O Evangelho Segundo o Espiritismo

L’Évangile selon saint Matthieu, Pier Paolo Pasolini. Ao fundo da notícia: comentário a respeito da obra prima e possibilidade de vê-la na íntegra (legendada em português).

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 Tradução para Português de Portugal – 2019 – de José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites

Ao fundo, acesso ao ficheiro PDF com a obra completa

 Notas de rodapé
 No corpo desta obra são inseridas apenas as notas originais de Allan Kardec, com a respetiva identificação (AK), de modo a respeitar o formato do texto original francês.

NOTAS FINAIS
São publicadas no fim do livro um conjunto de notas que foram julgadas muito importantes para a contextualização de algumas palavras, expressões ou temas tratados.
Vão sendo referenciadas ao longo do texto, com a indicação do tema e respetiva numeração, entre parêntesis retos.

Uso de maiúsculas
As palavras redigidas com letra maiúscula são as que a gramática portuguesa recomenda para esse efeito.
A palavra Deus, e as expressões que se lhe referem também são grafadas com maiúscula, bem como as palavras Humanidade e Universo. A palavra Espírito igualmente, nos casos em que Allan Kardec adotou esse critério.

Textos Bíblicos transcritos ao longo desta tradução:
Ao longo desta tradução de o “Evangelho segundo o Espiritismo”, todos os textos Bíblicos, quer do Antigo, quer do Novo Testamento, não foram traduzidos do original de Allan Kardec, mas sim pesquisados e transcritos da Bíblia Sagrada, traduzida por João Ferreira de Almeida, versão revista e corrigida.
Apresentamo-los na sua forma original, evitando corrigir até a pontuação, para não lhes retirar, como diz Kardec, “a ingenuidade primitiva, que lhes dá, ao mesmo tempo, encanto e autenticidade.”
Tomámos essa decisão devido à grande familiaridade que os leitores de língua portuguesa de todas as latitudes, e de há muitíssimos anos, têm mantido com essa notável e muito apreciada tradução em língua portuguesa da Bíblia Sagrada.

INTRODUÇÃO original de Allan Kardec
I − Objetivo desta obra

Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes: Os atos comuns da vida de Jesus, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas das igrejas e o ensino moral.

Se as quatro primeiras partes têm sido causadoras de polémicas, a última permaneceu inatacável. Diante deste código divino, até os incrédulos se inclinam; é o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem agrupar-se, quaisquer que sejam as suas crenças, porque nunca foi motivo de disputas religiosas, sempre e por toda a parte suscitadas por questões dogmáticas. Discutindo-as, aliás, as seitas teriam encontrado nelas a sua própria condenação porque, na maior parte dos casos, se apegaram mais à parte mística do que à parte moral, que lhes exigiria o seu próprio aperfeiçoamento.

Para os seres humanos, em particular, é uma regra de conduta que abrange todas as circunstâncias da vida, pública ou privada, o princípio de todas as relações sociais fundadas na mais rigorosa justiça. É, por fim e acima de tudo, o caminho infalível da felicidade a conquistar, uma ponta do véu que abre para a vida futura. É essa parte que constitui o motivo exclusivo desta obra.

Toda a gente admira a moral evangélica, todos proclamam a sua perfeição e a sua necessidade. A maior parte das pessoas, contudo, confia naquilo que ouviu ou apoia-se em normas que se tornaram consagradas. O certo é que poucas a conhecem a fundo e ainda menos são as que a compreendem e dela sabem tirar as devidas conclusões.

A causa deste facto reside, em grande parte, nas dificuldades que a leitura do Evangelho apresenta, incompreensível para a maioria das pessoas. A forma alegórica e o misticismo intencional da linguagem fazem com que a maioria o leia por descargo de consciência e por obrigação, como leem as preces sem as compreenderem, quer dizer, sem proveito. Os preceitos de moral, disseminados por aqui e por ali, mesclados com outras narrativas, passam-lhes despercebidos. Torna-se então impossível apreender o conjunto, e fazer dele motivo de uma leitura e de uma meditação separadas.

