicação total, mediante um esforço hercúleo, sem medida, que de certa forma conduziu ao desenlace da sua vida.
Convém referir que o modelo expositivo que serve à estruturação de O Livro dos Espíritos, desenvolvido nas restantes obras de Allan Kardec, obedece ao formato que durante os séculos XVIII e XIX constituía os princípios da exposição cientifica clássica, definindo ordenadamente:
1° – A escolha do objeto de estudo, que se conclui ser o Espírito, tratado no Livro Primeiro (As Causas Primárias);
2° – A análise do objeto de estudo, ou seja, a consideração e avaliação de toda a fenomenologia que constitui a sua razão de ser, que é tratada no Livro Segundo (O Mundo Espírita ou dos Espíritos);
3° – O estabelecimento das leis que regulam esse conjunto de fenómenos, que é feito no Livro Terceiro (sobre as Leis Morais);
4° – A dedução das consequências da aplicação dessas leis, que é feita no Livro Quarto (sobre as Esperanças e Consolações).
O critério de Hipólito Leão, em todo o imenso trabalho que efetuou, nun­ca foi o de se promover pessoalmente à condição de dirigente ou autoridade ideológica e muito menos religiosa. A metodologia utilizada para a estrutura­ção do “corpus” de informações e saberes científico-filosóficos que levou a cabo foi isenta de segundos sentidos de proveito pessoal ou institucional.

O professor Hipólito Rivail desaconselhou os grandes coletivos espiritas

Obedecendo a critérios que foi enunciando em diversas intervenções, nunca favoreceu o agrupamento de grande número de adeptos em instituições federativas as quais, de antemão, declarou perniciosas, por facilitarem a arqui­tetura do poder e a manipulação das consciências.
Toda a realidade que se seguiu ao seu falecimento, quer em França, quer no estrangeiro, deu plena razão às previsões e avisos que formulou.
Os pequenos grupos de cidadãos, harmonicamente associados numa con­vivência produtiva de pensamento claro e de reta consciência, na obediência da razão crítica e do diálogo construtivo, formam o modelo mais claramente por si recomendado para constituir a sociedade espírita.
Em síntese, fique esclarecido que a obra traduzida e a filosofia que encerra oferecem uma visão otimista da vida, liberta de dogmatismo, verdadeiramente emancipadora da Humanidade e produtora de paz, na igualdade entre todos os seres humanos.
Consideramos ainda que O Livro dos Espíritos defende, com o máximo respeito, a integridade ecológica do planeta que habitamos, o direito à dignida­de, à justiça e à máxima felicidade de todos os seres que nele habitam.
A característica essencial desta tradução, que sugere a passagem de toda a obra de Kardec para o português de Portugal/2018, num clima cultural aberto, é propor o regresso metódico a uma obra muito conhecida pelo seu nome, mas escassamente debatida; abrindo o seu acesso, se possível, a novos públicos e a jovens inquietos pelo grande mistério da sua origem e do seu destino.
Para esta terceira edição foram cuidadosamente revistos e ampliados os seus conteúdos de referenciação cultural, além de se ter procurado com mais abertura uma versão mais próxima da nossa linguagem de todos os dias, usando as prodigiosas qualidades estético-culturais de que dispõe a magnífica língua portuguesa.
Consideramos, não obstante, que a nossa tarefa de ler atentamente o que nos deixou Allan Kardec, não fica por aqui. A sua leitura em português dos nossos dias faz parte de um debate de ideias que gostaríamos de ver par­tilhado e enriquecido pelo maior número de leitores, espíritas e não espíritas.

O destino adequado para O Livro dos Espíritos não é permanecer imóvel, como peça sacralizada de ideias petrificadas. Julgamos que deve ser entendido por todos os seus leitores de antes, de agora e do futuro, como uma obra ener­gicamente VIVA e justificadamente ABERTA.

Entregamo-la a todos os prezados leitores com os melhores votos de feliz e proveitosa leitura

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites
Setembro de 2018

Bibliografia geral e leituras

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Ilustração de: Wooli Chen, visto em This Works / WeTransfer

Temos andado a publicar aqui momentos especiais do trabalho de tradução de “O Livro dos Espíritos”. Esta notícia tem por tema a pequena bibliografia geral relativa às Notas Finais.

O Prefácio dos tradutores destina-se a preparar as pessoas que nunca tenham lido o livro antes;
As Notas Finais servem para informar o leitor do critério de tradução de certas palavras e para fornecer opiniões de contextualização cultural de textos com mais de 150 anos.
A pequena bibliografia geral também é destinada aos leitores que nunca encontraram antes “O Livro dos Espíritos”, obra que servirá – se atentamente o lerem – para esclarecer um segredo há muitos séculos desvendado por homens de ideias, com experiência de vidas vividas, mas persistentemente escondido pelas forças determinadas em conservá-lo oculto e secreto.

Esse segredo é o conhecimento fundamental e fundamentado da origem e do destino dos seres humanos. Saberem porque estão vivos e conhecerem bem as regras que orientam a sua vida presente, abrindo-lhes as portas para um mais claro futuro de progresso e de felicidade.
Mesmo para os que desconfiarem que é promessa exagerada, vale a pena começar já a ler, para que não percam mais tempo em desvendá-lo, já que facilita a marcha pela estrada, por vezes acidentada, que nos conduz ao  futuro.

A bibliografia geral que aparece depois das Notas Finais de todo o livro não manipula consciências nem condiciona as opções do leitor. Apenas revela as principais ajudas com que caminhámos ao encontro desta cultura que ensina a viver e, ao mesmo tempo que produz conhecimentos livres de compromissos de grupo ou fronteiras dogmáticas, também ajuda a construir a felicidade.