Fizeram-se, de facto, tratados de moral evangélica, mas a adaptação ao estilo literário moderno tira-lhes a ingenuidade primitiva, que lhes dá, ao mesmo tempo, encanto e autenticidade. Acontece o mesmo com certas frases sentenciosas retiradas do contexto; ficam reduzidas à sua expressão mais elementar, não passando então de aforismos, que perdem uma parte do seu valor e do seu interesse pela ausência dos acessórios e das circunstâncias que os rodeavam.

Para evitar estes inconvenientes, reunimos nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de cultos. Nas citações, conservámos tudo o que é útil ao desenvolvimento das ideias, suprimindo apenas o que é alheio ao assunto. Além disso, respeitámos escrupulosamente a tradução original de Sacy, assim como a divisão por versículos. Porém, em vez de nos prendermos a uma ordem cronológica impossível e sem vantagem real para o caso, as máximas foram agrupadas e distribuídas metodicamente segundo a sua natureza, de modo a que decorram umas das outras, tanto quanto possível. A indicação dos números de ordem dos capítulos e dos versículos permite recorrer à classificação comum, caso se julgue conveniente.

Esta seria apenas uma solução de ordem prática que, por si só, não teria mais do que uma utilidade secundária. O essencial era pô-la ao alcance de todos, pela explicação das passagens menos claras e o desenvolvimento de todas as suas consequências, tendo em vista a sua aplicação às diferentes situações da vida. Foi o que procurámos fazer, com a ajuda dos bons Espíritos que nos assistem.

Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia e dos autores sagrados em geral, são incompreensíveis e muitas vezes parecem mesmo absurdas, por falta de um código que nos facilite o seu verdadeiro sentido. Esse código está completo no Espiritismo, como já se convenceram os que estudaram seriamente a doutrina e como ainda melhor se reconhecerá mais tarde. O Espiritismo encontra-se por toda a parte, na Antiguidade e em todas as épocas da Humanidade. Em tudo encontramos os seus vestígios: nos textos, nas crenças e nos monumentos. É por isso que, ao mesmo tempo que abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.

Como complemento de cada preceito acrescentámos algumas instruções, escolhidas entre as que foram ditadas pelos Espíritos em diversos países, através de numerosos médiuns. Se estas instruções tivessem surgido de uma fonte única, poderiam ter sofrido uma influência pessoal ou do meio, enquanto a diversidade de origens prova que os Espíritos dão os seus ensinamentos por toda parte, e que não há ninguém privilegiado a esse respeito.

Esta obra é para o uso de todos, cada um pode tirar dela os meios de ajustar a sua conduta à moral de Jesus. Os espíritas aí encontrarão, além disso, as aplicações que lhes dizem respeito mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas entre os seres humanos e o mundo invisível, de agora em diante e de modo permanente, a lei evangélica ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos deixará de ser letra morta, porque cada um a compreenderá e será incessantemente solicitado a pô-la em prática, pelos conselhos dos seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do Céu que vêm esclarecer os seres humanos e convidá-los à prática do Evangelho.

 

Temporariamente o ficheiro PDF não está à disposição dos visitantes, visto que foi retirado para revisão. Oportunamente será reposto novo ficheiro

 

 


PELA MAGNÍFICA QUALIDADE ESTÉTICA DA OBRA CINEMATOGRÁFICA CITADA, E PELO FACTO DE SER POSSIVEL COMPAGINAR A SUA CONTEMPLAÇÃO COM A LEITURA DO EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS, O QUE FRANCAMENTE SE RECOMENDA, NÃO EXITAMOS ENTREGAR AOS LEITORES O VISIONAMENTE COMPLETO DO FILME RESPECTIVO.

Quand la Croix défendait L’Évangile de Pasolini

Jean ROCHEREAU, 

“L’Évangile selon saint Matthieu” de Pier Paolo Pasolini STUDIOCANAL IMAGE / ARCO FILMS

L’Évangile selon saint Matthieu. Quand souffle l’Esprit…

De notre envoyé spécial au festival de Venise.