Bibliografia geral e leituras


ALLAN KARDEC:
‒ Todas as obras e publicações editadas em vida pelo autor, de 1857 a 1869;

GABRIEL DELANNE:
Todas as suas obras e publicações, em especial as seguintes:
‒ O Espiritismo perante a Ciência. Paris, 1885;
‒ O Fenómeno Espírita. Paris, 1893;
‒ A Evolução Anímica. Paris, 1895;
‒ A Alma é Imortal. Paris, 1897;
‒ A Reencarnação. Paris, 1927.

LÉON DENIS:
Todas as suas obras e publicações, em especial as seguintes:
1885 – O Porquê da Vida, 1885;
1898 – Cristianismo e Espiritismo, 1920 (última edição);
1889 – Depois da Morte, 1920 (idem);
1903 – No Invisível, 1924 (idem);
1905 – O Problema do Ser do Destino e da Dor, 1922 (idem);
1910 – Joana D’Arc Médium, 1926 (idem).

sobre JESUS HISTÓRICO:


o professor Antonio Piñero

ANTÓNIO PIÑERO,
Catedrático de Filologia Grega, com especialidade em Língua e Literatura do Cristianismo Primitivo da Universidade Complutense de Madrid, autor, entre outras, das seguintes obras:

– CIUDADANO JESÚS – Las respuestas a todas las perguntas; Atanor Ediciones, Madrid, várias edições desde 2012;
– GUIA PARA ENTENDER EL NUEVO TESTAMENTO; Editorial Trotta, múltiplas edições desde 2006, Madrid;
– ORIGENES DEL CRISTIANISMO – Antecedentes y primeiros passos; Ediciones El Almendro e Universidade Complutense de Madrid, 2004;
– JESÚS, LA VIDA OCULTA – Según los Evangelios rechazados por la Iglesia; Esquilo Ediciones, 1ª edição 2007, Badajoz;
– JESÚS DE NAZARET – El hombre de las cien caras” – textos canónicos y apócrifos; EDAF, Madrid, México, Buenos Aires, SanJuan, Santiago, Miami, 2012;
– EL OUTRO JESÚS – Vida de Jesús segun los evangelios apócrifos – Ediciones El Almendro, Córdoba; primeira edição: 2004.

Mosa JS

JACOB SLAVENBURG:
– (n. 1943 em Gorinchem, Holanda). Desde jovem percebeu que os acontecimentos históricos reais eram muito diferentes dos que tinha aprendido na escola ou nos círculos religiosos. Licenciado em História Cultural, dedicou-se à história das religiões depois da extraordinária descoberta dos manuscritos de Nag Hammadi, em especial a respeito do homem de Nazaré. Atualmente é professor em várias instituições e a sua obra é muito conhecida:
– A HERANÇA PERDIDA DE JESUS (De verloren erfenis) – A verdadeira história das origens do cristianismo, Marcador Editora, Queluz de Baixo, 2012

MEMÓRIA da HUMANIDADE:


“Aquellos que no recuerdan el pasado, están condenados a repetirlo.”
George Santayana.

As obras aqui indicadas, embora muito importantes, representam apenas um exemplo simbólico da atenção que é devida ao conhecimento da História Universal, sem a qual é impossível enquadrar os conceitos científicos, culturais e morais. Sem recursos minimamente estruturados desta disciplina cultural é impossível ter uma ideia válida da importância da obra de Allan Kardec e da cosmovisão espírita. Impossível será igualmente ultrapassar o contexto de um planeta de expiação e de provas, sujeito ainda à tutela dominante do pensamento dogmático e da predominância de espíritos ainda não muito evoluídos.

A Chegada das Trevas é a história largamente desconhecida – e profundamente chocante – de como uma religião militante pôs deliberadamente fim aos ensinamentos do mundo clássico, abrindo caminho a séculos de adesão inquestionável à “única e verdadeira fé”.

O Império Romano foi generoso na aceitação e assimilação de novas crenças. Mas com a chegada do Cristianismo tudo mudou. Esta nova fé, apesar de pregar a paz, era violenta e intolerante. Assim que se tornou a religião do império, os zelosos cristãos deram início ao extermínio dos deuses antigos – os altares foram destruídos, os templos demolidos, as estátuas despedaçadas e os sacerdotes assassinados. Os livros, incluindo grandes obras de Filosofia e de Ciência, foram queimados na pira. Foi a aniquilação.

Levando os leitores ao longo do Mediterrâneo – de Roma a Alexandria, da Bitínia, no norte da Turquia, a Alexandria, e pelos desertos da Síria até Atenas -, A Chegada das Trevas é um relato vívido e profundamente detalhado de séculos de destruição.

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ALEXANDRE HERCULANO dispensa apresentações para todos aqueles que têm conhecimento do seu imenso prestígio como historiador e cidadão que lutou com imensa bravura e se exprimiu como investigador e grande homem de pensamento, dos mais insígnes de toda a nação cultural portuguesa.

A sua obra a respeito da Inquisição em Portugal é de leitura fundamental.

Clicando na capa poderá descarregar uma versão brasileira do livro. Assim manifestamos homenagem à imensa generosidade de divulgação de valores e partilha do imenso povo brasileiro:.ALEXANDRE 

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– HISTÓRIA DA ORIGEM E ESTABELECIMENTO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL- Alexandre Herculano (1810-1877).

 

 

 

07-trat– PEQUENA HISTÓRIA DAS CRUZADAS; Londres 2004 – Chistopher Tyerman; Edições Tinta da China, Lisboa 2008.

08-trat

RECURSOS LINGUÍSTICOS:


Entre outros:

– CNRTL/ORTOLANG: http://www.cnrtl.fr/definition/;
– LEXILOGOS: http://www.lexilogos.com/francais_langue_dictionnaires.htm

ortol.

GABRIEL DELANNE – Vida e Obra de um seguidor de ALLAN KARDEC

A Evolução Anímica-1…

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Abaixo se apresenta a biografia de um dos mais distintos expoentes da doutrina espírita: GABRIEL DELANNE, entendido como um dos mais destacados seguidores de ALLAN KARDEC, divulgador da vertente científica da cultura espírita e seu entusiástico impulsionador.

Além da biografia de GABRIEL DELANNE, encontra-se à disposição do visitante um documento muito interessante, encontro com DELANNE, de autoria de uma conhecida individualidade brasileira, o Dr. Silvino Canuto de Abreu, ilustre investigador espírita que se deslocou a Paris para se encontrar pessoalmente com Delanne, com o qual trocou diversas impressões que constituem um momento notável. Além do relato do encontro redigiu ainda um texto importante para a caracterização do entrevistado e do papel que desempenhou na consolidação e divulgação do espiritismo, na senda de Allan Kardec.

GABRIEL DELANNE, Vida Apostolado e Obra – Paul Bodier e Henri Regnault

Encontro com DELANNE, Silvino Canuto de Abreu

Estas são as principais obras da autoria de GABRIEL DELANNE, algumas ainda não traduzidas para a língua portuguesa:

O ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA

O FENÓMENO ESPÍRITA

EVOLUÇÃO ANÍMICA

L’Évolution Animique

Recherches sur la médiumnité

A ALMA É IMORTAL

Les_apparitions_matérialisées_tome_I

Les_apparitions_materialisees_tome_II

E o seu último trabalho, de 1924

La Reincarnation

A Reencarnação.

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Nunca “O Livro dos Espíritos” foi tão belo na nossa língua

 

NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar:

Terceira edição revista da tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, edição livre e aberta para todos

 

Nunca “O Livro dos Espíritos” foi tão belo na nossa língua ‒ acaso fortuito ou aceno da esperança?
Na parte final da SINOPSE inserida por alguém na apresentação feita no site da Livraria Bertrand, a respeito da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”, aparecem-nos palavras generosas, que são como boa nova apetecida, porque nos ajudam a alimentar a esperança.
Dizem o seguinte:

Além de se tratar de uma nova e mais rigorosa tradução do original francês (sem preconceitos ou fins religiosos – o que nos leva, em algumas passagens, a sublinhar diferenças em relação às versões hoje mais correntes), os tradutores elevam o texto a uma condição literária que até hoje este nunca teve em português, incluindo notas que esclarecem e contextualizam o texto original.
Nunca O Livro dos Espíritos foi tão belo na nossa língua.

Os detentores deste site desconhecem inteiramente a pessoa que se exprimiu assim, tão clara e convictamente. Não, não foi um daqueles favores pedidos a um amigo de boa vontade que nos conhece há muito e que “teve o máximo gosto…”, etc.etc.
Foi alguém que leu com atenção, que conhece o assunto e que estava no sítio certo à hora certa para dizer o que disse.

Empreender a tradução de um grande livro como “O Livro dos Espíritos”, será sempre uma atitude especial, pois o trabalho tem de se começar muito antes de ter início, dura ao longo de toda a tarefa e prolonga-se para depois. Com efeito, nunca abrimos o livro que não descubramos, por aqui e por ali, coisas que poderiam estar melhor e que merecem afinação, ou emenda!…

É muito desconfortável concluir que os leitores portugueses foram, durante mais de século e meio, lendo esta importantíssima obra num português diferente daquele que lhes é mais familiar, recheado de características que ousamos caracterizar como defeituosas.

Cada leitor, pesquisando várias versões, consultando o original francês – os que tiverem conhecimento dessa língua, tão familiar e culturalmente próxima do português – podem aprofundar sentidos, aproximarem-se dos textos que nos foram deixados por Kardec e, paralelamente, do precioso “ensino dos Espíritos”.

O grande ideal que nos anima é de que “O Livro dos Espíritos” seja categorizado, para todos os efeitos, como OBRA LIVRE E OBRA ABERTA!…

fragmento de um painel de azulejos da autoria de costa brites

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Contracapa – vale a pena ler

NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar também:

Terceira edição revista da tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, edição livre e aberta para todos

Contracapa da obra publicada.
para poder ler: é favor clicar e ampliar imagem.

O arranjo gráfico da primeira/segunda edições foi da autoria de Ulisses Lopes.

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Duas leis morais que mudam de nome

“passagem para a Atlântida”, grafite e acrílico s/ tela s/ platex, Costa Brites 1998

 Livro III Capítulo V e Capítulo VI

Continuamos a abordar na última série de notícias aqui publicadas, temas relacionados com a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”, convictos – da nossa parte – que a análise aprofundada dos aspectos linguísticos que com o mesmo se relacionam, se encontra apenas no seu começo. Isso também faz parte da ideia que apresentámos de fazer de “O Livro dos Espíritos uma Obra Viva e Aberta.

A revisão linguística a que procedemos vai ser muito incompletamente apreciada se os leitores só repararem na mudança do nome de duas das leis morais.
Realmente, a tradução foi muito mais além, e só daqui a algum tempo isso irá tornar-se claro.
A mudança do nome de duas leis (a lei da destruição, que para nós fica designada como lei da transformação; e a lei da conservação, que para nós fica designada como lei da sobrevivência) não obedece ao capricho de marcar diferenças, mas única e simplesmente porque consideramos que as traduções até agora em vigor são equívocos sérios do ponto de vista cultural e filosófico, mais do que simples erros de opção formal. Ora vejamos:

A palavra “transformação”