(…)…Pasolini est un homme, sincère et un poète. C’est là, sans doute, qu’Il faut chercher la raison de l’exceptionnelle réussite qui m’a ému. Quelle fut, pour l’Évangile selon saint Matthieu, l’idée qu’il exprime ? Prendre le contre-coup de toutes les idées reprises au cinéma en matière d’évocation religieuse.
Et, d’abord, refus systématique de toute vedette pour l’interprétation.
C’est la propre mère de Pasolini qui incarne la Sainte Vierge
. Elle le fait avec une sincérité, une émotion proprement sublime. Dans la distribution on trouve aussi des amis du cinéaste : romanciers, journalistes, poètes.
Le fils de Pasolini, un étudiant catalan, surprend d’abord tant son physique de brun aux yeux noirs et le voile qui couvre constamment la tête sont opposés à l’imagerie traditionnelle ; tant aussi, son air sombre et son regard de braise semblent jurer avec la bonté du Christ.
Mais que paraisse un entant, et le sourire sur le visage de l’interprète, devient un reflet vivant de l’amour de Dieu.

Autre soucis majeur de Pasolini : un maximum de réalisme. Les scènes de Nazareth furent tournées dans un village de Lucanie, qui garde les stigmates d’un terrible séisme. Si l’on ne se savait pas en Italie, on se croirait revenu vingt siècles en arrière au pays du Christ.

Maintenant et toujours

Mais, bien sûr, l’essentiel reste à louer : l’adaptation du texte évangélique de son illustration. Il n’était pas question de relever tous les épisodes des Évangiles. Mais ceux qui furent choisis rendent bien compte de l’idée maitresse du cinéaste : montrer l’actualité du message.

Au plan de la composition des images, j’ai été bouleversé jusqu’aux larmes par Ia toute première scène, muette. Joseph se rend compte que Marie attend un enfant. C’est une merveille de tact et de délicatesse. Par la suite, Pasolini utilise en abondance des gros plans sur les visages (je pense souvent à la Passion de Jeanne-d ‘Arc, de Dreyer) et « son parti pris » qui nous vaut une galerie de portraits véritablement Inoubliables. Enfin, pour les ensembles, le massacre des Innocents, ce chemin de croix et Ia mise au tombeau sont des tableaux dont on chercherait en vain l’équivalent en peinture.

Il y a tout de même, dans ce chef d’œuvre (oui, il faut maintenir le mot), quelques autres points. Mais plutôt de surprise moins heureuse. Le long discours public sur les scribes, les pharisiens hypocrites (texte intégralement repris de saint Matthieu, comme tout le texte biblique) est orchestré fidèlement, de telle sorte qu’on se croirait parfois à un discours révolutionnaire. C’était, je crois bien, les seules minutes où transparait le « marxisme » de Pasolini. Et, bien sûr, la substance de ce discours estompe cette fâcheuse impression.

J’ignore tout à fait comment les autorités catholiques accueilleront ce film dédié « à la douce mémoire du pape Jean ». Je pense qu’elles redouteront peut-être quelque exploitation, par le parti de feu Togliatti, d’un éventuel « imprimatur ». Et même, je demeure incertain quant à l’accueil du grand public : ne sera-t-il pas trop dépaysé ? Mais je crois fermement que si nous, chrétiens, n’aidons pas à l’exacte compréhension et au succès d’un tel film, nous laissons passer une occasion apostolique.

Après tout, les voies de la providence sont impénétrables et l’Esprit souffle où il veut. Est-ce trop s’avancer que de conclure : le film de Pasolini, même né dans une conscience marxiste, est un instrument apologétique, digne de servir à l’extension du royaume de Dieu ?

Author: CB

"...navegar é solitário e cansa-se o navegante à medida do silêncio da esperança do mar do ardor da viagem não se cansa não" CB

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