Perguntas 728 a 736 (sobre a ideia da morte como transformação necessária ou como destruição abusiva)
A palavra francesa “destruction”, nas várias versões em língua portuguesa de “O Livro dos Espíritos” foi, até ao presente, traduzida pela palavra “destruição”. Prevaleceu o conceito incorreto da “tradução à letra”.
Assinalemos o distanciamento semântico da palavra “destruição” relativamente à ideia da morte como momento feliz de regresso à pátria espiritual, episódio natural da transformação evolutiva, permanente e universal, que caracteriza a cosmovisão espírita.
Nos dicionários de português o primeiro significado da palavra destruir é: “proceder à destruição de; causar destruição em; demolir, arrasar; aniquilar”. Esses significados remetem o termo para o seu mais nítido campo significativo, tal como está claramente definido na pergunta n° 752 desta mesma obra, ao definir de modo contundentemente negativo o “instinto de destruição”:

Podemos ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?
É o instinto de destruição no que ele tem de pior, porque se a destruição é às vezes necessária, a crueldade nunca é necessária. Ela é sempre a consequência de uma natureza má.

De resto, o próprio teor da pergunta n° 730 vem em apoio do que dizemos acima:

Uma vez que a morte deve conduzir-nos a uma vida melhor, livrando-nos dos males deste mundo, sendo mais de desejar do que de temer, porque é que o ser humano tem por ela um horror instintivo que a torna motivo de receio?

Como forma de justificar a adoção da palavra “transformação” como tradução mais correta de “destruction”, para além da pesquisa feita na base de dados Ortolang, podemos ainda socorrer-nos de outros momentos desta mesma obra de Allan Kardec. Recorremos ao texto em francês da resposta a esta mesma pergunta n° 728, que é totalmente eloquente a este respeito:

Il faut que tout se détruise pour renaître et se régénérer ; car ce que vous appelez destruction n’est qu’une transformation qui a pour but le renouvellement et l’amélioration des êtres vivants.

Traduzindo : É necessário que tudo se extinga, para que renasça e se regenere; porque aquilo que chamais a morte do ser vivo é apenas uma transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento de todos eles.

No comentário à pergunta n° 182, Allan Kardec esclarece que nos mundos mais evoluídos do que a Terra, a morte não causa a mínima apreensão aos Espíritos, porque a aceitam sem temor, como uma simples “transformação”:

L’intuition qu’ils ont de leur avenir, la sécurité que leur donne une conscience exempte de remords, font que la mort ne leur cause aucune appréhension; ils la voient venir sans crainte et comme une simple transformation.

Traduzindo: A intuição que têm do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão: vêem-na aproximar-se sem medo e como uma simples transformação.

Isto é: A intuição que têm do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão: veem-na aproximar-se sem medo e como uma simples transformação.
Coube ao francês Antoine Lavoisier a honra de dar nome a essa importantíssima lei da ciência, que encerra até profundo significado filosófico, mediante a conhecidíssima expressão: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
As razões de natureza científico-cultural que podem ter levado Allan Kardec à adoção do termo “destruction”, neste capítulo de “O Livro dos Espíritos”, foram esclarecidas por Gabriel Delanne, um dos mais importantes seguidores de Kardec, na sua obra “L’Evolution Animique”, no que toca às investigações e descobertas efetuadas, por altura da publicação de “O Livros dos Espíritos”, pelo cientista francês Claude Bernard, fundador da medicina experimental, sobretudo na sua obra publicada em Paris no ano de 1867 “Principes de Médecine Expérimentale”.
Quanto ao uso corrente da língua portuguesa, se alguém morre de morte natural ou acidental, ninguém dirá entre nós – em sentido próprio – que essa pessoa “se destruiu” ou “foi destruída”.

Juntámos aos argumentos disponíveis no próprio texto do original redigido por Allan Kardec, o comentário seguinte:

A morte, transformação libertadora

Pergunta 339 (O momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação?)

A morte aparece na resposta a esta pergunta bem caracterizada como uma transformação libertadora, o contrário da destruição: “na hora da morte, o Espírito deixa a escravidão”. A que corresponde, no original: “A la mort, l’Esprit sort de l’esclavage”.

A palavra “sobrevivência”

Perguntas 702 – 703 (sobre o instinto de sobrevivência)
Preferimos a palavra “sobrevivência” à palavra “conservação”, pela contaminação semântica que esta arrasta consigo, longe da generalidade antropológica que oferece a primeira. Ao fazer esta opção, sabemos que estão a ser quebrados velhos hábitos de tradução de “O Livro dos Espíritos” para a língua portuguesa. Julgamos, entre outras razões, que foi o conceito da “tradução à letra”, que de maneira nenhuma perfilhamos, que justifica a tradução do termo francês original “conservation” pelo termo português “conservação”.
Consultando muito cuidadosamente a base de dados francesa Ortolang, criada pelo CNRTL-Centre National de Ressources Textuelles et Lexicales, uma boa quantidade de razões recomenda a opção do termo “sobrevivência” e outras tantas razões prejudicam a escolha do termo “conservação”.
Poderia até esta última ser preferida, caso se compusesse com uma segunda palavra, isto é: “conservação da espécie”. Mas a ideia de “sobrevivência” tem maior grau de generalidade e é mais adequada à variedade de usos que a palavra tem ao longo de “O Livro dos Espíritos”, onde o uso do termo “conservação” sempre apresenta inconvenientes expressivos. Concentrar a designação da lei numa só palavra também é vantajoso..

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ALLAN KARDEC desaconselhou grandes coletivos espíritas

Dando sequência ao primeiro destaque das Notas Finais da nossa tradução para a língua portuguesa de Portugal dos nossos dias, estamos hoje a inserir  a Nota Final  que tem por tema “a organização do espiritismo”, com o qual Allan Kardec muito se preocupou durante todo o período que tão afincada e generosamente se dedicou à sua tarefa de organizar o espiritismo (usando as suas póprias palavras).
Allan Kardec foi muito claro nos avisos que fez a esse respeito, por ter adivinhado os riscos que corria o espiritismo face às perspectivas de apropriação por grandes grupos organizados de uma doutrina que tem essencialmente a ver com a íntima atitude espiritual de cada pessoa, sob a orientação do raciocínio desinteressado  e da reta consciência moral.


[ Allan Kardec e a organização do espiritismo] Nota Final situada na página nº 257 da primeira edição.

Muitas foram as intervenções de Allan Kardec, de que eloquentemente nos falam os seus livros e a Revista Espírita, a respeito da organização do espiritismo e dos cuidados que os seus dirigentes deverão tomar para impedir a centralização abusiva e os desvios dogmáticos.
Notemos que têm sido esses vícios que, há milénios, têm retirado à Humanidade a capacidade de se auto determinar social, cultural e moralmente. Fundamental é que a cultura espírita possa configurar-se como abordagem racional, tolerante e objectiva do mundo e da vida, de modo a permitir a realização concreta da Lei do Progresso.
As citações abaixo não passam de referências esparsas colhidas através da leitura das fontes indicadas. Contudo, ao mesmo tempo que designam os núcleos pouco numerosos de interessados como forma ideal de agremiação espírita, afirmam a decidida rejeição das várias formas de concentração de poder nas organizações espíritas, que possam reduzir o seu sentido de honestidade moral e intelectual.

Revista Espírita de Dezembro de 1861, sobre “Organização do Espiritismo”

“…aos que têm a coragem da sua opinião, e que estão acima das mesquinhas considerações mundanas, diremos que o que têm a fazer se limita a falar abertamente do Espiritismo, sem afectação, como de uma coisa muito simples e muito natural, sem pregá-la, e sobretudo sem buscar nem forçar convicções, nem fazer prosélitos a todo custo. O Espiritismo não deve ser imposto. Vem-se a ele porque dele se necessita, e porque ele dá o que não dão as outras filosofias…”
“…é sabido que as grandes reuniões são menos favoráveis às belas comunicações e que as melhores são obtidas nos pequenos grupos. É necessário, pois, empenhar-se em multiplicar os grupos particulares. Ora, como dissemos, vinte grupos de quinze a vinte pessoas obterão mais e farão mais pela propaganda do que uma sociedade única de quatrocentos membros.…”
“…Quer a sociedade seja una ou fraccionada, a uniformidade será a consequência natural da unidade de base que os grupos adoptarem. Ela será completa em todos os grupos que seguirem a linha traçada pelo Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns. Um contém os princípios da filosofia da ciência; o outro, as regras da parte experimental e prática. Essas obras estão escritas com bastante clareza para não dar lugar a interpretações divergentes, condição essencial de qualquer nova doutrina…”

“O Livro dos Médiuns” − Segunda parte

– “Das manifestações espíritas” Capítulo XXIX – “Das reuniões e das Sociedades Espíritas”:
“…A grande dificuldade de reunir grande número de elementos homogéneos (…) leva-nos a dizer que, no interesse dos estudos e por bem da causa mesma, as reuniões espíritas devem tender antes à multiplicação de pequenos grupos, do que à constituição de grandes aglomerações….”
“…As grandes assembleias excluem a intimidade, pela variedade dos elementos de que se compõem; exigem sedes especiais, recursos pecuniários e um aparelho administrativo desnecessário nos pequenos grupos. A divergência de carácter, das ideias e das opiniões, é nelas mais frequentes e oferece aos Espíritos perturbadores mais facilidade para semearem a discórdia. Quanto mais numerosa é a reunião, tanto mais difícil é conterem-se todos os presentes…”
“…Os grupos pequenos jamais se encontram sujeitos às mesmas flutuações. A queda de uma grande Associação seria um insucesso aparente para a causa do Espiritismo, do qual os seus inimigos não deixariam de tirar partido. A dissolução de um grupo pequeno passa despercebida e, além disso, se um se dispersa, vinte outros se formam nas proximidades. Ora, vinte grupos, de quinze a vinte pessoas, terão mais êxito e muito mais farão pelo ensino do espiritismo, do que uma assembleia de trezentos ou de quatrocentos indivíduos…”

Revista Espírita de Dezembro de 1868; “Constituição transitória do Espiritismo”:

“…Estabelecida a necessidade de uma direção, de quem receberia poderes o seu chefe? Será aclamado pela totalidade dos adeptos dispersos pelo mundo inteiro? É uma coisa impraticável. Se se impuser pelo seu próprio poder, será aceite por uns, rejeitado por outros e vinte pretendentes poderão surgir disputando a sua posição: seria ao mesmo tempo o despotismo e a anarquia. Semelhante ato seria próprio de um ambicioso, e ninguém seria menos adequado que um ambicioso, e por isto mesmo orgulhoso, para dirigir uma doutrina baseada na abnegação, no devotamento, no desinteresse e na humildade. Estando fora do princípio fundamental da Doutrina, não poderia senão falsear-lhe o espírito….”
“…pretender que o Espiritismo em toda a parte seja organizado da mesma maneira; que os espíritas do mundo inteiro sejam sujeitos a um regime uniforme, a uma mesma maneira de proceder; que devam esperar a luz de um ponto fixo no qual deverão fixar-se, seria uma utopia tão absurda como esperar que todos os povos da Terra formem uma só nação, governada por um único chefe, regida pelo mesmo código de leis e sujeita aos mesmos costumes…”
“…O Espiritismo é uma questão de essência; ligar-se à forma seria uma puerilidade indigna da sua grandeza. Os verdadeiros centros espíritas deverão dar-se as mãos fraternalmente e unirem-se para combater os seus inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo…”

O nome de Jesus

um rosto impossível de retratar

Esta é a terceira notícia da série que reproduz Notas Finais da nossa tradução para português de “O Livro dos Espíritos”.

[9] – O nome de Jesus – Introdução VI – Resumo da Doutrina dos Espíritos
É neste ponto de “O Livro dos Espíritos” que surge a primeira referência ao nome de Jesus, tendo utilizado Allan Kardec o adjetivo “Cristo”, o que nos obriga a esclarecer qual foi o motivo que nos levou, ao longo de toda esta obra, a usar para designá-lo exclusivamente o seu verdadeiro nome.
Há dois mil anos, no Próximo Oriente como em muitas outras partes do mundo, as pessoas não tinham nomes tão organizados como agora, com sobrenomes e apelidos. Tinham apenas um nome pessoal ao qual se juntava um designativo para diferençar pessoas com o mesmo nome: o seu local de origem, a profissão ou uma característica muito própria do indivíduo.
Jesus (derivado do nome judaico Jeshua) era conhecido no local onde vivia como filho de José, o carpinteiro, e mais genericamente como “o nazareno”, por ter nascido em Nazaré. É muito comum, em meio espírita usar-se esta designação, Jesus de Nazaré.
No tempo de Allan Kardec, numa sociedade profundamente influenciada pelo pesadíssimo predomínio católico, “Jesus Cristo” era designação usual, tanto que uma imensa maioria de católicos julgava que Cristo seria parte integrante do nome de Jesus, o que não é verdade.
Sendo o espiritismo uma cultura que é orientada pela ordenação racional de factos comprováveis pela experiência, isto é, uma filosofia não dogmática que parte de uma ciência de observação, não pode correr o risco de se deixar embalar por ideias que não são apenas diferentes, são perfeitamente antagónicas.
Ou seja, o espiritismo não aceita dogmas como o da designada “santíssima trindade” que sacralizou Jesus de Nazaré, afastando-o da sua natureza humana, escamoteando o seu papel fundamental de modelo de comportamento moral que nos propõe o ensino dos Espíritos.
Isto é muito claro ao lermos a pergunta nº 625 de “O Livro dos Espíritos”, que pedimos leiam com profunda atenção:

Pregunta: Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu aos seres humanos, para lhe servirem de guia e modelo?
Resposta: Considerai o exemplo de Jesus; a que se segue o muito elucidativo comentário de Allan Kardec:

Jesus é, para os seres humanos, o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão da sua lei, porque estava animado do Espírito divino e por ter sido o ser mais puro que apareceu na Terra.
Se alguns dos que pretenderam instruir os seres humanos na lei de Deus algumas vezes os desviaram para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como leis divinas o que eram apenas leis humanas, criadas para servir as paixões e dominar os homens.

Sendo, portanto, modelo de homens, é impossível conceber Jesus como entidade por qualquer forma constituído de forma artificialmente diferente de qualquer um de nós, seus irmãos, também muito legitimamente honrados pela categoria inalienável de filhos de Deus.
“Cristo”, por seu turno, é um nome que deriva da palavra grega “christos”, que no contexto do cristianismo primitivo de influência greco-judaica inseria Jesus no elenco do messianismo judaico, que quer dizer exatamente “o messias”, “o enviado”, “o ungido”.

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Paulo, que nunca conheceu pessoalmente Jesus, deu um primeiro passo nessa direção, quando criou “O Cristo da fé” que se afastava muito do Jesus histórico, cuja vida e mensagem lhe não interessavam, uma vez que ele centrava toda a sua doutrina na “morte e ressurreição” de Jesus. Quando o cristianismo começou a helenizar-se e a expandir-se entre os gentios (os não judeus), o título de Cristo passou a ser uma espécie de sobrenome.

Depois do colapso do poder dos Césares de Roma, esvaziados da prerrogativa da sua divinização que lhes era conferida pelo paganismo, tiveram que lançar mão da popularidade crescente e progressiva do cristianismo.
Este tinha avançado de forma imparável impulsionado pelos ensinamentos de Jesus de Nazaré, em coerência com as antigas sabedorias e com a vanguarda científico filosófica das escolas de pensamento Grego, nomeadamente Pitágoras, Sócrates e Platão (Vide capítulo III da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”).
O Império romano, aliado ao poder de alguns altos dignitários do cristianismo nascente, apoderou-se do cristianismo para impor a universalidade da sua influência política e estratégica.
Cristo foi-se tornando uma expressão corrente, enquanto o Jesus ressuscitado recebia o sobrenome de “senhor” ou “kyrios”, fórmula que encaixa adequadamente nas determinações políticas que foram assumidas no Concílio de Niceia, no ano de 325, pelo Imperador Constantino, o grande, para obedecer exclusivamente a interesses de predomínio político e estratégico.

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Allan Kardec usou indistintamente as palavras Jesus, Cristo, e até Jesus Cristo com o mesmo significado. Porém, quer na ordem das ideias de carácter doutrinário, quer na ordem da consideração histórica da pessoa de Jesus, cento e cinquenta anos depois da elaboração de “O Livro dos Espíritos”, entendemos que é forçoso fazer opções quanto à utilização desta diversidade de nomes, que pode carregar consigo o peso de graves contradições.
A nossa decisão não é apenas linguística nem apenas doutrinária: respeita e faz a devida utilização da memória dos povos, leva em conta as trágicas consequências de mais de 1.700 anos de dogmatismos impiedosamente intolerantes e sangrentos.
Reforçando ideias, repetimos as esclarecidas palavras de Kardec:

“…Se alguns dos que pretenderam instruir os seres humanos na lei de Deus algumas vezes os desviaram para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como leis divinas o que eram apenas leis humanas, criadas para servir as paixões e dominar os homens.”

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um rosto impossível de retratar

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“O Livro dos Espíritos” traduzido para português de Portugal no catálogo de Natal da Livraria Bertrand

 

NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar também:

Terceira edição revista da tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, edição livre e aberta para todos

 

Publicamos abaixo a página do catálogo de livros comercializados neste Natal pela LIVRARIA BERTRAND e que divulga o versão de “O Livro dos Espíritos” traduzida para português de Portugal e publicada pela Luz da Razão Editora.
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Salientamos a sinopse incluída:

Com este livro, em 18 de Abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. O Livro dos Espíritos é o código de uma nova fase da evolução humana e sobre ele se ergue todo um edifício: o da Doutrina Espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Livro dos Espíritos não é, porém, apenas, a pedra fundamental ou o marco inicial do Espiritismo. Porque é o seu próprio delineamento, o seu núcleo central e ao mesmo tempo o arcabouço geral da doutrina.
Examinando-o, em relação às demais obras de Kardec, que completam a codificação espírita, verificamos que todas essas obras partem do seu conteúdo. Até a publicação desta obra, os problemas espirituais eram tratados de maneira empírica ou apenas imaginosa, com ela, o espírito e os seus problemas saíram do terreno da abstração, para se tornarem acessíveis à pesquisa experimental, o sobrenatural tornou-se natural. Tudo se reduziu a uma questão de conhecimento das leis que regem o Universo.

A obra agora editada, vê, ao fim de 160 anos, uma tradução do original Francês para português de Portugal, apresentando notas e comentários dos tradutores. Além de se tratar de uma nova e mais rigorosa tradução do original francês (sem preconceitos ou fins religiosos – o que nos leva, em algumas passagens, a sublinhar diferenças em relação às versões hoje mais correntes), os tradutores elevam o texto a uma condição literária que até hoje este nunca teve em português, incluindo notas que esclarecem e contextualizam o texto original.
Nunca O Livro dos Espíritos foi tão belo na nossa língua.

Informação para todos os visitantes interessados;
Ao longo de “espiritismo cultura” podem ser consultadas informações detalhadas a respeito do tema desta notícia.
Convidamos todos, portanto, a efectuar uma pesquisa cuidadosa ao longo das notícias que se seguem, sem esquecer a valiosíssima apreciação crítica do professor João Donha, e o trabalho que analisa os critérios de tradução utilizados pelos autores, “As palavras têm alma”.
A pesquisa pode ser feita desenrolando os conteúdos ou clicando nos subtítulos do “menu”.
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Para aceder a esta página do catálogo de Natal da LIVRARIA BERTRAND é favor clicar na imagem acima

Recado dos tradutores, grandes admiradores da língua portuguesa e do estudo independente e não dogmático do espiritualismo científico como filosofia com objectivos morais:

A emocionante categoria de todos os organismos vivos e a complexidade do Universo que nos rodeia, indicam que a vida não é um fenómeno casual.
Para além das convicções dos crentes, é a lógica da Criação que demonstra que existimos de há muito antes e que continuaremos a existir, de acordo com a lógica insondável da complexidade Universal.
Para além das inumeráveis pesquisas da ciência, cujas verdades são cada vez mais fluídas e indeterminadas, tenhamos em conta o testemunho expresso pela hipersensibilidade de milhões de seres que, através dos séculos, têm falado do que veem, do que sentem e viveram para lá da parede do invisível.
Voltamos a falar na ciência pois que nos diz agora que, de todo o Universo, só conseguimos ver e conhecer uma ínfima parte, sendo tudo o mais invisível e impalpável.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS surgiu num momento propício, embora difícil, da história da humanidade, e resulta de ideias honestamente pesquisadas e metodologicamente organizadas a partir dessas opiniões sensíveis, cujos divulgadores afirmam estar baseadas em factos.

Já vivemos e sentimos o suficiente para crer que há boas razões para estarmos atentos ao invisível. Mais do que isso, achámos matéria substancial e comprovável para estudar a sério o que nos espera para além da imobilidade final do corpo.
O que fala em nós não é a matéria e sabemos o suficiente para construir, quanto mais não seja, um indispensável guia para a viagem que nos espera e que, à imagem e semelhança do Universo que nos rodeia, tem o perfil insondável dos horizontes sem fim à vista.

Mesmo para quem não acredita em nada, mas queira pôr de lado os tabus do silêncio, para isso foi escrito “O Livro dos Espíritos”.

Durante muitos anos o Livro foi lido em Portugal escrito em brasileiro, ou adaptado ao português com maior ou menor clareza. A nossa tradução foi estudada e fundamentada da melhor maneira que pudemos, numa base de independência ideológica e com a mais honesta e aberta curiosidade intelectual.

No nosso sentir e no nosso querer, não é uma crença – muito menos dogmática. É um conjunto precioso de informações que podem fazer falta já durante a vida, porque explicam de forma cabal o que vem depois.
JCB/MCB..

Aspecto de um dos estabelecimentos da Livraria Bertrand na cidade de Coimbra

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PowerPoint sobre a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”

 

NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar também:

Terceira edição revista da tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, edição livre e aberta para todos

Para ter acesso ao PowerPoint é favor clicar na imagem

Razões que tivemos para realizar a tradução de “O Livro dos Espíritos”, o seu Prefácio e as suas Notas finais

1 – Insatisfação pelas versões conhecidas em português do Brasil, e o desconhecimento de uma tradução disponível em Português de Portugal que correspondesse às nossas expectativas;
2 – O valor da obra, a sua cosmovisão progressista, optimista e emancipadora, que abre de par em par as portas de uma cultura cientifico-filosófica com objectivos morais, estimulou o gosto de a estudar com método e de a traduzir com rigor para nosso próprio uso;
3 – As Notas finais resultaram do grande interesse do trabalho de pesquisa a respeito da obra de Allan Kardec, cujos benefícios desejámos partilhar com os leitores, cientes de que fica muito por saber e muito por investigar.
4 – Concebida como trabalho para uso pessoal, esta tradução foi feita por puro gosto, sem interesses materiais ou pessoais. O seu resultado final foi eleito à categoria de ato de partilha, para ajudar o maior número possível de leitores a esclarecerem o funcionamento do Universo, a sua origem e o seu destino, que são os temas de que trata “O Livro dos Espíritos”.

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites
22 de Abril de 2017
Nos 160 anos de “O Livro dos Espíritos”.

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22 DE ABRIL DE 2017 – Apresentação nacional em Braga

NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar também:

Terceira edição revista da tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, edição livre e aberta para todos

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Razões dos tradutores:

A nossa tradução de “O Livro dos Espíritos” foi feita inicialmente apenas para uso pessoal, visto que não nos agradavam completamente as versões que conhecíamos em língua portuguesa.
Para além da mensagem dos Espíritos que o Livro nos apresenta, a linguagem e a argumentação desenvolvidas por Allan Kardec, ao longo da obra, foram talhadas de acordo com a sua sensibilidade, face à complexidade da época em que viveu.

No tratamento dessas componentes essenciais, tivemos que seguir o seu exemplo, pensando numa nova geração de leitores, que alargue sensivelmente o número de interessados no esclarecimento da sua origem e do seu destino, em contexto de evolução espiritual.

Por isso se justificaram, não apenas a inclusão de um “Prefácio de tradutores”, com dados genéricos para as pessoas que nunca leram Kardec, como também um conjunto de notas finais de contextualização histórico-cultural, que achámos não só adequadas, mas imprescindíveis.

Não é possível manter intocada uma obra que ensina a viver e que tem de concorrer com as novas concepções da vida e do mundo, correndo com isso o risco imediato de não ser nem compreendida, nem aceite pelas gerações que já nasceram sob o signo de novas ideias.
Estamos a pensar na nova geração de leitores que, habituados a linguagens muito mais atraentes e dinâmicas, só poderá aceitar um livro que lhes explique de forma clara, leve e transparente:

‒ O funcionamento do mundo;
‒ As regras e princípios que norteiam a vida;
‒ O que precisam de fazer para cumprir as suas missões de aperfeiçoamento moral e intelectual.

Acreditamos na universalidade e na perenidade da mensagem de “O Livro dos Espíritos”. Estamos seguros que tem argumentos e qualidades suficientes para levar às pessoas de todas as idades uma mensagem válida de edificação da vida.
Pertencendo ambos à geração de portugueses que tiveram o Francês como segunda língua e tendo tido uma experiência continuada, não só com o idioma mas também com a cultura da nação francesa, foi fácil começarmos de há muito a ler Allan Kardec nos originais, tendo assumido recentemente o projeto de traduzir para português o mais possível da sua importantíssima obra.
O trabalho que foi feito destina-se a cumprir um objetivo fundamental, que julgamos elementar.
A justificação para tomarmos tal iniciativa poderá talvez apoiar-se no teor da parábola dos “talentos”, contada por Jesus de Nazaré, pois compreendemos que era a altura propícia e que não devíamos esperar nem mais um dia para realizá-la.
Fizemos a nossa leitura/tradução com a máxima atenção e gosto.
Concluímos que a obra de Allan Kardec é demasiado preciosa para ficar prisioneira de uma errada consagração imobilizadora.
O trabalho feito proporcionou-nos um convívio precioso, a quase intimidade intelectual com a personalidade e a obra de Allan Kardec.

Queremos passar a palavra, dando de graça o que de graça recebemos, o que estamos a fazer agora. Para isso tivemos a generosa hospitalidade de alguns amigos, diligentes trabalhadores da causa espírita, que fomos encontrar na ASEB de Braga.
Agradecemos também à Editora “Luz da Razão”, pelo magnífico trabalho produzido.
A sua hospitalidade e o seu aberto acolhimento são a principal razão pela qual chegámos aqui.

Notas breves sobre o método de tradução que seguimos

Sendo o francês e o português línguas da mesma família latina, tivemos a preocupação de fugir ao critério erróneo da “tradução à letra”, respeitando o fundo e não a forma das palavras do grande livro, tal como os ensinamentos nele contidos recomendam.
O autor teve o intuito de escrever um livro que fosse acessível a todos os leitores da sua época. Sabemos, contudo, as profundas modificações que registaram, entretanto, todas as técnicas de comunicação.
A frase mais curta, a economia de recursos de carácter retórico e enfático, a simplificação dos tempos verbais e muitos outros meios, foram usados por nós para facilitar a aproximação aos leitores, respeitando, entretanto, o carácter próprio que foi conferido à obra pelo seu autor.
Sabendo que as palavras têm alma, usámos uma estrutura lexical coerente com o carácter filosófico e moral da obra, no contexto da sua visão otimista da magnânima Obra da Criação e do glorioso destino da Humanidade.
Para além das versões em português, procurámos esclarecer muitos dos seus aspetos através de traduções noutras línguas e da pesquisa de outras obras do mesmo autor.
Consultámos, por exemplo, a tradução em castelhano de Alberto Giordano, publicada na Argentina em 1970 e influenciada pela que foi feita pelo professor brasileiro José Herculano Pires, que também analisámos com cuidado; e a excelente tradução em língua inglesa da autoria da jornalista Anna Blackwell, profunda conhecedora da cultura espírita, que foi contemporânea e amiga da família Rivail durante o tempo que viveu em Paris. A edição de que nos servimos tinha por intuito revelar a obra de Allan Kardec no universo cultural anglo-saxónico e foi publicada em Boston em 1893, mas o prefácio da autora está assinado de 1875, em Paris.

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites
Abril de 2017

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